(Rimando a história…)
A trova, nada mais é que a habilidade do cantor em improvisar os versos rimados. É a arte de “fazer” o verso na hora.
O antigo IGTF – Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore – recolheu inúmeras letras gravadas ao vivo entre esses cantadores, como os versos abaixo, num pouso de carreteiros:
Trovador 1
Boa tarde ouvintes da casa / eu na trova sou tutu
e o meu peito representa / velho Sepé Tiarajú.
Trovador 2
Represento o Sepé Tiarajú / é isso que eu falo o ano inteiro
vou fala estes meus versos / a despedida do carreteiro
o acampamento é bonito / e continua o ano inteiro.
Trovador 1
Continua o ano inteiro / e eu também sou brasileiro
temus fazendo uma trova / do acampamento do carretero.
Trovador 2
Uma trova dos carretero / e é isso eu uturiza
este torrão brasileiro / é aqui adonde eu piso
na terra de São Gabriel / os carretero é um preciso.
Trovador 1
Carretero é um preciso / e honra a nossa tradição
e eu Antonio de Souza Neto / de lança e pingo na mão.
Trovador 2
De lança e pingo na mão / eu não posso cantá muito
e resolvo dar parada / em Santo Antonio sigo o resto
na hora da retirada.
Trovador 1
Na hora da retirada / e eu também despedi
té a volta povo querido / e eu vou ficar por aqui.
Trovador 2
Eu vou ficar por aqui / vou cantá outro versinho
p’rá saudá todos amigo / aqui neste torrão véio
Que é meu pago querido.
Trovador 1
Que é meu pago querido / e eu agora vou embora
e vocês fiquem com Deus / qu’eu vou com Nossa Senhora.
Nesse Brasilzão de Deus, existem muitos artistas da rima, que variam de acordo com a região… E aparecem o embolado, o repente, a pajada (payada), esta última, uma forma de poesia improvisada popular no Chile, Argentina, Uruguai. E, também, a trova, muito popular nos Rodeios Crioulos do Rio Grande do Sul… a nossa terra!









