O saneamento básico tem seus primeiros registros por volta de 2000 a.C., na Mesopotâmia e no Egito. Aproximadamente em 400 a.C., durante o Império Romano, o sistema se aproximou do modelo que conhecemos hoje. Já na Idade Média – a “era das trevas” – o saneamento foi negligenciado, o que resultou em grandes pestes e devastações. O negacionismo imperava, e foi somente no século XIX, com a Revolução Industrial na Inglaterra, que a coleta de esgoto e o tratamento de água finalmente se consolidaram.
Desde então, quase 180 anos se passaram. Um problema resolvido há mais de um século em países desenvolvidos permanece insolúvel no Brasil. Em 2020, a aprovação do Marco do Saneamento trouxe a esperança de avanços na área; entretanto, alterações posteriores na lei acabaram por afastar investimentos privados. Apesar de termos uma meta clara para 2033, parece pouco provável que consigamos atingir os 90% de coleta e tratamento de esgoto previstos na legislação.
Estamos experimentando um pouco desse caos aqui em Canela todos os dias, especialmente no verão. Não bastasse o tratamento de esgoto ser pífio na cidade, a Corsan sequer consegue garantir o abastecimento de água nas residências. Uma rede antiga, que recebia pouca manutenção e raras atualizações, parece ter colapsado. A cada semana, o estouro de canos interrompe o fornecimento e gera transtornos aos moradores.
O que mais desanima é perceber que, mesmo onde os serviços visam à atualização do sistema — como na nova adutora entre Canela e Gramado —, nota-se descaso e falta de cuidado por parte da empresa e de seus contratados. A concessionária conseguiu, por exemplo, danificar a Rodovia das Hortênsias, na subida do Galo Vermelho, deixando a pista irregular e insegura.
Vale ressaltar, entretanto, que embora a Corsan seja a executora, a responsabilidade final pelo fornecimento de água e tratamento de esgoto é da Prefeitura Municipal. Não apenas em Canela, mas em todos os municípios brasileiros, quem deve satisfações à comunidade sobre o tema é o poder executivo local. A ampla maioria optou por conceder o serviço a terceiros, como é o caso da Corsan aqui.
Desta forma, cabe ao poder público buscar uma solução, seja através da cobrança rigorosa dos termos contratuais ou, em casos extremos, realizando o distrato e a retomada da concessão. De qualquer maneira, é desolador que um problema resolvido há 150 anos em várias partes do mundo ainda seja motivo de tantos transtornos para a maioria do povo brasileiro.









