Na quarta-feira, o governo Lula sofreu uma grande derrota no Congresso, possivelmente a maior até o momento em seu terceiro mandato. A derrubada do reajuste das alíquotas do IOF, imposto sobre operações financeiras, foi acachapante. Foram 383 votos na Câmara a favor da derrubada e, no Senado, a aprovação ocorreu por votação simbólica.
Para se ter uma ideia do tamanho dessa derrota, são necessários 342 votos para alcançar a maioria absoluta de dois terços do Congresso, número exigido para a aprovação de emendas constitucionais ou para a abertura de um processo de impeachment. A derrubada do aumento do IOF, no entanto, requeria apenas maioria simples. Até mesmo um parlamentar petista, Rui Falcão, ex-presidente nacional do PT, votou a favor da derrubada do aumento de impostos.
A verdade é que as expectativas e a narrativa criadas para o governo Lula não se confirmaram. Ao contrário de sua promessa eleitoral de unir o Brasil em torno de um projeto democrático, Lula tem se mostrado rancoroso, vingativo e propenso a buscar o confronto. Apesar de quase três anos de seu terceiro mandato, o presidente e seus correligionários frequentemente recorrem à justificativa de que o governo Bolsonaro foi ruim e que eles precisam consertar seus erros.
No entanto, este governo parece focado apenas em aumentar impostos, demonstrando pouco ou nenhum interesse em promover o ajuste fiscal por meio de cortes de despesas ou revisão de gastos. Essa postura torna a situação insustentável, pois o país necessita de reformas estruturais, como a revisão dos penduricalhos do Judiciário e mudanças na estrutura administrativa do Poder Executivo.
O governo Lula tem se mostrado incapaz de aprovar medidas estruturantes e, agora, encontra-se em clara minoria no Congresso Nacional. A percepção externa é que o centro do poder brasileiro se cansou de um presidente mais preocupado em “lacrar” nas redes sociais para uma minoria, submeter-se aos caprichos de uma esposa deslumbrada e buscar vingança contra aqueles que ousam questionar suas atitudes. Trata-se de um final melancólico para um governo que parece ter encerrado sua eficácia um ano e meio antes do fim efetivo de seu mandato.









