(Em homenagem…)
Em seu livroPêlo Escuro(Ed. do autor – Porto Alegre-RS/1977), o autor Oliveira Silveirana poesia “sou”, declara:
“Sou a palavra cacimba / pra sede de todo mundo
e tenho assim minha alma: / água limpa e céu no fundo.
Já fui remo, fui enxada / e pedra de construção;
trilho de estrada de ferro, / lavoura, semente, grão”.
Enquanto alguns grupos sugeriam o 13 de maio (dia da abolição da escravatura – pela Lei Áurea – acabou sendo oficializado o 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra, conforme Lei 14.759/23. A data lembra a morte de Zumbi dos Palmares…
Na literatura brasileira (a chamada poesia abolicionista), tem o maior expoente na poesia “Navio Negreiro”, de Castro Alves:
“Presa nos elos de uma só cadeia, / a multidão faminta cambaleia, / e chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
outro, que martírios embrutece, / cantando, geme e ri!”.
E, para nós, entre tantas contribuições do negro na cultura gaúcha, imperioso destacar a culinária.
Na verdade, a mão negra que ajudou a colonizar este país também tem participação nas culinárias gaúcha e brasileira.
Partindo da brasileiríssima feijoada, a nossa cozinha afro-brasileira traz o quibebe, o mondongo, o mocotó, o angu, a canja, a rabada, a pimenta, a farofa, a canjica, o pirão de farinha de mandioca… E ainda muitos outros pratos com charque, com molhos e uma contribuição muito especial na famosa doçaria gaúcha.
Além da utilização dos “miúdos” (desprezados, até então) e os temperos. Muitos deles, não raro, usados em meio a rituais religiosos…
E, entre tantas outras manifestações culturais, o negro foi inspiração dos poetas, como a poesia “Tio Anastácio” de Jayme Caetano Braun (parte dela) – um clássico das letras Rio-Grandenses:
“Entre a ponte e o lajeado / na venda do Bonifácio,
conheci Tio Anastácio / negro velho já tordilho,
diz que mui quebra em potrilho,
hoje pobre, despilchado / de tirador remendado
num petiço douradilho.
(………………)”.
Na literatura gaúcha, muitos autores entre eles José Euzébio Assumpção, Claudio Moreira Bento, Sandra Jatahy Pesavento, Moacyr Flores, Dante de Laytano e tantos outros, com muita propriedade descreveram e enalteceram a contribuição do negro na história econômica, social e cultural do Rio Grande do Sul… a nossa terra!









