(Falando de histórias e famílias…)
Ao contrário de outros Estados do Sul – RS, por exemplo – o Paraná é relativamente pobre em danças folclóricas, sendo as mais conhecidas o Fandango e a Dança de São Gonçalo, as quais aparecem junto à Romaria de São Gonçalo.
Roselys V. Roderjan, em seu livro Folclore Brasileiro – Paraná (Funarte – Instituto Nacional do Folclore – 1981) no capítulo “Danças Folclóricas”, traz um belo estudo sobre uma dessas danças.
O Fandango
O fandango paranaense possui várias citações como tendo feito parte das diversões do homem dos planaltos, mas sua maior incidência é no litoral, onde ainda apresenta alguns grupos, nas praias de Leste e Matinhos, em Paranaguá, Morretes e Guaraqueçaba. E era dançado nos sítios, por ocasião do pixirão (aqui, “pixuru”) – um auxílio mútuo de vários vizinhos para uma determinada roçada, plantação ou colheita.
O “fandango” é formado por uma série de danças denominadas “marcas”, variando a coreografia conforme o seu nome (anu, andorinha, chamarrita, dondom, tonta, cana-verde, sabiá, carangueijo, lajeana, vilão do lenço, xarazinho, xará grande, marinheiro, etc).
Na música, duas violas, uma rabeca e um adufo (pandeiro). E os cantos, tradicionais ou improvisados.
A coreografia das marcas do fandango é simples, repetindo-se com variações, constando de rodas abertas ou fechadas, uma grande roda ou várias rodas pequenas, danças em fileiras opostas ou com pares isolados (,,,,,,,,,,,,,,,).
Um destaque para o sapateado dos homens que chama a atenção, pelo sincronismo das batidas e variedade rítmica.
E as trovas, então?
Quero começá cantando,
já que chorando nasci.
Quero ver se recupero
o que chorando perdi.
O fandango do Paraná é citado por dois viajantes: Auguste de Saint-Hilaire (1820) e Thomas Bigg-Wither (1872/75) pelas fazendas do interior, dançado pelas famílias dos fazendeiros.
A folclorista Roselys Vellozo Roderjan é conhecida no meio tradicionalista por suas participações nos Seminários de Tropeirismo na cidade de Bom Jesus, aqui no Rio Grande do Sul… a nossa terra!
Em tempo: Um abraço aos “parentes” da pequena e bela cidade de Amaporã, com seu povo generoso e bom, no Noroeste do Paraná. Em especial à família Schley – Celita e José Ivo, Neli e Joanir, Neceli e Eloir, Rubim e Francisca, com suas famílias. Muita comida boa (churrasco e tererê) e alegria. Mestres na arte de bem receber!!!









