Um mês para valorizar a vida

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Setembro é o mês dedicado aos cuidados da saúde mental e à conscientização sobre a prevenção do suicídio. O movimento busca valorizar a vida. A cor amarela é usada mundialmente como referência direta ao 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. A campanha Setembro Amarelo foi idealizada ainda no final de 2014 por diversas entidades, entre elas o Centro de Valorização da Vida (CVV), mas teve sua primeira edição em 2015. O CVV é uma das ONGs mais antigas do país. Fundado em São Paulo em 1962, atua no apoio emocional e na prevenção do suicídio por meio de telefone, chat e e-mail. Hoje, 3.500 mil voluntários, em cerca de 100 postos, prestam serviço voluntário e gratuito 24 horas por dia, nos 365 dias do ano, aos que querem e precisam conversar sobre seus sentimentos, dores e descobertas, dificuldades e alegrias. Em 2025, o CVV apresenta a campanha com o tema “Conversar pode mudar vidas”. Conforme especialistas, entre as estratégias e práticas eficazes para melhorar a saúde mental está a prática de exercício que libera endorfinas, hormônios que ajudam a melhorar o humor e reduzir o estresse. Por isso, priorizar o autocuidado, reservando tempo para atividades que proporcionem prazer e relaxamento, como hobbies, exercícios físicos, meditação ou momentos de lazer, é fundamental para uma boa saúde mental, além de outros hábitos.

A Prefeitura de Canela, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, está realizando uma ampla programação alusiva ao Setembro. São oferecidos atendimentos de saúde mental em vários pontos da rede psicossocial do SUS. Conforme a coordenadora da Saúde Mental em Canela, Tânia Aguiar, o município dispõe de equipe de saúde mental na Atenção Primária composta por psicólogos e assistente social, que acolhem situações de crianças, adolescentes, adultos e idosos em casos considerados de fragilidade emocional e de baixa complexidade. Nos casos mais graves há acolhimento pelo Centro de Atenção Psicossocial (Caps) e, se necessário pelo Hospital de Caridade de Canela (HCC). “Estamos inseridos em vários setores da comunidade, com o objetivo de proporcionar a prevenção à saúde mental, gerando mais qualidade de vida a todos”, destaca Tânia.A Saúde Mental trabalha com promoção de saúde, através do Programa Saúde na Escola, que atua nas Escolas Municipais de Canela, com a realização de oficinas em saúde mental para professores e alunos


CUIDADO EM LIBERDADE

De acordo com a coordenadora do Caps, Janine Palodetti, dentro da política nacional do SUS, o Caps é um dispositivo da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), especializado em Saúde Mental, que preconiza o cuidado em liberdade, através de intervenções que buscam evitar isolamento ou internação, promovendo a reinserção social do paciente. “O termo ‘cuidado em liberdade’ refere-se a uma abordagem de atenção humanizada, acolhedora e integrada à vida do indivíduo, onde devem ser oferecidas estratégias e intervenções de tratamento que não estão centradas apenas na medicalização do sofrimento ou na segregação social, mas, sim, na construção de um projeto de vida onde a pessoa potencialmente possa ser alguém, além da doença”, explica Janine.


ATENDIMENTO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA

O psicólogo Dhones Stalbert Nunes da Silva é um dos profissionais que atende os pacientes na ponta, ou seja, presta aquele primeiro auxílio na Unidade Básica de Saúde. Ele atua nas UBSs Canelinha e Central e afirma que o perfil dos pacientes geralmente é diverso, desde crianças até idosos, mas que a maior demanda costuma ser de adolescentes e adultos jovens. “São pessoas que chegam até nós em sofrimento mental por diferentes motivos e nosso trabalho é fazer com que eles ressignifiquem esse sofrimento”, diz Dhones.

O psicólogo da atenção primária de Canela relata que o perfil dos pacientes atendidos no município tem algumas características próprias, em parte pela cultura local de trabalho e o custo elevado de vida, o que as faz, muitas vezes, enfrentarem jornadas muito longas com pouco ou nenhum lazer, o que é prejudicial à saúde mental. “A rede de atenção psicossocial busca combater o adoecimento da população através da conscientização para a importância do cuidado que cada um deve ter com suas emoções”, destaca Dhones.

Ele informa que atende a 120 pacientes/mês, mas esse número pode variar dependendo da época do ano. Uma das principais estratégias do seu trabalho, conforme relata o psicólogo, é mostrar a essas pessoas que o autoconhecimento é poder e que pedir ajuda não é uma fraqueza, mas torna mais rápido e digno o caminho para sair da situação de sofrimento. “Por isso, também, a participação das famílias é tão importante, para que essas pessoas não se sintam sozinhas”, destaca.


DICAS PARA CUIDAR DA SAÚDE MENTAL

Adote uma alimentação saudável: Uma alimentação balanceada, rica em vegetais, frutas, grãos integrais, proteínas magras e gorduras saudáveis, fornece os nutrientes essenciais para o cérebro funcionar bem.

Tenha boas noites de sono: Dormir o suficiente e com qualidade é fundamental para a saúde mental. É durante o sono que o organismo se recupera do estresse diário e faz ajustes essenciais no cérebro, consolidando memórias e regulando emoções.

Pratique exercícios físicos regularmente: A atividade física é uma das práticas mais simples e eficazes para melhorar a saúde mental. Exercitar-se libera neurotransmissores e hormônios do bem-estar (como endorfinas e serotonina) que atuam diretamente no humor, reduzindo o estresse e a ansiedade.

Experimente meditação e técnicas de mindfulness: Meditação, mindfulness (atenção plena) e outras técnicas de relaxamento mental são práticas simples que trazem grandes benefícios para a saúde emocional.

Cultive conexões sociais e apoio emocional: Relacionamentos saudáveis são um ingrediente essencial para a saúde mental. Reservar tempo para conviver com família, amigos e comunidade traz um senso de pertencimento, apoio e propósito que nos ajuda a enfrentar melhor o estresse.

Pratique a gratidão e o pensamento positivo: Pode parecer simples, mas adotar uma atitude de gratidão no dia a dia traz benefícios reais e mensuráveis para a saúde mental. A ideia não é ignorar problemas e, sim, dedicar alguns minutos para reconhecer coisas boas (por mais simples que sejam) e valorizar aspectos positivos da vida.

Evite o abuso de álcool e outras substâncias: Cuidar da saúde mental também envolve evitar hábitos que possam prejudicá-la, e aqui entra o alerta sobre álcool e drogas. O consumo exagerado de álcool pode ter efeitos nocivos sobre o equilíbrio emocional.


CONTATOS DOS SERVIÇOS

Centro de Valorização da Vida (CVV) – Disque 188

Caps – Rua São Francisco, 180, Centro, (54)3282-5159

UBS São Luiz – Rua Cézar Pedro Raymundo, 48, Bom Jesus, (54) 3282-5115

UBS Canelinha – Rua Adalberto Wortmann, 20, Canelinha, (54) 3282-5116

UBS Santa Marta – Rua Primeiro de Janeiro, 909, Santa Marta, (54) 3282-5115

UBS Leodoro Azevedo – Rua Tio Elias, 385, Leodoro de Azevedo, (54) 3282-5117

UBS Central – Rua Sete de Setembro, 340, Centro, (54) 3282-5119


A saúde mental e a prevenção

Durante o Setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção do suicídio e conscientização sobre saúde mental, Canela mobiliza sua rede de cuidados para ampliar as ações de proteção e acolhimento. O Nova Época conversou com profissionais do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e gestores da Secretaria Municipal de Saúde sobre as estratégias em desenvolvimento no município. Paulo Roberto Zimmermann (médico psiquiatra), Tânia Aguiar assistente social e coordenadora de saúde mental da Secretaria de Saúde; Janine Palodette, psicóloga e coordenadora do CAPS e Jean Spall, secretário municipal de Saúde, destacaram a importância de uma abordagem integrada que transcende as campanhas pontuais. Os profissionais identificaram um problema recorrente que compromete a qualidade do cuidado: a descontinuidade de políticas. Outro eixo abordado envolveu a vida comunitária e as políticas públicas de convívio. Foram mencionadas ações para criar ou qualificar espaços públicos destinados a brincadeiras, cultura e encontros, além de campanhas para reduzir tempo de tela e incentivar atividades presenciais. Os participantes reafirmaram a importância de uma atuação articulada no território e do compromisso com políticas públicas universais que sustentem continuidade e qualidade no cuidado. O CAPS aparece como serviço estratégico da rede, contribuindo para a promoção de vida e a inclusão social no município.

PROTEGER VIDAS

O psiquiatra Paulo Roberto Zimmermann destaca que movimentos como o Setembro Amarelo são muito importantes porque chamam a atenção para problemas muito graves, em especial o suicídio. “As pessoas têm uma dificuldade muito grande de falar sobre o assunto porque em princípio o normal é que a pessoa quer ficar viva. Nós vemos com muita dificuldade uma pessoa querer ela própria tirar a vida. Então, chamar a atenção sobre isso, é fundamental para a prevenção do suicídio”, opina Zimmermann. Ele também ressalta a importância dos cuidados com a saúde mental para uma vida saudável e produtiva. “Saúde mental é fundamental. Se você não tem saúde mental você não consegue desfrutar das outras coisas. Mesmo que você tenha alguma doença que cause limitações, a saúde mental é necessária para lidar com essa doença”, afirma ele. O psiquiatra destaca que falar sobre pensamentos e atitudes que podem causar a própria morte é um tabu para as famílias. “A gente não imagina que alguém vai querer se matar. Tanto que, muitas vezes alguém que se mata, a família diz que faz um mês que ele está dizendo que seria melhor se estivesse morto e nós achamos que era brincadeira”. Zimmermann ainda lembra que o suicídio é um marco nas famílias. “O suicídio continua vivo nas famílias e isso que influência muito. Ele não é um evento individual, é um evento grupal. As pessoas se culpam muito por não terem ouvido os gritos de socorro das pessoas”, comenta ele. “Estamos aqui para proteger as pessoas, não somente quem se mata, mas quem vai ficar vivo e vai sofrer muito depois”. O psiquiatra Paulo Roberto Zimmermann acrescenta que as mulheres tentam mais suicídio, mas os homens se matam mais. “O risco de suicídio nas mulheres é menos perigoso que nos homens. Os homens se matam mais por enforcamento ou por arma de fogo, e as mulheres por uso excessivo de medicação”, revela o psiquiatra.

Paulo Zimmermann, Tânia Aguiar, Janine Palodetti e Jean Spall

120 INTERNAÇÕES

Canela conta com um grande volume de pessoas que procuram por auxílio psiquiátrico para tratar sintomas que possam levar ao suicídio. A psicóloga e coordenadora do Caps, Janine Palodetti, conta que diariamente pessoas com sintomas depressivos e ansiosos especialmente com ideação suicida procuram o Caps em busca de ajuda. “É comum todos os dias chegarem no Caps pessoas que estão com pensamento de morte, ou já com tentativa de suicídio. É comum acolhermos mais de dez casos por dia de pessoas com plano, idéia ou vontade de tirar a própria vida”, comenta ela. Janine revela que a incidência de pensamentos suicidas é maior entre as mulheres. “Mais de 90%, posso dizer com certeza, são mulheres”, afirma ela. Janine também aponta um dado preocupante em relação à saúde mental da população. “Desde o início do ano, nós tivemos mais de 120 internações no hospital por ideação ou tentativa de suicídio. Nosso trabalho no Caps é evitar a internação, em muitas situações conseguimos não encaminhar para internação e fazer um cuidado mais intensivo via Caps”, ressalta ela. Janine destaca que é necessário olhar os fatores familiares e sociais para a elaboração de estratégias para fortalecer a saúde mental das pessoas e afastar pensamentos de suicídio. “As questões de saúde mental nunca podem ser justificadas por uma única via.
Às vezes esse processo da pessoas ter ideação ou até realizar tentativas tem a ver com falta de perspectivas. Temos que olhar para isso, como estão as relações de trabalho, como estão as condições de moradia e de vida dessa pessoa. As crianças precisam de lazer, afeto, espaços abertos, sair das telas do celular e poderem vivenciar trocas de afetos reais e físicas ”

POLÍTICAS PÚBLICAS

A coordenadora da Saúde Mental e assistente social Tânia Aguiar ressalta que os dados preocupantes sobre os índices de casos envolvendo pensamentos ou tentativas de suicídio, precisam ser contextualizados dentro da cultura e do atual sintoma social da atualidade, que é grave. “Na estrutura da sociedade, a violência de gênero , da violência contra as mulheres ela está inserida dentro de uma cultura patriarcal. Não podemos descolar dos indicadores das mulheres tentarem suicídio desfocar dentro da estrutura maior da sociedade que é machista, onde as mulheres sofrem cotidiana violências das formas mais variadas”.
Com base em dados cadastrados pela Secretaria de Saúde e Hospital de Caridade, ela ressalta que quem está tentando suicídio são mulheres de uma determinada faixa etária. “São mulheres super jovens. Nós temos crianças de 12 anos que estão tentando suicídio também”, lamenta ela. Tânia conta que há uma lista de espera para atendimento em psicologia na Atenção Primária, e que o perfil desses pacientes está sendo traçado. “Cinquenta por cento são crianças e adolescentes que estão precisando de acolhimento e cuidado no nosso município”, conta.
Tânia defende a implantação de políticas públicas como pilares na prevenção ao suicídio e favorecimento a saúde mental. “É fundamental investimentos em políticas públicas na área da infância e na adolescência, ampliando estruturas físicas e quadro de profissionais” aponta ela. “O Setembro Amarelo coloca na pauta pública a discussão e a a importância da saúde mental e no investimento nessa área”, conclui.

REDE DE SERVIÇOS

O secretário municipal de Saúde, Jean Spall, pontua que nos últimos dez anos, algumas ações isoladas foram realizadas, mas que não houve uma continuidade de ações para a prevenção ao suicídio. “Temos que ter uma rede de serviços que funcione com cada secretaria fazendo a sua parte. E dentro do município há uma questão maior que é a geração de renda. Isso é um problema que sentimos em relação à falta de perspectivas das pessoas” destaca. “O Setembro Amarelo é uma ação em que já estamos trabalhando desde o início do ano. Sentimos isso lá em janeiro e fevereiro, A desestrutura dos serviços e a quantidade de pessoas procurando atendimento em saúde mental é grande. As tentativas de suicídio têm picos bem severos”, ressalta Spall. “Há necessidade de um trabalho maior do município, de políticas públicas que envolvam as demais secretarias e que possam cuidar desde a fase de criança. De 1 a 5 anos, não há muitos problemas, depois dos 6 anos, 10 alguns, e depois dos 11 em diante, há muitos probelmas.”

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