(versos campeiros de uma espera)
Já se foi um ano e tanto,
Dezesseis meses passados,
Desde o dia em que o campo
Ficou triste, alagado.
Veio a cheia, fez estrago,
Levantou barro e memória,
E o que era chão sagrado,
Virou cicatriz da história.
A lavoura até se ajeita,
Brota o verde com suor,
Mas tem muito que ainda falta
Pra sarar tanta dor.
Na Serra, o povo ainda espera
Algum sinal de melhora,
Com muito comércio que foi fechado
Desde aquela hora.
Entre Canela e Gramado,
Tem salão de porta trancada.
Era loja, era comida,
Era lembrança encantada.
Hoje é só poeira e vento
Espiando pela fresta,
E um cartaz velho dizendo:
“Aluga-se”… e nada resta.
As estradas tão feridas,
Têm desvio, têm barreira,
De Caxias até aqui
Falta via, sobra tranqueira.
Mas se tem uma certeza
Nessa trilha tão sofrida,
É que o pedágio, o danado,
Funciona como na lida.
E ano que vem tem eleição,
De novo o circo armado,
Promessa pra todo lado,
E voto sendo laçado.
Não quero pensar que é jogo,
Mas já vi esse rodeio…
Sempre um novo discurso
No mesmo palanque feio.
Que nossa memória seja forte
E não se dobre ao embuste,
Na hora de eleger patrão,
Peão ou algum ilustre.
Que não seja a voz traiçoeira
Que nos faça se enganar,
Pois promessa bem faceira
É fácil de se quebrar.









