(Relembrando…)
Há, em todo o Brasil e, em especial em São Paulo, as histórias de Pedro Malasartes, ou melhor, um ciclo de histórias e narrativas.
São aventuras meio “fabulosas”, meio “realistas”, onde entra em cena o malandro, o ingênuo, o mau, o diabo, o bom, etc.
Pedro Malasartes, em resumo, em todos seus contos, tinha uma só coisa em mente: pregar peças e lograr o próximo…
A árvore que dava dinheiro
Pedro Malasartes prega sobre uma árvore, à beira de um caminho uma quantidade de notas de vários valores e fica a espera do incauto (que quase sempre é um tropeiro!). Este não tarda em aparecer e dá com nosso herói a fazer a sua colheita de dinheiro, todo contente. “ – Ó moço, o que está fazendo aí”? “ – Ora! Pois não vê? Colho dinheiro. E a árvore desta vez está bem carregadinha”. O matuto passa a mão no queixo, coça a barbicha, e interpela o moço: “ – Quer vender essa árvore? Quanto quer?” Malasartes, depois de muita broma e muita volta, conclui o negócio, debaixo de uma condição: vende a árvore, mas fica com os frutos pendentes. O tropeiro concorda, passa-lhe gorda quantia – e Malasartes azula!
A alma para o diabo
Pedro – o Malasartes – continuava cada vez mais pobre…
Um dia resolveu vender a alma ao diabo, por uma gorda quantia de dinheiro, combinado que no prazo de um ano o diabo viria buscá-lo.
Nesse intervalo, o incorrigível foi de passeio à cidade de onde havia saído dentro de um saco (…..). O seu reaparecimento espantou o povo, e mais a sua riqueza. Malasartes explicou então: “é que no fundo do mar havia um tesouro enorme de pedras preciosas; de lá conseguira escapar com um punhado delas”. A gente da cidade alvoroçou-se e muitos quiseram enriquecer a custa de um mergulho, como Pedro. Metade do povo morreu afogada.
Quando acabou o prazo combinado com Satanás, um enxame de diabinhos entrou pela casa de Malasartes para o levar. Declarou que estava pronto; mas por uma experiência, só pra ver, queria que os diabinhos se transformassem em moedinhas de tostão, dentro da sua bolsa de couro. Os diabinhos não puseram dúvidas: zás! Tudo virou níquel. O Malasartes fechou a bolsa bem fechada, botou-a na bigorna e arrumou-lhe o martelo com força. Os diabinhos urraram e pediram-lhe que os soltassem, em troca de mais um ano de prazo. Malasartes deixou-os sair…
Esse Malasartes não tem remédio, mesmo (estou bem de tocaio)!
Pedro Malasartes, figura tradicional dos contos populares, é personagem conhecido em muitos países da Europa. Em Portugal, vale lembrar, a mais antiga citação do personagem é de 1132…
Por todo o Brasil, conhece-se as “estripulias” do Pedro Malasartes, com forte presença aqui no Rio Grande do Sul… a nossa terra!









