O filósofo e teórico cultural sul-coreano Byung-Chul Han escreveu uma tese sobre a sociedade do cansaço. Um texto produzido de um lugar tão distante que parece retratar fielmente nossos sentimentos neste final de ano. Estamos exaustos dessas competições intermináveis, sem o menor sentido.
A exigência de ter o corpo perfeito, alcançar o sucesso profissional, ser o objeto dos likes de milhares, adquirir bens materiais — inclusive os desnecessários —, entregar o presente de Natal mais caro e “chic”; conquistar o amor, a paixão e a admiração por onde passar e, por óbvio, o mais importante, ganhar muito dinheiro, não importa a que custo. Cabe a pergunta: para quê?
O vício no Instagram, no Face, no X e em todos os aplicativos nos tornou escravos de informações desnecessárias e irrelevantes. Ao sair à rua ou entrar na academia, colocamos fones para a alienação completa dos ambientes. Evitamos encontrar vizinhos para não gastar um “bom dia”; quando não evitamos cruzar olhares, permanecemos fixados nas telas dos celulares. Na era da comunicação, ficamos sem palavras, sem gestos e sem expressões…
Já não sentimos compaixão e perdemos a capacidade de espanto ou indignação. Seguimos a trilha dos influencers que ditam regras absurdas e desumanas. Não queremos saber de política, de arte, do que se passa na nossa aldeia porque, afinal, preferimos permanecer trancados nas nossas celas — digo, quartos — acompanhados dos cães e gatos, isolados deste mundo que está todo errado. Quanto tempo vamos demorar para procurar tratamento?
As relações abusivas são a tônica do momento: adolescentes inertes, insones e dependentes dando as cartas de um jogo que não aprenderam a jogar; adultos, viciados no tigrinho, perdendo a chance de desfrutar aquilo que conquistaram; idosos silenciados pelo abandono, pelos golpes e pela solidão. Tudo isso gera estresse e, sem que ninguém perceba, a única hipótese — a do isolamento — aparece sempre que o fracasso é percebido.
O Natal está batendo à porta, e o Menino cujo aniversário deveria ser comemorado, mais uma vez, não será lembrado. Que saudades de um pinheirinho decorado com barba-de-pau e muito amor espalhado no ar.









