Produtos financeiros oferecidos com entusiasmo costumam acender um alerta: será que é bom mesmo ou é mais vantajoso para quem vende? Em muitos casos, a desconfiança é justificada e o consórcio não foge à regra. Nove em cada dez clientes que chegam até nós na Black Investimentos possuem um consórcio sem realmente entender como ele funciona. Resultado: desconhecem suas vantagens, riscos e possibilidades. Em geral, contrataram por impulso ou por necessidade momentânea.
Sou José Gonçalves, assessor de investimentos e responsável pela área de consórcios na Black Investimentos, e quero ajudar a desmistificar esse “bicho de sete cabeças” que o consórcio se tornou.
A má fama não surgiu do nada. Bancos e administradoras, em busca de metas, vendem o consórcio apelando ao senso de urgência e ao desejo imediato dos consumidores. Essa prática transforma o que deveria ser uma ferramenta de planejamento em uma verdadeira armadilha financeira. Quando contratado sem orientação, o consórcio pode se tornar um compromisso longo e desgastante, gerando frustração e a ideia de que “nunca mais quero ouvir falar nisso”.
Mas, se olharmos com a lente certa, o consórcio pode ser justamente o oposto: um instrumento estratégico de construção patrimonial.
Em essência, ele é um poder de compra programado, que permite adquirir um bem ou serviço no futuro com o valor de hoje e sem juros, apenas com taxa de administração. Essa característica faz toda a diferença em momentos de juros altos, quando o financiamento tradicional encarece rapidamente o custo total da operação. No consórcio, o dinheiro trabalha de outro jeito, preservando o poder de compra.
Podemos enxergar o consórcio como a ferramenta dos disciplinados. Enquanto o financiamento é o “quero agora e pago depois”, o consórcio propõe o inverso: “pago agora e recebo depois”. Essa simples inversão muda o comportamento financeiro — e, no longo prazo, forma investidores mais conscientes e estratégicos.
Para quem investe, o consórcio pode ir além da simples aquisição de um bem. Ele pode funcionar como uma forma de alavancagem controlada. Investidores com liquidez, por exemplo, podem dar lances antecipados e conquistar a carta de crédito mais cedo, sem se descapitalizar por completo. Por exemplo, se o cliente usar 250 mil para contemplar uma carta de 500 mil, quando a carta for contemplada o valor vai para um fundo de reserva e fica rendendo próximo ao 100% do CDI Isento de IR, detalhe você pagou 250 mil até agora e está com 500 mil rendendo, alavancagem na veia sem risco. E ainda mantêm parte dos seus recursos aplicados em investimentos que rendem mais do que a taxa administrativa do consórcio.
É como um movimento de xadrez financeiro: planejado, paciente e com potencial para abrir boas jogadas futuras. Em vez de imobilizar o capital de uma vez, o investidor distribui o esforço ao longo do tempo, garantindo previsibilidade e proteção contra a inflação.
Outro ponto pouco explorado é a eficiência fiscal e patrimonial. O consórcio pode ser usado estrategicamente para a troca de um imóvel, expansão de um negócio ou aquisição de um ativo de alto valor, tudo isso sem comprometer o fluxo de caixa nem expor o patrimônio a riscos desnecessários.
Naturalmente, o sucesso depende de planejamento, orientação técnica e alinhamento com os objetivos de quem contrata. Sem isso, o consórcio vira peso. Mas, bem estruturado, ele se transforma em um aliado poderoso de quem pensa o futuro com estratégia.
No fim das contas, o consórcio não é vilão nem herói — é apenas uma ferramenta. E, como toda ferramenta financeira, seu valor está nas mãos de quem a utiliza. No tabuleiro das finanças, às vezes o movimento mais inteligente não é o mais rápido, mas o mais bem pensado.
José Gonçalves – Sócio Escritório Black
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@j.rebechi









