Como é animador ver o Teatrão lotado! Lembra bons tempos, dá um alento para o futuro. Enquanto não recebe merecida reforma, a mais emblemática casa de espetáculos de Canela vai sediando eventos dentro de suas possibilidades, promovidos pela municipalidade ou por iniciativa da comunidade artística e grupos de simpatizantes da cultura e da educação. Na cidade dos históricos esforços para ser reconhecida pela natureza ímpar e pela cultura arraigada, um evento e um fato literário marcam esse início de outubro. ASSOCIAÇÃO DOS PROPRIETÁRIOS DO RESERVA DA SERRA PROPORCIONA ESPETÁCULO Na tarde da quarta-feira (8), o Teatro Municipal de Canela voltou a ser palco de alegria e encontro. Mais de 600 alunos da rede municipal participaram do espetáculo Abracadabra Magic Show, viabilizado pelo Fundo de Apoio Social da Associação de Proprietários do Reserva da Serra, com apoio da Prefeitura e da Secretaria Municipal de Educação. O evento integrou as comemorações da Semana das Crianças e foi marcado por um ambiente de encantamento e integração. Para muitos estudantes, foi o primeiro contato com um espetáculo artístico. “Ver centenas de crianças felizes, vivenciando a magia de um espetáculo no teatro, é a maior recompensa para nós, da Associação. Esse momento reflete o resultado de um trabalho construído por muitas mãos. Foi um evento lindo, marcado pelo envolvimento de todos em torno do mesmo objetivo: proporcionar uma experiência única e inesquecível para essa criançada”, comentou Rita Leidens, presidente da Associação de Proprietários do Reserva da Serra. Além da apresentação do Abracadabra Magic Show, com o mágico Mateus Di Macedo, os estudantes foram presenteados com o livrinho para colorir Amiguinhos do Reserva – publicação em que são apresentadas algumas das espécies da fauna presente nos 18 hectares da área de preservação ambiental junto ao tradicional condomínio de Canela. O prefeito Gilberto Cezar e o vice-prefeito Gilberto Tegner prestigiaram o evento, que contou com a presença das escolas Santos Dumont, Zeferino José Lopes, Machado de Assis, Balduíno, Rodolfo Schilieper, Adolfo Seibt, Noeli Azevedo, Santa Terezinha, Severino Travi, Bertholdo Oppitz, Dante Bertoluci, Ernesto Dornelles, João Alfredo, Barão do Rio Branco e Cônego João Marchesi. A ARTE DE CANELA, CONTADA POR UMA PROTAGONISTA Nos últimos anos, falar de teatro em Canela remete à figura de Lisiane Berti. Batalhadora da arte, empresta sua expertise para aprendizes que a procuram para aprender, não só o caminho das pedras do palco, mas a se darem bem na vida melhorando oratória e perdendo a inibição. Lisi tem sido responsável, também, por acontecimentos teatrais que fazem o Teatrão viver bons momento. Pessoa a quem também a comunidade agradece, a atriz e dramaturga está lançando a obra “A História do Teatro em Canela” com absoluto conhecimento de causa. Resultado de cinco anos de pesquisas, a obra reúne entrevistas, relatos de artistas, organizadores e espectadores, além da digitalização de acervos que preservam momentos marcantes da cena cultural da cidade. O livro está estruturado em três atos, numa dramaturgia que reflete a própria vida do teatro: Primeiro Ato – das décadas de 1920 a 1980, período de formação, grupos pioneiros e movimentos culturais que abriram caminho na cidade; Segundo Ato – os grandes festivais que projetaram Canela no cenário artístico; Terceiro Ato – atualidades, depoimentos e memórias, em uma narrativa que conecta passado e presente para ressignificar e resguardar nosso maior legado: o teatro. Dezenas de pessoas envolvidas com o teatro em Canela deram, em conversas com a autora, preciosas colaborações para o sucesso do livro. É a própria Lisi quem melhor resume o sentimento de ter feito um bom trabalho: “‘A História do Teatro em Canela’ é um convite à memória viva da cidade e ao reconhecimento de gerações que mantiveram acesa a chama da arte cênica e, quando uma comunidade decide contar sua história teatral, ela não olha apenas para trás. Ela afirma, em uníssono: ‘nós existimos, nós criamos, nós resistimos’. É assim que a memória se torna futuro e o patrimônio ganha vida, sempre pronto a se renovar, como a cortina que se abre para o próximo ato”. O lançamento de “A História do Teatro em Canela” acontece na sexta-feira, 10 de outubro, às 18h30min, no Cidica (Centro Integrado de Desenvolvimento e Inovação de Canela), com distribuição gratuita de exemplares em todas as escolas, entidades, órgão públicos e interessados na história do teatro canelense que moldou uma época. Após o evento, que terá também bate papo e exposição, o livro estará disponível no Departamento de Cultura de Canela, também de forma gratuita.
Uma Saborosa Viagem à Gastronomia Árabe
No centro de Canela, próximo à Catedral de Pedra, o novo restaurante O Libanês das Arábias tem despertado os sentidos e encantado os visitantes. Inaugurado em 19 de julho de 2025, o espaço não é apenas uma casa de refeições – é um portal para a cultura e as tradições milenares do Oriente Médio, conduzido com paixão e autenticidade por seu proprietário Alexandre Chemale.A culinária libanesa, conhecida por seus sabores intensos e equilibrados, ganha vida no Libanês com um preparo minucioso que respeita os segredos de família e as técnicas ancestrais transmitidas ao longo de gerações. O aroma envolvente dos temperos, a textura impecável dos alimentos e a apresentação refinada revelam um cuidado artesanal que transforma o ato de comer em uma experiência sensorial completa. Cada prato servido no Libanês das Arábias é uma celebração da memória, da técnica e do afeto. Da cozinha saem apetitosos Shawarmas, Kibes, Falafel, Chancliches, Esfihas e combos especiais preparados de acordo com as preferências do cliente. Mais do que uma refeição, visitar o restaurante é mergulhar em uma atmosfera rica em história, tradição e hospitalidade.A história do restaurante é inseparável da trajetória da família de Alexandre Chemale. Em 1900, os bisavós paternos, Taufic e Dibe, desembarcaram no Brasil vindos do Líbano, trazendo na bagagem esperança, sabedoria e os sabores de sua terra natal. Décadas depois, seu avô Farid e sua esposa Lygia, neta de alemães, mantiveram viva a tradição culinária libanesa nas festas familiares, perpetuando os ensinamentos dos ancestrais. Essa miscigenação étnica moldou a identidade de Alexandre, que cresceu entre os aromas da comida árabe e os valores das culturas árabe e alemã. Os almoços e jantares festivos em família foram sua escola afetiva, onde aprendeu que uma mesa farta é sinônimo de felicidade. Durante a infância e adolescência, a convivência com pais, irmãos, tios e primos em celebrações regadas a alegria e comida boa, somada à experiência adquirida no restaurante Árabe Scarabee de Porto Alegre, ao lado do pai e dos primos Breno e Rosinha, despertou em Alexandre o prazer de acolher e servir. O Libanês das Arábias de Canela é a materialização desse legado. Se você busca viver algo verdadeiramente único, prepare-se: o Libanês das Arábias é uma viagem ao coração do Líbano, guiada por sabores autênticos e uma história de amor à tradição e cada visitante é convidado a fazer parte dessa celebração. Da decoração ao atendimento acolhedor, cada detalhe foi pensado para transportar o visitante ao mundo árabe despertando sentidos, memórias e emoções. O Libanês das Arábias Segunda a Sábado: 11h45 às 22hDomingo: 11h45 às 20hRua Borges de Medeiros, 815 – Canela – RS(51) 99930 6969@olibanesdasarabias O caderno especial Nova Gastrô pode ser encontrado gratuitamente em qualquer um dos restaurantes abaixo ou na sede do Nova Época:
Social da Samanta – 697
Regis e Maria Luiza Corrêa, Erna e Luiz Fernando Corrêa, Paula Krause Corrêa Severo e a pequena bisneta Marina na celebração dos 120 anos do nascimento de Anita Franzen Corrêa Foto: Divulgação As gurias do Happy Wine, Karen Dinnebier, Fernanda Chies e Bianca Carneiro receberam a personal chef Fernanda Schoeler no programa desta semana Foto: Divulgação Letícia Pimentel, especialista em cílios, faz parte da equipe do Helluz Studio de Beleza Foto: Samanta Vasques João Richa em Tóquio na premiação dos melhores do ano da XP Investimentos Foto: Divulgação Grazi Franzen e Nathalie Biss celebram mais uma Festa na Rua do Containner Foto: Paula Vinhas Carla Leidens reúne chefs brasileiros em Madrid no Chefs on Fire, evento português que logo chega ao Brasil. No registro Cadu Evangelista, Mohamad Hindi, Gabriela Monteleone, Helena Camarero e Sofia Santos Foto: Divulgação
Social da Bina – 697
Janete Heberhard do Studio de Beleza Helluz, em Canela. Ela é quem cuida das madeixas e das unhas das clientes Foto: Deborah Mazzocchi HALLOWEEN NO MAG O restaurante Magnólia, em Canela, se prepara para mais uma noite de Halloween no dia 1º de novembro. A mansão da década de 50, no centro da cidade, promove a 4ª edição do evento que já virou tradição no calendário da região. FESTIVAL DE GASTRONOMIA Abriu ontem e conta com 12 restaurantes, dois espaços de vinhos, uma área para cervejarias artesanais, uma ilha de drinks e um espaço de café com a primeira torrefação de Gramado, tudo isso no espaço criado para o evento no Lago Joaquina Rita Bier, com entrada gratuita. AGENDA CHEIA A cultura é um dos pilares do evento, com mais de 100 atrações confirmadas. O público poderá desfrutar de 50 apresentações teatrais, 34 atrações musicais, aulas-show com o Senac Gramado, oficinas com a UCS Campus Hortênsias e o Sebrae, além de apresentações de danças típicas. Para os amantes da alta gastronomia, Festins exclusivos serão realizados nos restaurantes Casa Lugano e Primrose. O evento terá ainda Concurso de Melhor Chef, Corrida de Garçons e Garçonetes e chefs renomados convidados. Grazi Franzen recebeu clientes e amigos em mais uma Festa na Rua no Containner Bistrot Foto: Paula Vinhas Angelita Ecker com Cátia Vecchio, Maria Tissot, Geneci Ecker e Aldina Manea que assinam o Menu Piatti delle Nonne. Ação que vai ter parte da renda revertida para Liga Feminina de Combate ao Câncer Foto: Divulgação Osmar Nunes e Mildred Nunes também prestigiaram a Festa na Rua do Containner Foto: Paula Vinhas Dra. Melissa Accordi Braganholo e o filho Matheo com o mascote Simba curtindo a Festa na Rua, um evento que é feito para todo mundo Foto: Paula Vinhas
AS HORTÊNSIAS SEMPRE VOLTAM
Ex-Rainha das Hortênsias Iraci Casagrande Koppe, com Marta RossiFoto: Gustavo Mirolli Junto com a primavera, está florescendo em Gramado um movimento de resgate de uma das belezas naturais da região. Bela ideia de quem a idealizou e de quem vai tocá-lo adiante, o Projeto Hortênsias pode servir de exemplo para que os municípios vizinhos adotem ações semelhantes. É injusto que a hortênsia – faça-se justiça, hoje mais abundante em Gramado e suas cercanias do que em Canela – passe a ser parte do nosso imaginário, das nossas melhores memórias, quando é uma planta que poderia voltar a ocupar mais espaços e a enfeitar o nosso cotidiano. É sabido que as prefeituras promovem plantios, mas uma simples iniciativa de plantar, que seja, dois ou três pés de hortênsias por todos que tiverem alguma área verde, seria um apoio cidadão à ressurreição da Cidade das Hortênsias. Muda vingada, é uma planta resistente ao frio e que dura décadas. Vejam nas estradas, como na icônica chegada a Gramado via Nova Petrópolis, que mesmo sem manutenção elas resplandecem na chegada do verão. Mantê-las em tamanho menor, nos jardins, exige algum cuidado, poda, nada impossível (leia o que diz o Seu José, no box abaixo). Quem gosta da ideia, levante o braço! PROJETO BONITO COMO A FLOR Há tempos a empresária gramadense Beatriz Gehlen queria apresentar à Marta Rossi a ideia, ou desejo, ou proposta enriquecedora, de reavivar na comunidade o amor pelas hortênsias, flor que dá nome à região. Sabia que a sua amiga era a indicada para catalizar esforços para tal, Marta é uma mulher de resultados. Surge então o projeto Hortênsias, apresentado à imprensa no dia 29 de setembro no Hotel Bavária. Como muitas mãos e cabeças fazem mais, foram convidadas 14 personalidades para apadrinhar a iniciativa, que irá além do plantio de mudas. Vai-se recultivar a estima pelas hydrangeas, sendo um dos pilares do projeto a intregração com a rede de ensino da cidade. Porque os alunos, em casa, são multiplicadores do que aprendem, engajam a família e a roda gira. Também está previsto oficinas e distribuição de material didático. Colocando a hortênsia na posição de destaque que ela merece, o lançamento oficial do Projeto Hortênsias (idealizado por Beatriz Gehlen, com curadoria de Luciana Thomé e realização da Rossi & Zorzanello), está programado para ocorrer durante o 37º Festuris – Feira Internacional de Turismo, em novembro, dentro do exclusivo Espaço Luxury. UM CONHECEDOR DO ASSUNTO José Diamantino da Silva (73), responsável pelo ajardinamento da grande propriedade do Bavária Sport Hotel, em Gramado, trabalhou por décadas manuseando o vime, fabricando de cestos a berços com as varas flexíveis cujos produtos marcaram o artesanato de Canela e Gramado. Trabalhando agora no paisagismo, dentre as plantas às quais ele se dedica está a hortênsia. Há poucos dias, plantou no hotel 300 mudas. Fomos colher (perdão!) com José algumas dicas sobre a flor: Após o sol de verão “queimar” a hortênsia, faça a poda cortando os galhos um palmo abaixo da flor. O pé produzirá flores já no ano seguinte. • Limpe a área onde estão os pés plantados e aproveite para recolher mudas, cortadas em tamanho de um palmo ou dois. • Replante as mudas, para criar raízes, até o momento do plantio definitivo. • Pode-se fazer mudas de pés inteiros abandonados há dois ou três dias. • Se quiser hortênsias dispostas em linha, plante uma muda a cada palmo e meio. • Se quiser que sejam touceiras “cheinhas”, plante três mudas juntas, uma delas pode ser trançada. • Enterrar, junto com as mudas, alguns pregos enferrujados e Bombril velho vai ajudar a gerar hortênsias cor-de- rosa. Beatriz Gehlen tem saudade da Gramado repleta de hortênsiasFoto: Gustavo Mirolli José Diamantino da SilvaFoto: Claiton Saul DE KOMBI NO MUNDO – XXVIII Guillermo Gama (35) é um uruguaio de Montevidéu que leva, na Kombi 1971 movida por adaptado motor de Toyota Corolla diesel, um sem número de apetrechos para desenvolver suas múltiplas atividades. Além de material para fazer seu artesanato, ele, que é músico de hip hop, muralista e engenheiro de som, carrega uma aparelhagem para trabalhar também de DJ. Viaje-se com um barulho destes! Gama planeja suas jornadas para ocorrer a bem longo prazo. Partiu de La Paloma (UR) em março de 2023, daqui da Serra foi ao Litoral e planeja ficar em Florianópolis por todo o próximo verão. Depois, “arriba” para Minas e pretende ficar um tempo na Bahia, mas isso lá em 2027. Vai trabalhando nos pontos de parada e vivendo, na companhia de gente e seu cão. Acompanhe sua jornada no Instagram- @gamaventuras MEMORIAL CONVIDA Quarto dos seis eventos temáticos programados pela Associação Memorial Canela para 2025, “A imprensa escrita de Canela” será o tema do próximo Encontros com a Memória, que acontecerá às 19h do dia 17 de outubro, sexta-feira, no Espaço Sicredi João Pessoa. Participarão representantes das publicações Sentinela, Nova Época, Integração, Folha de Canela e Jornal de Canela. A iniciativa ocorre no Espaço Sicredi João Pessoa, é gratuita, aberta ao público, têm patrocínio do Fundo Social Sicredi e apoio da Dauper e da Água Mineral Hortênsias.
Sabores da Borgonha
Caro leitor, Vou iniciar aqui uma viagem enogastronômica, uma paixão que deu origem ao nosso Menu Roteiros do Mundo. Vou precisar ser sucinta: há muito a ser dito sobre regiões tão encantadoras de se percorrer. Começando pela famosa região da Borgonha (Bourgogne), uma das mais importantes da vitivinicultura na França, dividindo espaço apenas com Bordeaux, embora suas diferenças sejam significativas e representem estilos de vinhos completamente distintos. Na Borgonha encontramos os Domaines, pequenas propriedades vitivinícolas de gestão familiar. Seus vinhos, amáveis e delicados, são geralmente monovarietais — produzidos a partir de uma única casta, ou predominância significativa dela. Nesse sentido, a região se destaca pela especialização de seus vinhedos. Os tintos são elaborados a partir da Pinot Noir e, em menor quantidade, da Gamay; já os brancos, apenas com a uva Chardonnay. Os curiosos do mundo do vinho certamente já ouviram falar no Romanée-Conti, uma verdadeira lenda — o vinho mais emblemático e um dos mais caros do mundo. Produzido na sub-região de Côte de Nuits pelo Domaine de la Romanée-Conti, onde 100% das uvas são cultivadas em apenas 1,8 hectare, resultando em 4 a 6 mil garrafas por ano, apenas! Isso explica seu inestimável valor. No leilão de Hong Kong, em 2011, uma caixa dessa preciosidade foi arrematada pela bagatela de US$ 297 mil, custando assim US$ 25 mil a garrafa. Mas a Borgonha é também a região dos famosos Chablis, onde encontramos a principal rota de Grands Crus do mundo, entre Dijon e Beaune — uma rota encantadora a se percorrer. Bom, não há como falar de uma região tão importante do mundo dos vinhos sem mencionar sua excelente gastronomia. A Borgonha é considerada a capital gastronômica da França. São 48 restaurantes listados no Guia Michelin, sendo 10 deles estrelados e, o mais importante, o grande La Côte d’Or, legado do restaurateur Bernard Loiseau, merecedor da máxima honraria Michelin — três estrelas, sem nunca ter perdido uma sequer, mas que acabaram sendo responsáveis por seu trágico fim. Em 2003, um colunista do Le Figaro, François Simon, publicou rumores de que Bernard perderia ao menos uma de suas tão apreciadas estrelas. Mergulhado numa depressão profunda, Bernard suicidou-se em 24 de fevereiro do mesmo ano. Sim, uma triste história, mas que serviu de inspiração para as telonas do cinema. No filme Ratatouille, o chef Auguste Gusteau, antigo dono do restaurante onde a trama se passa, morre de tristeza ao imaginar que a avaliação Michelin lhe tiraria uma de suas estrelas. Ele vive como uma lembrança na mente de Remy, um ratinho que sonha em ser um grande chef e que o tem por ídolo. Com tamanha importância, a Borgonha é berço de grandes nomes da gastronomia. Emmanuel Bassoleil escolheu o Brasil, e é por aqui que esbanja seu talento. Nascido em uma cidadezinha chamada Auxonne, localizada a 32 km de Dijon, foi lá que desenvolveu seu gosto e talento pela cozinha. Em Paris, junto aos irmãos Troisgros e outros estrelados da Cidade Luz, refinou sua habilidade. Foi também a família Troisgros que o trouxe ao Brasil, iniciando sua jornada em solo brasileiro à frente do Roanne, em 1987, restaurante do nosso querido Claude Troisgros. Por ser a capital gastronômica da França, a Borgonha exportou ao mundo o famoso Boeuf Bourguignon, uma carne dura, cozida no vinho até que fique bem macia. Essa receita ganhou ainda mais fama com o filme Julie & Julia, onde Julie, buscando um sentido para a vida, decide protagonizar um blog cujo desafio era reproduzir as 524 receitas de Julia Child em 365 dias. Julia foi uma das primeiras mulheres a se destacar no universo masculino da culinária; aluna e professora da renomada escola francesa Le Cordon Bleu, escreveu livros de receitas francesas para mulheres americanas. Esse filme é bom demais! Continuamos na próxima coluna e, como sempre, Bon appétit!
O valor de saber delegar
“Não é que tenhamos pouco tempo, é que perdemos muito dele.” A frase, escrita por Sêneca há quase dois mil anos, soa incrivelmente atual — especialmente quando pensamos em como usamos o tempo para cuidar daquilo que realmente importa. No mundo dos investimentos, essa reflexão é ainda mais pertinente: tempo é o ativo mais poderoso que existe, e desperdiçá-lo tentando fazer tudo sozinho costuma sair caro. Antes de continuar, deixe que eu me apresente. Meu nome é Rafael Biancamano, sócio do Escritório Black em Porto Alegre. Hoje tenho o prazer de substituir o João, que está no Japão participando de uma viagem de premiação com o time da XP — reconhecimento merecido por estar entre os Top 20 Assessores da instituição. Enquanto ele vive essa experiência do outro lado do mundo, aproveito o espaço para compartilhar uma reflexão que tem tudo a ver com o sucesso — seja nos negócios, na vida pessoal ou nos investimentos. Vivemos numa era em que todos se orgulham de “dar conta de tudo”. Queremos gerir o negócio, cuidar da saúde, acompanhar os filhos, estudar, investir, e ainda encontrar tempo para respirar. Mas, no fim, quem tenta abraçar o mundo quase sempre acaba exausto e com resultados medianos. Na última semana, durante um evento realizado aqui em Porto Alegre pelo Instituto Caldeira, tive a chance de assistir de perto ao fundador da XP, Guilherme Benchimol, comentar sobre a importância de saber delegar e concentrar energia no que realmente gera resultado. Parece simples, mas é o que separa quem cresce de quem vive apagando incêndios. Em investimentos, o erro de querer controlar tudo é mais comum do que parece. O empresário que tenta acompanhar o mercado entre uma reunião e outra, o profissional liberal que deixa o dinheiro parado por falta de tempo, ou o investidor que decide fazer tudo sozinho acabam cometendo o mesmo equívoco: confundir controle com eficiência. Delegar não é abrir mão do controle. É agir com inteligência. É entender que o seu tempo vale mais quando está dedicado ao que você faz melhor. Assim como um bom líder constrói uma equipe de confiança, o investidor também precisa de um time que entenda do jogo. É aí que entra o papel da assessoria de investimentos: transformar boas intenções em estratégia, com método e constância. Ouvi certa vez uma comparação que gosto muito: investir sozinho é como pilotar um avião e servir o café ao mesmo tempo. Você até pode tentar, mas vai errar em alguma das funções — e provavelmente nas duas. Delegar é garantir que o voo siga estável enquanto você cuida do destino. Muita gente acha que pedir ajuda é sinal de fraqueza. Mas é exatamente o contrário: é sinal de maturidade e inteligência. Saber delegar é reconhecer o próprio limite e, ao mesmo tempo, multiplicar o alcance dos resultados. Nenhum grande empresário, atleta ou líder chegou ao topo sozinho. Todos entenderam o valor de confiar em especialistas. No fim das contas, cuidar bem do dinheiro tem menos a ver com entender tudo de economia e mais com escolher bem quem está ao seu lado. Um bom assessor existe para simplificar decisões, otimizar o tempo e garantir que o foco permaneça onde realmente importa. O sucesso raramente é obra de uma só pessoa. Ele é resultado de boas decisões — e, sobretudo, de boas parcerias. Quando você escolhe delegar, não está abrindo mão do controle, mas potencializando resultados. Afinal, o tempo que você economiza tentando fazer tudo sozinho é o mesmo tempo que pode ser investido no que realmente faz o seu patrimônio crescer.
Transformando Ingredientes em Memórias: A Essência do Chef de Cozinha
Ir a um restaurante é, para muitas pessoas, muito mais do que saciar a fome — é viver uma experiência. Nesse cenário, o chef de cozinha desempenha um papel central, muitas vezes invisível aos olhos do cliente, mas essencial para que cada refeição se transforme em um momento especial. O chef não é apenas quem prepara pratos, mas o profissional que une técnica, criatividade e sensibilidade para transformar ingredientes em experiências memoráveis. É ele quem define o cardápio, seleciona os insumos, organiza a cozinha e garante que cada detalhe esteja em harmonia. O resultado é uma refeição que envolve todos os sentidos — sabor, aroma, textura e apresentação — despertando emoções que remetem a lembranças da infância, a viagens ou a momentos de celebração. Mais do que artista, o chef é também guardião da saúde e do bem-estar, assegurando práticas corretas de higiene e respeitando restrições e escolhas alimentares. Além disso, é um verdadeiro embaixador cultural: cada prato servido conta uma história, preserva tradições e apresenta novas perspectivas sobre a gastronomia. Em um mercado competitivo, o chef também exerce forte impacto econômico. Sua reputação e criatividade atraem clientes, fidelizam públicos e agregam valor ao restaurante. Ao mesmo tempo, sua atuação educativa amplia o repertório gastronômico das pessoas, incentivando a valorização de ingredientes e a descoberta de novos sabores. Assim, o chef de cozinha vai muito além do preparo de refeições. É ele quem cria memórias, transmite cultura e proporciona experiências que tornam a ida a um restaurante algo inesquecível.
O Efeito Kempinski
Nesta semana, com o anúncio, por parte da empresa Opus, da construção de um teatro dentro do Hotel Kempinski Laje de Pedra, consolidou-se em minha mente uma certeza: Canela será outra cidade após a inauguração deste empreendimento. Fica claro que o objetivo do projeto é muito mais ambicioso do que simplesmente construir, em Canela, um dos hotéis mais luxuosos do Brasil e da América do Sul. Parece evidente, na mente de seus idealizadores, que não basta apenas oferecer as melhores e mais modernas instalações hoteleiras — é preciso proporcionar a seus hóspedes e proprietários um ecossistema de luxo. Esse movimento contínuo de criação desse ecossistema é perceptível desde o lançamento do projeto do hotel. Começou com a criação de um espaço de gastronomia de alto padrão, o restaurante 1835; prosseguiu com a orquestra e seus espetáculos; evoluiu para a curadoria dos vinhos; e agora dá mais um passo gigantesco ao fechar uma parceria que colocará Canela no mapa dos grandes eventos artísticos e culturais. José Ernesto e seus sócios entenderam que, para criar um negócio de luxo sustentável, é necessário transformar fatores únicos da nossa cultura em produtos que despertem o desejo desse público. Basta visitar o espaço e assistir ao vídeo de apresentação do empreendimento para perceber que o Rio Grande do Sul e a cultura gaúcha ocupam um lugar central no conceito do Kempinski para a Serra Gaúcha. Canela está no centro desse processo e, se soubermos aproveitar, poderemos também revolucionar nosso turismo, oferecendo produtos e experiências que dialoguem com um turista disposto a gastar, apenas em hospedagem, cerca de 600 dólares por dia. Imagine, leitor, o mundo de oportunidades! Penso que nossa cidade e as entidades empresariais precisam voltar seus olhos para esse movimento, criar uma sinergia com a operação do Kempinski e tirar proveito disso. Pensando nisso, na próxima terça-feira, dia 14/10/2025, um dos sócios do Grupo Kempinski, José Ernesto Marino Neto, dará uma palestra no CIDICA, intitulada “O Futuro do Turismo de Canela”. Acredito que todos aqueles que queiram “surfar” essa onda de luxo, que já chegou a Canela, deveriam comparecer e ouvir um pouco sobre as ideias e o pensamento de um dos mentores por trás deste projeto fantástico!
Trava-línguas, parlendas, brincadeiras!
(Quem cochicha, o rabo espicha…!) Com a proximidade do Dia da Criança, lembramos as parlendas e os trava-línguas da infância de todos nós. Elas, mesmo sem o notarmos, ainda despertam uma certa nostalgia que nos remete àqueles tempos… Essas, e outras brincadeiras, eram comuns no dia a dia de várias gerações, e muitas ainda nos acompanham, por mais que sigamos em frente. Em especial os “trava-línguas”, quando geralmente era pedido: “diga correndo”, “fale bem depressa”, “repita três vezes”, etc… Que tempos, seu! “Olha o sapo dentro do saco. O saco com o sapo dentro. O sapo batendo o papo e o papo soltando vento”. “A chave do chefe Chaves, está no chaveiro”. “Iara amarra a arara rara. A rara arara de Araraquara”. “O peito do pé do negro Pedro, é preto”. “No vaso tinha uma aranha e uma rã”. A rã arranha a aranha e a aranha arranha a rã” “Bagre branco, branco bagre”. “Aranha, ararinha, ariranha, aranhinha”. “Quando toca a retreta na praça repleta, Se cala o trombone, se cala a trombeta”. “Tigelinha de água fria, que caiu da prateleira, Foi nos olhos de Maria, que chorou segunda-feira”. “O tempo perguntou pro tempo, quanto tempo o tempo tem; o tempo respondeu pro tempo, que o tempo tem tanto tempo, quanto tempo o tempo tem”. “Embaixo da pia, tem um pinto; quando a pia pinga, o pinto pia!” Repita rápido, várias vezes (se puder!): “Porco preto, toco crespo…”. E essa, então? “Quem cochicha, o rabo espicha… Quem reclama, o rabo inflama… Quem se importa, o rabo entorta…”. Realmente, que tempos! Difícil imaginar nos dias de hoje, tais brincadeiras numa fria noite de chuva, ao redor do fogão. Vários autores se debruçaram na pesquisa dessas preciosidades, entre eles Câmara Cascudo em seu Dicionário do Folclore Brasileiro, onde vemos muitas manifestações que falam da cultura, dos usos e costumes de muitos povos, como vemos aqui no Rio Grande do Sul… a nossa terra!