Janeiro chegou e, com ele, um dos melhores meses para estarmos na Serra Gaúcha! Apesar do clima quente, as noites, em sua maioria, são agradáveis. As cidades lotadas dão lugar ao silêncio, aos espaços generosos e à fluidez no trânsito.
O público que nos visita é, em geral, muito qualificado: enche os restaurantes, paga pelas refeições sem reclamar e ainda aprecia bons vinhos. Saí para caminhar algumas noites pelo centro agora em janeiro e, conversando com os proprietários, o discurso é unânime: é o melhor público do ano!
Isso me faz refletir sobre a nossa vocação e o modelo de turismo que devemos seguir. Fica claro que o serviço é um dos pilares do nosso setor. Cidade lotada, pessoas com pressa e trânsito lento geralmente não combinam com bom humor, alegria e alta qualidade. Para quem ficou horas tentando circular entre Canela e Gramado, a paciência não é apenas necessária, mas compreensivelmente escassa nessas situações.
Além dos preços mais atrativos da hotelaria em janeiro, os parques com menos movimento e a facilidade de circulação proporcionam experiências mais agradáveis, o que melhora o humor do turista — e pessoas felizes consomem mais. Quem está contente e desfrutando acaba comprando e gastando mais nos restaurantes; enfim, todos ganham!
Acho que é chegada a hora de focarmos mais na qualidade e menos na quantidade; de investir em eventos e atrações para esse tipo de público, prezando pela exclusividade e não pela abundância. Em reunião com pessoas ligadas ao setor na semana passada, por conta do planejamento do Sonho de Natal de 2026, o discurso sobre a necessidade de mudança foi unânime.
Temos que encontrar um modelo de evento que foque em decoração e iluminação, que anime os comerciantes a aderirem ao projeto decorando suas fachadas e criando atrativos. Outro ponto citado foi a importância de não concentrar as atrações em apenas um ou dois pontos, como a Igreja e a Praça Central. É preciso que o turista circule pelas ruas, que tenhamos atrações itinerantes e que valorizemos nosso produto. Anunciar um produto enfatizando sua gratuidade geralmente diminui a percepção de valor, reduz o tempo de permanência do turista e atrai um público menos qualificado e disposto a gastar.
Saí muito motivado da reunião. Percebi foco e vontade dos agentes públicos em fazer a coisa certa, com realismo, sem criar falsas expectativas e transferindo parte da responsabilidade para quem mais se beneficia do evento: o trade turístico. Espero que, neste ano de 2026, tenhamos um Natal diferente, mais rentável para os comerciantes e menos desgastante para o poder público.









