Um dos valores de uma comunidade é o trabalho de sua gente. Pessoas que fazem o viver nela se tornar prazeroso, ainda mais quando essa entrega envolver uma das alegrias da vida, que é comer bem.
Chefs e assadores premiados, atuando na cidade e fora dela, ajudaram Canela a criar a fama de lugar da cozinha com alma, e isso se refere não só à alta gastronomia. Peguem o exemplo da delícia que é uma cuca bem feita.
Luiz Carlos Brentano é um canelense comedido. De poucas palavras e muita dedicação para continuar uma tradição de família, iniciada por sua mãe, Dona Irene Brentano (in memorian). Doceira, além de funcionária pública, ela norteou os filhos pelo exemplo e o lado observador de Carlos, ajudando desde menino, também o fez herdar o talento no preparo de, entre outros, bolos, pães e… cucas maravilhosas! Se não bastasse ter “a mão” da mãe para preparar a grande variedade de tipos de cucas, ele aperfeiçoou o produto que tem grande procura na Confeitaria Serrana. “No início quando a Serrana foi deixando de ser fruteira para se tornar exclusivamente confeitaria, tínhamos cucas só duas ou três vezes por semana. Hoje, é todo dia, com venda maior na sexta e no sábado”, diz ele. É mais trabalho para quem chega às sete da manhã se põe a reproduzir fielmente a receita de mais de cinquenta anos atrás, que resultava em belas cucas assadas em forno de tijolos.
Fornos a gás com tecnologia foram surgindo e adotados, visando a praticidade e economia, uma vez que o sabor e a maciez se mantiveram iguais. E, além dos assados, de máquinas Luiz Carlos entende, chefe de manutenção que foi na extinta indústria do vestuário Artefina Korrigan, de 1977 a 1987. Salvo em casos muito difíceis, na Confeitaria ele próprio conserta o que estiver estragado.
Ouvindo sugestões e recheando cada vez mais as cucas – apesar de a procura pela cuca pura continuar grande – Luis Carlos se orgulha por fazer um produto autoral, inspirado na mãe e que emprega ingredientes genuínos como manteiga, ovos caipiras, banha e segredos não contados. Finalizando, com o amor pelo que faz, como de resto presente em tudo de bom que há no lugar que tem a marca das famílias Mengue e Brentano.
FESTURIS BOM DE BOLA
Se o turismo em busca de práticas esportivas é bem mais recente que o tradicional (do tipo se deslocar, conhecer, aprender, fotografar e lembrar para sempre), a união de atividade física e viagens sempre foi, de uma forma ou outra, uma das tônicas nos 37 anos ininterruptos do Festuris Gramado – Feira Internacional de Turismo, que se inicia no dia 6 de novembro. Começou com a instituição de um torneio de futebol, surgiu um salão voltado para o turismo de aventura e inúmeros convidados ligados ao esporte são convidados a cada ano para falar de suas experiências – citando três somente, os jogadores Dunga e Denilson e, neste 2025, a ginasta Daiane dos Santos. O beach tennis é a mais recente modalidade para os inscritos no Festuris suarem um pouco nas manhã do evento.
Desde as primeiras edições do evento de negócios turísticos de resultados mais efetivos da América Latina as promotoras Silvia Zorzanello (in memorian) e Marta Rossi já vislumbravam que o esporte no Festuris, através de um torneio de futebol, fortaleceria o sentimento de união do trade. A cada ano, passou-se a formar uma imensa equipe cujo objetivo depois do campo seria manter aquela força para vencer os desafios para tornar o turismo gaúcho e brasileiro tão desejado e valorizado como a nossa Seleção canarinho.
Hoje o Torneio de Futebol da Seleção Gaúcha X Seleção do Resto do Mundo está quase tão consagrado como o evento-mãe, do qual sempre constou como uma atividade paralela de grande prestígio.
Fomos ouvir um aficionado deste torneio, Leandro Oliveira, ex-secretário de Turismo de Canela e participante na quase totalidade das edições, como jogador e grande auxiliar na organização desta iniciativa de sucesso: “Participo do torneio do Festuris desde o tempo em que trabalhava na Brocker Turismo. Como eu, além de gostar de futebol, estava envolvido com os operadores turísticos, consegui fazer a Brocker participar alguns anos como uma das patrocinadoras do evento. Passei a fazer parte da organização. Até hoje, passado tanto tempo, ainda procuro ajudar na organização e busca de patrocínios. E adoro fazer parte das Seleção Gaúcha, nem que seja para correr um pouquinho. O bacana disso é que o torneio passou por diversos locais, sendo o campo usado, em mais edições, o do Hotel Continental (hoje Tri Hotel), em Canela, inclusive era servido churrasco.
Hoje ele está ocorrendo na Vila Olímpica em Gramado, mas já aconteceu no Clube Serrano e na Associação Atlética do Banco do Brasil. Muitas celebridades participaram, como Tinga, Denilson e Dunga, a jogadora Formiga, da Seleção Feminina, o árbitro Carlos Eugênio Simon e até um ministro do Turismo jogou. Foram muitas situações bonitas. Todo o trade gosta. O esporte sempre foi agente inclusivo dentro do Festuris. Fazemos amizade com o trade do mundo inteiro e recepcionamos muito bem. Honramos a integridade de todos os participantes e lembro o que disse o grande mentor e entusiasta do torneio, que é o Larri Doile: ‘Nunca houve uma briga, uma discussão. Por isso o Futebol do Festuris perdura há mais de trinta anos’”.

Na imagem do Futebol do Festuris de 2024, Leandro de Oliveira está no destaque.
PERNAS PRA QUE TE QUERO

A canelense Andréia Negrelli (58), psicóloga residente em Porto Alegre, participou neste 12 de outubro de uma das grandes corridas de rua do planeta, a Maratona de Chicago. Trata-se uma das sete integrantes da World Marathon Majors. Foi um sonho realizado, correr no evento esportivo com mais 53 mil participantes. “Tudo muito mágico, o trajeto todo acompanhada por pessoas vibrando e bandas tocando de todas as culturas… uma experiência que levarei para a vida”, Andréia relatou.









