A frase que dá título à minha coluna de hoje talvez soe estranha para os mais jovens. Entretanto, é muito familiar para quem conheceu o grande Chacrinha. Esse bordão, repetido em seus programas, ressaltava que quem não se expressa ou se comunica de forma eficaz acaba enfrentando problemas, sendo prejudicado ou fracassando.
Confesso que essa máxima povoou bastante meus pensamentos nesta semana, em virtude dos problemas de comunicação da prefeitura municipal de Canela quanto aos eventos de final de ano – especificamente três: Feira do Livro, Festival Internacional de Bonecos e Sonho de Natal.
É sabido por todos que há um grande déficit orçamentário no paço municipal. Só na saúde, faltam aproximadamente 13 milhões de reais para cumprir as obrigações contratadas e acordadas. Entretanto, é preciso ser claro e comunicar de forma objetiva não apenas as conquistas, mas principalmente as dificuldades. Há uma comunicação eufórica quando se trata de celebrar vitórias – e isso é ótimo, deve ser assim mesmo. Mas falta objetividade, clareza e coragem para expor os problemas.
Isso ficou evidente nesta semana com a revolta dos empresários no grupo da Associação Comercial de Canela. As incertezas sobre a realização dos eventos de final de ano – essenciais para o turismo e o comércio local – levaram muitos empresários a se manifestarem de forma veemente contra os problemas e cancelamentos. Se, no caso das atrações da Semana Santa, os cancelamentos puderam ser creditados ao antigo governo e à falta de tempo hábil para que a nova gestão realizasse os trâmites, agora não se pode utilizar esse subterfúgio. Para piorar, em vez de comunicar a situação de forma clara e objetiva no caso do Festival Internacional de Bonecos, preferiu-se dar a entender que havia ocorrido uma transferência voluntária.
Ao que parece, não é apenas a comunicação externa que apresenta falhas. São frequentes as críticas ao prefeito Gilberto Cezar por ser excessivamente fechado. Alegando falta de tempo, transfere invariavelmente assuntos para membros de seu gabinete, que não têm autonomia e não são o chefe do Executivo – aquele que, afinal, bate o martelo e dá a palavra final.
Mesmo com a base de governo na Câmara e com seus secretários, o diálogo é truncado e difícil. A facilidade em utilizar as redes sociais por parte do prefeito contrasta com a dificuldade diária de ouvir seus subordinados e dar retorno sobre problemas que dependem unicamente de sua decisão.
Certa vez escrevi aqui que gostaria muito de viver na Canela que o ex-prefeito Constantino dizia existir. Hoje, confesso: quero me mudar para a Canela do Instagram do prefeito Gilberto Cezar.









