Caro leitor
Muitos já conhecem um pouco da minha história, e ela vem carregada de muitos lugares onde já morei, dentro e fora do país. Na minha linha do tempo, passei muitos anos no Nordeste. Enquanto era engenheira, viajava por todos os cantos do Brasil – todos mesmo! Então, há mais de 10 anos que eu não viajava por aqui.
Férias, finalmente. Pouco tempo, grana curta… então resolvi “Nordestá”: férias no Ceará, em uma pequena cidade que já foi capital em tempos remotos, Aquiraz. Um resort gostosinho, que coube no bolso.
Imediatamente comecei a rememorar os sabores que por aqui vivi. E, como nosso assunto na última coluna foi justamente sobre inspirações e sabores, remontei um quebra-cabeça sobre a diversidade que é nosso país quando tratamos deste assunto. Sabores estes que, a meu ver, conversam plenamente com o clima, os ecossistemas e a paisagem, mas falam muito de cultura também.
Pois é, já inventaram a geladeira – desde 1834 temos essa criação que nos permitiu ousar e abusar quanto à disponibilidade dos alimentos à nossa mesa. Mas a carne de sol veio pra ficar, não mais pela necessidade de conservação, e sim porque a coisa é tão boa que, por aqui, não se vive sem. E a pescada amarela, que de igual só tem o nome mesmo, pois em cada lugar é um peixe diferente.
E quem é que tem à mão um vidrinho de azeite de dendê só pra fazer uma farofinha? O leite de coco, esse vai por tudo. Mas a marca registrada mesmo é o uso em abundância do cominho e do coentro – alguns até usam, mas não é costume nosso, não.
Essa culinária, para mim, é apaixonante. Aqui tudo tem muito molho, cortes grosseiros de cebolas e pimentões, e o caldo nasce ali, na panela mesmo, enquanto o peixe “se prepara”. No final, ainda rende um bom pirão: pirão de tudo, daquele caldo que se fez sozinho na panela.
Em cada região do país temos diferentes nomes para coisas que acreditamos ser as mesmas. Berbigão, maçunim, sururu… todos moluscos bivalves comestíveis, mas não venha me dizer que são a mesma coisa, porque, na boca, eu sei que não são.
Você vai comer, sim, um acarajé no RS, mas é uma baiana quem faz. E um cozido então, prato tipicamente alagoano feito com chambaril, eu tenho que preparar com osso buco mesmo. Sim, é o mesmo corte bovino, mas a diferença está na regionalidade do nome e em algumas coisinhas a mais. Por acaso você chama um amigo para ir em casa dizendo: “Vamos que vou fazer um bode”?
Sem querer gourmetizar a regionalidade das coisas – transformar o tucupi em uma dashi ou inflar a tapioca pra ficar chique -, sabe que me deu uma vontade danada de, no Roteiros do Mundo, criar o Verão da saBrasilidade?
Me ajudem dizendo se vocês são a favor e vamos passear por muitos “Brasis” no próximo verão. Respondam nossa enquete no Instagram do Vivamo e: Bon Appétit!









