Os turistas voltaram a frequentar a Serra Gaúcha. Mas são outros tempos. Temos um visitante mais cauteloso em termos de gastos. Sempre tivemos preços mais altos pelo padrão mais elevado de serviços oferecidos. Mas a situação econômica exige mais prudência. Dezenas de estabelecimentos fecharam na avenida por falta de clientes. Muitas vezes o turista opta por outros destinos mais vantajosos, pagando pacotes fechados para resorts ou viagens em grupo.
O setor turístico agora precisa compreender e entender o que esse novo visitante pretende encontrar por aqui. Os eventos continuam sendo essenciais para atrair público. Mas não é somente isso. Ainda temos os velhos problemas estruturais que precisam ser enfrentados com urgência. Mobilidade urbana, instabilidade no fornecimento de água e energia, falta de coordenação na execução de obras públicas, pronto atendimento na saúde, são alguns pontos que precisam atenção. Canela e Gramado poderiam buscar soluções em conjunto, pois as cidades estão praticamente unidas num mesmo núcleo urbano, que se aproxima dos 100 mil habitantes fixos.
Quem visita uma cidade, certamente vai visitar a outra, não importando onde seja o evento. Chego a ser chato e repetitivo ao falar de mobilidade urbana. Não vejo nada de bonito num trânsito trancado. O tempo que o turista perde ali é o tempo que ele poderia consumir em nosso comércio. Isso também atrapalha quem precisa se deslocar para trabalhar e atender os visitantes. Pior ainda fica o atendimento das emergências, como bombeiros, ambulâncias e polícias, que enfrentam dificuldades no atendimento das ocorrências.
As concessionarias de serviços públicos e as administrações municipais precisam conversar mais, para organizar uma agenda de obras essenciais. Houve momentos em que conseguiram trancar quase todos os acessos, com três ou quatro obras simultaneamente. Há relatos de vários bairros em ambas as cidades, que enfrentam problemas de abastecimento de água e também de energia elétrica. O setor de saúde precisa encontrar alternativas para desafogar os hospitais, já lotados pelos vários casos de doenças respiratórias, comuns nessa época do ano. É hora das administrações pensarem em soluções conjuntas, chamando a iniciativa privada para contribuir. Não há mais lugar para amadorismo ou ficar na “tentativa e erro”.
Os problemas são antigos e conhecidos, então que se busquem as soluções. É preciso com urgência encontrar o equilíbrio do bem-estar, tanto para os turistas como para os moradores.









