As associações de proprietários dos bons condomínios de Canela sempre demonstraram preocupação com os assuntos da cidade e estão constantemente contribuindo com campanhas arrecadatórias, doações próprias e participando com ideias para o poder público. A Associação dos Proprietários do Parque Laje de Pedra é um exemplo e, desta vez, através de sua Comissão de Cultura e Cidadania, está engajada no resgate da cultura dos povos indígenas que habitaram Canela e região.
Neste sábado (28), a partir das 16h, no Laje de Pedra Mountain Village (final da Avenida do Parque), acontecerá o lançamento do livro Os Mbya Guarani, escrito pelo cacique Kuaray Nhe’ry, da Aldeia Tekoá Kurity, em Canela e o arqueólogo e pesquisador Arno Alvarez Klein. Trata-se de uma obra didática e também literária que apresenta a lenda do Jekupê, narrada pelo Cacique Kuaray.

A obra parte do macro das migrações dos povos originários no planeta, partindo de vestígios arqueológicos, passando pela universalidade do povo Guarani – com seus hábitos, idioma, cultura, artesanato, divindades e grande respeito à natureza – e chegando ao microcosmo da aldeia desta tribo em Canela e a luta pela subsistência.

A ficha de Os Mbya Guarani é o melhor cartão de visita. Além da qualidade e singularidade dos autores (veja abaixo), o livro conta com ilustrações de Ana Rocha e fotos de Marco Nedeff, Júlio Dias, Amallia Brandolf e Carine Saez. A produção é de Fernando Gomes, edição e projeto gráfico de Clô Barcellos, revisão técnica da antropóloga Luna Mendes, de Porto Alegre. Quem for ao encontro (Nhemboaty, em Guarani) de lançamento se deliciará com produtos do cardápio dos Guarani de Canela e o canto do coral Kurity.
OS AUTORES
Conhecemos o cacique Marcelino, ou Kuaray Nhe’ry, em abril de 2014 (foto colorida, à direita), quando ele nos recebeu em sua aldeia, no horto florestal Bugres – Canastra. O líder de 29 anos falou do solo ruim que estavam arrumando aos poucos (chegaram em 2021), plantando frutíferas, sem ter até então “conseguido tirar da terra quase nada”, nas palavras dele. Hoje, na medida em que a área dos Guarani vai melhorando, o cacique trabalha também como propagador da sua cultura na região. Idealizou, junto ao Canela Cineclube e ao Museu do Festival de Cinema de Gramado, um projeto de exibição de um filme do povo guarani para aldeias indígenas da região. Criou o Coral Kurity, que se apresentou na SAF – Semana da Arte e Fotografia e na 23ª Feira do Livro Josué Guimarães de Canela, em 2024. Recebeu prêmio da Lei Paulo Gustavo como agente cultural e foi contemplado na Pnab para a elaboração de um livro sobre os símbolos guaranis.

Arno Alvarez Kern (foto acima) é nascido nas Missões, em Santo Ângelo (RS). Após mudar-se criança para Porto Alegre, licenciou-se em História pela UFRGS em 1969. Mestre em História pela PUCRS e doutor em Arqueologia pela École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris, onde também realizou dois pós-doutorados, é autor de inúmeras obras (abaixo, uma delas).

Hoje Arno é morador de Canela, onde não só agrega qualidade à cena local da cultura e da pesquisa, como continua em contato com um dos temas que lhe são caros: o povoamento dos territórios pelos povos originários.
Em consonância, conheceu a aldeia guarani Tekoá Kurity e criou amizade com o cacique Marcelino.
O CASAL DE CINEMA EM AÇÃO

Foi tão bom que vale o registro. O encontro O cinema pelas lentes da crítica e da legendagem levou os afortunados frequentadores, na tarde de sábado (21), no Magnólia, a algumas horas de aprendizado. Primeiro, sobre a intrincada arte da tradução correta e concisa das legendas, aplicadas com exatidão cronometrada nos filmes. Tudo a cargo de Rosângela Fantauzzi, autoridade no assunto no Brasil. Após, seu companheiro Ricardo Largman falou do convívio e atuação no mundo da crítica do cinema na imprensa do Rio de Janeiro, onde ainda preside a Associação dos Críticos de Cinema.
Os dois moram hoje em Canela.










