A 24ª Feira do Livro Josué Guimarães chega ao último fim de semana em meio ao intenso fluxo turístico que ocupa o Centro de Canela durante o 38º Sonho de Natal. Desde o dia 5, a Praça João Corrêa recebe sete estandes de livreiros, mesas literárias, contações de histórias, debates, lançamentos e atrações artísticas que mantêm um fluxo constante de visitantes. Para o patrono da edição, Clayton Opptiz, o movimento tem sido “calmo, porém contínuo”, com turistas e famílias circulando entre os estandes — uma imagem fiel da vocação da feira: aproximar o livro do cotidiano da cidade. A edição deste ano reúne apresentações literárias, espetáculos, debates e atrações musicais que ampliam o perfil do evento. Público tem mais um fim de semana para aproveitar a FeiraFoto: André Fernandes Entre os destaques da semana estão o pocket show O Som do Vento, o concerto do Grupo de Cordas da UCS, a tradicional Cantata de Natal do Coral Jovem de Novo Hamburgo e, neste domingo, o espetáculo “Os Consertadores de Histórias”, seguido da cerimônia de encerramento com a presença do patrono. O mau tempo provocado por ventos e chuva exigiu ajustes na programação — cancelamentos, transferências e antecipações —, mas o interesse do público se manteve. A circulação constante reforça a vocação plural da feira, na qual literatura, música e artes convivem sem competição. Ao entrar no último fim de semana, a Feira do Livro reafirma sua função essencial: formar leitores, aproximar jovens de suas primeiras experiências literárias, valorizar autores locais e fortalecer a vida cultural de Canela. A cidade que recebeu Josué, que foi transformada pela energia de Nydia e que hoje reconhece seus livreiros escreve mais um capítulo de uma tradição que combina memória, formação e futuro. O NOME DA FEIRA ESCRITOR Josué GuimarãesArquivo Familiar Para entender a identidade da Feira, é necessário revisitar a trajetória de Josué Guimarães. Uma feira que se expande no presente. Escritor, jornalista e observador atento da política brasileira, ele viveu redações, enfrentou censura, passou pelo exílio e publicou 25 livros entre 1970 e 1986. Obras como A Ferro e Fogo, Os Tambores Silenciosos e Camilo Mortágua tornaram-se referências por unir rigor histórico, crítica social e narrativa ágil. Sua ligação com Canela foi concreta. A casa construída no Laje de Pedra, em 1983, virou refúgio criativo e espaço de descanso. Guimarães caminhava pela cidade, conversava com moradores, observava ritmos e personagens locais. Quando a Prefeitura decidiu dar seu nome à feira, reconheceu a relação que ele de fato manteve com a comunidade. NYDIA: PRESENÇA INDISPENSÁVEL Após a morte de Josué, em 1986, Nydia Guimarães assumiu a tarefa de preservar o acervo e dar continuidade ao diálogo cultural iniciado pelo marido. Ao mudar-se para Canela com livros, memórias e sua vasta rede de contatos, ela impulsionou festivais, aproximou a cidade de artistas nacionais, fortaleceu atividades formativas e ajudou a estruturar a Fundação Cultural de Canela. Permaneceu ativa até seu falecimento, em 2012, deixando marcas que atravessaram décadas e moldaram parte do cenário cultural que ainda hoje se percebe. “Nydia Guimarães é daquelas figuras que permanecem. Não apenas pelo que fez, mas pela maneira como existia no mundo. Tinha uma delicadeza rara combinada a uma cultura imensa, conversava sobre qualquer assunto porque leu bibliotecas inteiras. Tratava todos da mesma forma, sem hierarquias”, destaca a diretora do Jornal Nova Época, Marina Gil. “Sua chegada coincidiu com um momento decisivo para a cultura de Canela. Na primeira gestão do prefeito José Vellinho Pinto, quando passei a atuar na Secretaria de Cultura, trabalhei diretamente com ela e pude ver a força transformadora de sua atuação. A Fundação Cultural nasce desse impulso”, recorda Marina. “Nydia mantinha uma rede afetiva impressionante. Ligava pessoalmente para nomes como Paulo Autran, Eva Wilma ou Fernando Sabino. Tinha um caderninho com contatos da cena cultural brasileira e os trazia para Canela porque acreditava que a cidade merecia esse diálogo. Também tinha uma ligação profunda com os animais, como gatos, cachorros, pássaros e até espécies improváveis. Amava a vida, amava as artes e amava as pessoas. Foi, de fato, a grande dama da cultura em Canela”, elogia Marina. Nydia e Marina GilArquivo Pessoal JUVENTUDE QUE ESCREVE Entre as atividades da Feira, estudantes da rede municipal participaram de apresentações literárias que revelaram novos talentos. Uma das vozes que chamou atenção foi a de Larissa Foscarini da Silva, 13 anos, aluna do 7º ano da EMEF Barão do Rio Branco. Larissa escreve poemas desde cedo e encontrou na Feira do Livro o primeiro espaço público para apresentar seu trabalho a um público maior. Sua leitura emocionou colegas, professores e visitantes, lembrando que a formação de leitores também desperta autores. RAIO DE SOL Larissa Foscarini da Silva, 13 anos De que adianta ver o raio de solSe o raio de sol não me vê?Ele me esquentaMe deixa quente e intensaMas não consigo trazer ele até mim Parece que ele só irá me esquentar,Por que eu sei que ele não vai ficarEle está tentando me enganar?Acho que preciso parar de lamentar… Meu querido raio de solSua luz é meu farolDe frente para luzDe um lindo pôr do sol Mas o que o raio de sol acharia de mim?Que vivo simples assimVendo sua luz crescerEm meio ao meu viver PATRONO COM CONHECIMENTO DE CAUSA O patrono da edição deste ano, Clayton Opptiz, conhece a leitura por dentro. Cresceu na casa onde hoje funciona sua Livraria Bambu e recebeu o primeiro livro aos 12 anos — Assassinato na Rua Morgue, de Edgar Allan Poe. Formado em Engenharia Agronômica e durante décadas ligado ao setor industrial, voltou-se para a escrita e para o universo livreiro após a aposentadoria. Frequentou cursos de narrativa, publicou textos e transformou a livraria em ponto de encontro para leitores, clubes de leitura e grupos culturais. Sua nomeação como patrono reflete a vivência de quem acompanha diariamente como o público se relaciona com os livros na cidade. ENTREVISTA COM CLAYTON OPPTIZ O Nova Época conversou com Clayton Oppitz, patrono da 24ª Feira do Livro Josué Guimarães NE –
Um Restaurante cheio de CHARME
Perfeito para transformar seu Evento em um verdadeiro sucesso! A antiga mansão histórica com entrada imponente ladeada por duas colunas com capitéis jônicos construída no final da década de 50, pertenceu à família Corso, importantes empresários do ramo madeireiro de Canela. Entre 2013 e 2014, sob a direção dos empresários Fernanda Chies e Alan Togni Erthal, foi modernamente decorada com objetos vintage de bom gosto, transformando-se no Magnólia, um dos mais charmosos espaços de lazer e gastronomia da Serra Gaúcha. Uma imponente escadaria dá acesso direto ao restaurante com quatro elegantes salões, especializados em alta gastronomia com completa carta de destilados e vinhos, drinks da moda e aperitivos, além de uma brinquedoteca e uma sala de cinema com confortáveis poltronas. A ambientação é ao mesmo uma mistura de bar cool e restaurante sofisticado com ambientes que criam atmosferas diferentes para cada momento, mantendo o espírito da casa que é a descontração e o bom humor. Com criatividade, a organização da casa mantém a energia festiva com toques de decoração retrô para que as pessoas comecem a se divertir desde a porta de entrada, passando por ambientes cuidadosamente preparados para todas as ocasiões. A área externa, utilizada tanto para eventos diurnos como noturnos, oferece ampla gama de possibilidades. Um mix muito bem feito de refinamento e naturalidade. A experiência, com tanta festa e alegria desde que inaugurou, deu origem a mais um sucesso dos sócios Fernanda Chies e Alan Erthal, a Mag Eventos, que além de ser chamada para atender a gastronomia de clientes em vários espaços de Canela e Gramado agora também é procurada para criar, produzir e servir eventos no próprio restaurante. Afinal, nada mais glamuroso e ao mesmo tempo divertido do que uma linda e antiga mansão para servir de cenário para chás de bebê, despedidas de solteiro, comemoração de bodas, festas de empresa, aniversários, casamentos e tudo o mais que a imaginação criar. São tantas as solicitações de data para pequenos eventos que a casa passou a atender o público do Restaurante Magnólia de quintas a domingos, sempre com reserva antecipada e dedica seu espaço nos dias de semana para as comemorações particulares e eventos culturais. Os prazeres da boa mesa Chefiada por Laion Roos, a cozinha do Magnólia está em constante movimento atendendo com maestria o restaurante, o bar, os eventos internos e externos e, na época de fim de ano, também as encomendas para as festas natalinas. O Chef esbanja criatividade, sabor e beleza na utilização de ingredientes regionais, nas criações autorais e nas sobremesas. Com o mesmo estilo um Menu Kids e opções veganas e vegetarianas também estão disponíveis e outras restrições alimentares são atendidas com prazer pela equipe da cozinha. O menu completo e com fotos é sempre atualizado e disponível no site www.magnoliacanela.com.br No Magnólia tudo inspira celebração É preciso voltar várias vezes para desfrutar de todos os ambientes e principalmente ficar ligado nas redes sociais que anunciam os esperados eventos como os shows intimistas para um público máximo de 40 pessoas, que acontecem uma vez ao mês trazendo artistas muito especiais ou os eventuais como a Baladinha da Mag, o Clube do Whisky ou as novidades que surgem a todo momento. O famoso Brunch Banquete, que acontece um domingo por mês, é uma experiência gastronômica imperdível e precisa ser reservado com antecedência. O dia é sempre avisado nas redes sociais e tem início a partir das 11 até as 14 horas. Composto por duas mesas banquetes de doces e salgados, porções quentes, chá, café, espumante, sucos e água… é de tirar o fôlego! Um evento especial para curtir sem pressa. Horários: Quinta e sexta: 19h às 23hSábado: 12h às 14h e 19h às 23hDomingo: 12h às 14h Endereço: Rua Dona Carlinda, 255 – Canela – RS Reservas: www.dguests.com/magnolia Telefone: (54) 3278-0102Instagram: @magnoliacanela
Social da Samanta – 706
Casa Vale Cozinha & Burguer é q novidade gastronômica do Alpen Park comandada por Guilherme Sperry e pela Chef Kris Dietrich Foto: Divulgação O vice-prefeito Luia Barbacovi e a gerente Tatiana Brock nos festejos dos 13 anos do Méqui, em Gramado Foto: Divulgação Prestigiando o Boteco Solidário, Simone Souza, Fernanda Angeli Duarte, Taís Hoffmann e Bruna Oliveira! Foto: Divulgação Letícia Oliveira e Mateus Vasques na formatura repleta de emoções do Prézinho na Escolinha Risque e Rabisque Foto: Divulgação Na última quarta dia 10 a Pedro Gois Corretora de Seguros completou 56 anos de história. Na foto o time da PG que faz tudo acontecer com maestria e comprometimento: Henrique, Pedro Gois, Zé Pedro, Rayane, Juliana, Jeronimo e Margarete Foto: Divulgação
Social da Bina – 706
Danilo Lopes apresentou a Nutrevo, marca de suplementos criada em Gramado Foto: Bina Santos Andreia Coletto abriu sua Maison Exclusiv para os lançamentos da Tonagê Foto: Bina Santos Raquel Borghetti e Giovana Romana também levaram suas marcas para a Maison Exclusiv by Dedé Foto: Bina Santos Natália Negri apresentou seu atelier em Gramado, quando as convidadas puderam apreciar os belíssimos vestidos de noiva, que também fazem parte do portfólio da estilista Foto: Camila Chaves A estilista gramadense Natália Negri com sua cliente Marise Chagas Mocelin conferindo os vestidos autorais Foto: Camila Chaves Ivana Gasparotto e a filha Rafaela Orlandini realizaram um belo evento de Tosquia e Parrilla, no Borgo 28. O local, que faz parte da história de Gramado, é simplesmente encantador com seu charme bucólico Foto: Bina Santos
VIDA LONGA AO LIVRO DE PAPEL
Passado mais um vendaval, todos à Feira do Livro na Praça, nestes últimos dias. Há uma boa programação de encontros, bate papos, música e sempre tem algo a adquirir, das novidades àqueles clássicos que ainda não lemos. E viva o ciclo leia – recomende – troque com algum amigo. Por falar em livros… Quanto mais se fala sobre o fenômeno nocivo da hipnose das telas rolantes de celulares, mais a gente se pega pensando no quanto seria bom poder pegar essa multidão de devoradores destas instantaneidades e colocá-la diante de um livro. Claro que, mesmo na turba que para pra ver as abobrinhas há bons leitores, mas este aspecto ruim destes tempos modernos não inspira uma esperança de melhora. Sem falar na Inteligência Artificial, esse mastigador de conteúdos compilados sabe-se lá de onde, que entrega em menos de um minuto o que deveria ser pesquisado com critérios próprios que cada um de nós tem. Provem-me que a IA não é mais uma barreira a separar livros e leitores que deveriam deixar de ser potenciais. Trocando ideias com meu filho de 20, fruto de uma geração que criou hábitos próprios de leitura, surgem luzes de fim de túnel. Ele cita alguns formatos alternativos, além do insosso e-book, que têm conquistado e ampliado público. Trata-se da apresentação de obras no papel, em formato de mangás e HQs (quadrinhos). Concordando com o ditado “quem só quer o ótimo nunca tem o bom”, vale dar um crédito a estas iniciativas, um passo é melhor que a inércia. A SUBCULTURA DOS MANGÁS O prefixo “sub” parece pejorativo, mas aqui serve para explicar a proliferação, no Brasil, desta forma de arte desenhada japonesa secular. O sucesso do mangá é a alocação de uma cultura oriental, reinterpretada dentro da cultura brasileira. É uma forma de literatura? Há quem negue mas tem como uma virtude revolucionar na formação de leitores. Observe nas bancas de feiras e nas livrarias como há espaços cada vez maiores para estas publicações de leitura “de trás para diante” que combinam narrativas envolventes, personagens humanizados e diversidade temática. Mérito maior dos mangás: despertar o entusiasmo pela leitura, o que poucas políticas nacionais de incentivo conseguem. HQ NÃO É LITERATURA. E DAÍ? De cara, o termo HQ remete a gibis, as histórias em quadrinhos que a cultura americana introduziu em 1894 e que ganharam impulso gigantesco com a Disney a partir da década de 1930. Há um consenso de que HQ não é literatura, o que não é contestado porque ela não precisa estar atrelada a nenhuma outra arte para existir.Hoje há uma variedade de obras que tomaram emprestada a linguagem da arte sequencial (como classificou a HQ um de seus mestres, Will Eisner), e títulos interessantes vão parar nas estantes de muita gente pelo interessante resultado dessa apropriação.Recentemente o escritor paulista Pedro Bandeira (83), conhecido nos bancos escolares pelos clássicos que emplaca há décadas junto aos jovens, festejou o lançamento de seu consagrado e premiado A droga da obediência em história em quadrinhos. Aproveitou para defender as HQs: “O gibi é uma arte especial maravilhosa. Ela induz você a entender a história através dos balõezinhos e prepara você a ler um texto que só tem o texto e não precisa do desenho para explicar. Aí você imagina o que está sendo dito ali.” TI JAGTÃ TAG TY KANHGÁG VI RA RÁN – PARTE 2 Não entendeu? Ficou curioso? Então vá ao espaço da Feira do Livro, na Praça João Corrêa, no domingo (14), às 15h30, para constatar a importância de um fato que começou a ser sacramentado em 19 de setembro passado, honrosamente em Canela. Trata-se da cerimônia de oficialização da tradução da 2ª parte da Constituição Federal para a língua Kaingang, com autoridades do Governo Federal. A ação, promovida pela Advocacia Geral da União com o auxílio da Adicuca – Associação de Difusão Cultural de Canela, visou verter, dentro do Programa Língua Indígena Viva no Direito, a nossa lei máxima para as três línguas indígenas mais faladas no país. A entrega da primeira parte da tradução ocorreu na própria área de retomada Kaingang em Canela (com representantes dos 50 mil indígenas desta etnia), agora será no recinto da Feira do Livro. KAINGANGS dançaram na primeira entrega em setembro. MEMORIAL CANELA Na manhã da quarta-feira (10), a direção e membros da Associação de Desenvolvimento e Preservação da Memória e Cultura de Canela, mais conhecida como “Memorial Canela”, reuniu convidados e imprensa na Pousada do Bosque para relatar as atividades da entidade em 2025, um ano marcado por realizações e apontado, pelo presidente Paulo Drechsler, como sendo o da popularização do Memorial.
De quem é o dinheiro?
Você consegue administrar bem isso em família? Em primeiro lugar temos que quebrar o tabu de falar de dinheiro, pois isto impede de você ter uma boa e clara relação com as finanças. Muitas famílias entram em crise por falta de diálogos sobre o dinheiro, tem a omissão, que gera desconfianças e as discussões. E muitas vezes vão literalmente cavando um poço de dúvidas e dívidas, começam a culpar um ao outro pela situação financeira, e aí vem as discussões e a crise financeira e conjugal se instala. Quando duas pessoas resolvem se unirem para viverem juntas, uma educação financeira, deveria ser uma das prioridades, alinhar como cada um pensa e age com o dinheiro, evitaria muitas dores de cabeça, e desperdício de tempo e dinheiro. Falo com propriedade para você leitor deste assunto, pois vivi estas situações difíceis no meu casamento a nos atrás, e só começamos a crescer financeiramente quando entendemos que o dinheiro “é nosso”, assim como as responsabilidades. Presenciei centenas de situações de famílias, como bancária e agora como mentora e consultora financeira. Muitos problemas financeiros começam com: esconder do conjugue qual é a sua verdadeira renda, fazer compras escondidas, fazer planos e compromissos sem compartilhar e sem ouvir a opinião do outro, ou investimentos “secretos”, e uma série de outros comportamentos, os quais em uma vida a dois não deveriam existir. Muitos casais não entendem por que não prosperam, mas cada um tem a sua vida financeira independente do outro, e muitas vezes cada um começa a trilhar um caminho solo, e vai ficando cada vez mais distante do outro, o cordão que os uniu começa a esticar e uma hora pode até romper. Não percebem que quando somos dois somos mais fortes, caminhamos mais rápido em direção aos nossos objetivos, o que quero dizer com isso é que cada um pode ter sim seus projetos individuais, mas o apoio e a cumplicidade do outro, nos dá um gás para avançarmos, sem falar na paz que isso proporciona. A minha sugestão de como lidar com o seu, o meu e o nosso dinheiro é essa: começar pelo diálogo e a clareza, tanto em valores de receitas e despesas, e dívidas. Mesmo que tenhamos sonhos e objetivos individuais, devemos ter os em conjunto também, e conversar sobre sonhos, os objetivos e planejamentos para realizarmos. Agora trazendo para a prática: dividir as despesas proporcional a renda de cada um, é uma maneira justa de não ficar pesado para ninguém, e os filhos que tem renda própria e residem com os pais, devem sim participar desta divisão proporcional de despesas. Durante a pandemia no banco pude ver muitas famílias ficarem sem ter como se manterem, por não ter uma conta conjunta, então neste quesito, minha sugestão é ter todas as contas em conjunta com o seu conjugue, para uma emergência, mas cada um ter a sua que movimenta individual, para não ter confusão. Por exemplo: eu tenho a minha conta de movimento no banco A, e meu marido movimenta no banco B, mas ambas são conjuntas. Isso falo para as contas da pessoa física, as contas da empresa é outro assunto. Uma família onde há diálogo sobre o dinheiro, e as receitas e despesas são claras, o casal planeja juntos, há cooperação e cumplicidade. Quando compartilhamos sonhos e projetos, as coisas fluem, os problemas ficam mais leves e a vida financeira começa a prosperar.
O Natal do Cansaço!
O filósofo e teórico cultural sul-coreano Byung-Chul Han escreveu uma tese sobre a sociedade do cansaço. Um texto produzido de um lugar tão distante que parece retratar fielmente nossos sentimentos neste final de ano. Estamos exaustos dessas competições intermináveis, sem o menor sentido. A exigência de ter o corpo perfeito, alcançar o sucesso profissional, ser o objeto dos likes de milhares, adquirir bens materiais — inclusive os desnecessários —, entregar o presente de Natal mais caro e “chic”; conquistar o amor, a paixão e a admiração por onde passar e, por óbvio, o mais importante, ganhar muito dinheiro, não importa a que custo. Cabe a pergunta: para quê? O vício no Instagram, no Face, no X e em todos os aplicativos nos tornou escravos de informações desnecessárias e irrelevantes. Ao sair à rua ou entrar na academia, colocamos fones para a alienação completa dos ambientes. Evitamos encontrar vizinhos para não gastar um “bom dia”; quando não evitamos cruzar olhares, permanecemos fixados nas telas dos celulares. Na era da comunicação, ficamos sem palavras, sem gestos e sem expressões… Já não sentimos compaixão e perdemos a capacidade de espanto ou indignação. Seguimos a trilha dos influencers que ditam regras absurdas e desumanas. Não queremos saber de política, de arte, do que se passa na nossa aldeia porque, afinal, preferimos permanecer trancados nas nossas celas — digo, quartos — acompanhados dos cães e gatos, isolados deste mundo que está todo errado. Quanto tempo vamos demorar para procurar tratamento? As relações abusivas são a tônica do momento: adolescentes inertes, insones e dependentes dando as cartas de um jogo que não aprenderam a jogar; adultos, viciados no tigrinho, perdendo a chance de desfrutar aquilo que conquistaram; idosos silenciados pelo abandono, pelos golpes e pela solidão. Tudo isso gera estresse e, sem que ninguém perceba, a única hipótese — a do isolamento — aparece sempre que o fracasso é percebido. O Natal está batendo à porta, e o Menino cujo aniversário deveria ser comemorado, mais uma vez, não será lembrado. Que saudades de um pinheirinho decorado com barba-de-pau e muito amor espalhado no ar.
O Padre poeta
(Historiando…) A Estância da Poesia Crioula é o órgão que congrega os intelectuais tradicionalistas, estimulando os poetas a uma produção de melhor nível literário. Desses convívios, muitos poetas com livros inéditos e de nomes já firmados tomam a iniciativa de editarem seus trabalhos, como no caso do Padre Pedro Luís, sacerdote, biógrafo, poeta lírico e regionalista, que se orgulhava de ter nascido no dia do padroeiro do RS – São Pedro (29 de junho). O Padre Pedro Luís, segundo “Tentos e Loncas” (EPC – Estância da Poesia Crioula), revelou-se um agudo intérprete da paisagem, dos costumes e da história rio-grandenses. Exerceu o sacerdócio em Panambí, foi professor no ginásio de Cruz Alta, dirigiu em Santa Maria o programa radiofônico “A Voz da Medianeira” na rádio Imembuí. Pertencia a diversas entidades culturais nativistas. Mas o assunto é poesia (de sua autoria) … João-Grande “Pescoço esguio, feito mármore que ilude, o joão-grande, lento afronta os descampados. O rústico ermitão dos ermos magoados procura os aguaçais, num vôo de amplitude. Lá pousa, enfim, e fica, escultural e rude, perna encolhida, branca angústia dos banhados, a olhar por horas, sob os céus embriagados, a sua imagem na água anônima do açude”. O piá da estância “Mora um piá em cada estância, / piá de marca primitiva, que na vida, desde a infância, / só vê triste perspectiva. Mártir de aspas e terneiros, / anda sempre em roda viva, com os zainos tafoneiros. Órfão de almas, sem afeto, / sem perfume de linguagem, no galpão está sem teto, / junto aos cães, que não reagem. Come a um canto a vil merenda… / flor crioula da paisagem, / vive à margem da fazenda.” Padre Pedro Luís escreveu Mãe Preta (1933), Cotiabá (1949), Cabiúna (1950), O Monumento (1951), O Gênio do Pampa – poema cíclico do Rio Grande (1958), Pedro Tropeiro – poemeto (1971), entre outros trabalhos como biografias, conferências, etc. Em todos esses trabalhos, uma coisa em comum: versejar sobre o ambiente, a história, os usos e costumes do Rio Grande do Sul… a nossa terra