Final de ano é sempre um período de reflexões. Por mais que todos os anos pareçam iguais e minha mente insista em lembrar que janeiro virá e as coisas seguirão como são, sempre bate uma saudade do passado. Claro que a virada do ano marca um importante ponto no tempo e, com ela, tudo lá atrás fica um ano “mais distante”.
Não tem sido diferente agora. No final de semana passado, fizemos uma viagem de amigos para o Rio de Janeiro. Temos uma turma de casais que se formou a partir da amizade de infância de algumas das esposas e se completou com nossa convivência, já que nossos filhos foram colegas de aula – primeiro na Toca dos Tocos e depois no Colégio Marista. A maioria de nós se conhecia desde a infância, mas nem todos pertencíamos às mesmas turmas.
Entretanto, muitas coisas eram comuns a todos nós durante a infância e a juventude. Conversando na van, durante o retorno de Porto Alegre para Canela, já no fim da viagem, relembramos nosso tempo de adolescência. E duas lembranças foram muito comentadas: nossa liberdade de ir e vir e os verões no Canela Tênis Clube.
Quem viveu os anos 80 e 90 do século passado sabe o quanto éramos crianças livres. Chegada a estação quente, era comum pegarmos as bicicletas, sairmos de casa pela manhã – às vezes retornando apenas para o almoço – e ficarmos até tarde da noite na rua. Isso em uma época em que a única forma de comunicação era o telefone fixo!
O clima bucólico, a violência praticamente inexistente e a confiança das pessoas umas nas outras tornavam possível que um adolescente saísse de casa e passasse o dia inteiro sem dar notícias. Afinal, nossos pais sabiam que a rede de contatos certamente os informaria caso algo acontecesse.
Mas de que adiantaria tanta liberdade se não houvesse um ponto de encontro? Esse lugar, durante o verão, era o Canela Tênis Clube. Em uma época em que não existiam condomínios fechados e a imensa maioria das casas não tinha piscina, o clube se tornava nosso ponto de encontro – não apenas no verão, mas ao longo de todo o ano. Os encontros bissemanalmente marcados nas terças e quintas à noite, por conta do futebol, se transformavam em convivência diária, que começava pela manhã e se estendia até a noite.
Para quem vinha do centro, porém, era necessário passar pela rua Tenente Manoel Corrêa e escapar das mordidas da cachorrada. Mas, passado o susto, vinha a recompensa: a piscina, o calor, as partidas de tênis e futebol, o reencontro com os amigos. Às vezes ocorriam imprevistos, como o exame médico vencido que impedia a entrada na piscina – guardada com absoluta presteza pela Bia -, mas isso era o de menos! Enfim, uma época sem redes sociais, em que a interação só era possível nesses espaços, nas nossas casas ou na própria rua, em uma simples brincadeira, como fazíamos lá no Beco da Willy Dienstmann.









