Recentemente socorri mais um idoso que caiu na perigosa calçada da rua Paul Harris, frente à Escola Estadual João Corrêa, onde os desníveis são um risco permanente para a segurança das pessoas. O mesmo descaso se observa no passeio público à frente de um estabelecimento na Avenida Júlio de Castilhos, onde é impossível que um Deficiente ou Idoso, ou qualquer outra pessoa, transite com segurança.
A vítima do acidente disse sentir-se desmotivada a caminhar por algumas ruas da cidade, e isso é um desastre para quem deseja receber 2 milhões de visitantes durante o Sonho de Natal. Nosso Município registra 501 pessoas com deficiência e, entre elas, estão aquelas com baixa mobilidade, além de aproximadamente cinco mil pessoas com mais de 65 anos. Cuidar de espaços públicos frequentados por esse extrato da população necessita entrar na pauta de prioridades, porque já é expressiva a quantidade de desmotivados pelo exposto.
Além disso, a escassa oferta de brinquedos e jogos nos poucos parques, praças e espaços de lazer infantis em Canela — locais iniciais para que crianças alcancem adequado desenvolvimento físico, social e cognitivo — é imprescindível no momento em que vivemos uma guerra em defesa da vida saudável, distante das telas. Quem deseja atrair famílias de moradores ou turistas precisa projetar e implantar playground’s, sob pena de desmotivar moradores e turistas.
Neste período de final de ano, em que a sensibilidade fica mais aguçada e a percepção das dificuldades da própria existência se amplia, espera-se que nós, canelenses, ampliemos os espaços de escuta e de convívio, a fim de acolher pessoas que perdem os estímulos ou não reconhecem valor nas vivências. Enfrentar a terrível conta de atentados contra a própria vida, cometidos por quem está desmotivado, é tarefa de todos nós que gostamos de distribuir frases de efeito, mas deixamos de abrir as portas e os braços para quem não nasceu aqui e, portanto, está distante dos núcleos afetivos e familiares.
Ao Poder Público Municipal, exigir que o Governo do Estado do RS providencie a preservação das calçadas dos prédios sob sua responsabilidade — assim como ao proprietário de um imóvel avaliado em alguns milhões de reais na Júlio de Castilhos — evitar novas razões para que os munícipes se sintam desmotivados.
A desmotivação causa depressão, baixo rendimento profissional, desentendimentos familiares, agravamento de patologias físicas, inércia, isolamento e dificuldades no exercício criativo, além de acelerar a precariedade no autocuidado. Evitar a desmotivação de familiares, amigos, clientes, visitantes, companheiros de trabalho e de lazer é um ato solidário que precisamos alimentar.









