No mês passado, eu e meu sócio José Gonçalves vivemos uma experiência diferente da rotina do escritório. Trocamos as reuniões de alocação e análise de mercado por uma sala de aula cheia de jovens que estão prestes a iniciar ,ou acabaram de iniciar suas jornadas profissionais. Fomos falar sobre educação financeira e investimentos, e, ao olhar para aquela turma, o que vi foi algo muito mais valioso do que qualquer ativo da bolsa e que como jovem sei que temos muito a favor: o tempo.

Decidimos levar essa conversa para a escola porque os números do “lado de fora” acendem um alerta. Dados do Banco Central mostram que já somos milhões de brasileiros endividados, e uma fatia preocupante dessa estatística, cerca de 16 milhões, é composta por jovens entre 18 e 24 anos. É uma geração que corre o risco de começar a vida adulta tropeçando nas próprias pernas financeiras.
Durante o bate-papo, apresentamos a eles o conceito da “Corrida dos Ratos”. Explicamos como é fácil cair na armadilha de trabalhar para ganhar dinheiro, gastar tudo pagando contas e, sem recursos, ter que trabalhar ainda mais apenas para sobreviver. É o ciclo vicioso de adquirir o que chamamos de “passivos”, bens que tiram dinheiro do bolso, como o celular da moda ou roupas caras compradas por impulso, em vez de “ativos”, que colocam dinheiro no bolso.
O pai da economia moderna, Adam Smith, em sua obra A Riqueza das Nações, já nos ensinava que “os capitais aumentam pela parcimônia e diminuem pela prodigalidade”. Em outras palavras, não é apenas o quanto você ganha que define seu futuro, mas sim o quanto você é capaz de poupar e não gastar (sua parcimônia).
Essa lógica neoclássica de preferência temporal é a chave para o jovem. Explicamos que, na juventude, não é preciso ter grandes somas de dinheiro para começar, porque eles têm a seu favor o fator mais poderoso dos juros compostos: o longo prazo. Como bem lembramos na apresentação com uma frase de Morgan Housel: “O tempo é o maior multiplicador de riqueza. Jovens não precisam de grandes retornos, precisam de paciência”.
Mostramos que, seja o perfil conservador, moderado ou agressivo, o importante é começar. Quem aprende a controlar pequenas quantias hoje está se treinando para gerir grandes patrimônios amanhã. Investir R$ 300,00 mensais aos 20 anos tem um efeito explosivo lá na frente, incomparavelmente maior do que tentar correr atrás do prejuízo aos 40.
Saímos de lá com a sensação de ter plantado uma semente importante. Se conseguirmos fazer com que esses jovens entendam que o dinheiro deve ser um instrumento de liberdade e não de prisão, teremos cumprido nossa missão. Afinal, no mercado financeiro ou na vida escolar, a regra é a mesma: o futuro não é um lugar para onde estamos indo, mas um lugar que estamos construindo, boleto a boleto, aporte a aporte.
Marcos Dallarosa – Sócio Escritório Black
marcos@escritorioblack.com.br
@marcosfdallarosa









