Caro leitor,
Conforme prometido, aqui estou para falarmos sobre experiências gastronômicas — e que experiências!
Bom, não preciso falar que, para mim, viajar pelo universo gastronômico é meu programa predileto. Minhas viagens sempre começam pela escolha de restaurantes e poder admirar o trabalho de grandes chefs que se espalham mundo afora.
Dessa vez, meu roteiro foi aqui pertinho: São Paulo, o centro nervoso e o mais competitivo da gastronomia no Brasil — sim, os contemplados Michelin. Em maio deste ano, saiu o novo guia Michelin: os restaurantes que conquistaram ou mantiveram suas estrelas.
A grosso modo, o Michelin avalia restaurantes em excelente ou excepcional. Infelizmente, segundo o guia, não temos restaurantes excepcionais no Brasil; afinal, não há nenhum contemplado com 3 estrelas.
Entre os contemplados, 5 são detentores de 2 estrelas — eram 6 no ano passado —, mas, contrariando um pouco o “normal”, um restaurante no Rio de Janeiro perdeu uma estrela este ano e passou a fazer parte do time dos 20 com 1 estrela; e 4 foram contemplados, este ano, com sua primeira estrela. Ainda temos aqueles que são recomendados pelo guia como um lugar que valha a pena conhecer.
Não cabe aqui explicar todas as categorias do guia — e quero dizer: não cabe mesmo. Eu precisaria do jornal todo para trazer este tema por completo.
Nesta minha ida a Sampa, degustei 6 restaurantes, sendo 4 estrelados e 2 com indicações no guia. Por questões éticas, não vou citar nomes, mas sim falar sobre a minha impressão.
Minha primeira impressão — sabem que a primeira impressão é a que fica, como diz o ditado — é que há um esmero incrível em cada vez mais aprimorar as apresentações: pequenas, aliás, minúsculas porções (adoro), cuidadosamente montadas quase como uma obra de arte; às vezes coloridas, às vezes monocromáticas; gelo seco, nitrogênio e louçaria — nossa, uma mais linda que a outra.
Também experienciei 30 harmonizações e, nelas, os vinhos brasileiros estão bem em alta: ocupam 70% das escolhas, pelos sommeliers.
Há uma tendência, a rodo e não tão atual, de se usar ingredientes cada vez mais próximos — sabe a história “do campo à mesa”? Então, leguminosas, vegetais em geral, estão sendo usados em larga escala, e as proteínas estão perdendo o lugar de serem as estrelas do prato. Em um serviço em 12 passos, a média foi de apenas 2 com proteínas animais — em geral, peixes —, mas até encontrei um magret(zinho) dando sopa por lá. Também, neste mesmo caminho, o uso de produtos da estação: como estamos numa estação de seca por lá, as raízes vieram com tudo.
Quanto à construção de sabores, senti uma coisa meio linear — sabe, fusion, inovativa, seja lá como queiram chamar —, mas a mistura de nativos, como o tucupi, por exemplo, e dos sabores asiáticos invadiu minha boca com tudo.
Uma aposta arriscada, mas eu diria que a ousadia tem seu tom elegante. Com certeza, voltei encantada com tanto glamour que vivi. A semana foi intensa e muito prazerosa; afinal, tem coisa melhor do que comer e beber?
Se você quiser saber sobre cada restaurante, me segue no Tripadvisor. Lá deixo registrada cada experiência que percorro. E, sempre: Bon Appétit.









