A expressão “pão e circo” vem da Roma antiga. O poeta Juvenal, na obra “Sátiras” escrita entre o final do Século I e início do Século II, destacava a falta de interesse do povo por temas políticos importantes em troca de comida e diversão. O Império Romano crescia e, junto a ele, os problemas sociais, como o êxodo rural que aumentava a população das cidades e trazia pobreza. Para evitar a revolta popular contra o Império, os governantes distribuíam trigo ou forneciam alimentação básica subsidiada. Também eram promovidos grandes espetáculos como lutas de gladiadores e corridas de bigas, entre outros jogos populares.
A função era distrair o povo, transformando os cidadãos em espectadores conformados. Numa tradução aproximada o poema diz: “Há muito tempo, desde que vendemos nosso voto a alguém, o povo abandonou suas preocupações; pois aquele povo que antes tinha comando militar, armas e legiões, agora se contém e ansiosamente deseja apenas duas coisas: pão e circo”. Essa expressão se transformou numa metáfora permanente através do tempo, onde governos, em vez de resolverem os problemas sociais, manipulam opinião pública oferecendo diversão barata e alívio temporário paliativo. Governos e instituições continuam a oferecer entretenimento superficial para desviar a atenção dos problemas reais como a corrupção e a crise econômica. Hoje a expressão poderia ser atualizada para “Bolsa e Carnaval” ou “Bolsa e Futebol”.
Não sou contra programas sociais. Mas eles deveriam ser temporários e pontuais para quem realmente precisa. Hoje vemos pessoas jovens e saudáveis escoradas em programas sociais, enquanto outras que trabalharam a vida inteira e que contribuíram para a Previdência, ficarem mendigando atendimento assistencial ou de saúde. E para o governo hoje está muito mais fácil dar o “pão” por meio de bolsas e auxílios.
Também há todo um aparato estatal para manipular estatísticas e pesquisas, com a função de induzir a opinião pública. Pagam milhões de reais para a mídia divulgar somente o que convém. E nem é preciso mais promover espetáculos para o povo. Carnaval tem todo ano e neste ano ainda teremos Copa do Mundo de futebol. Eis o pacote completo para velha política: Carnaval, futebol e eleições.
A Democracia deveria ser o governo do povo, pelo povo e para o povo. Mas sabemos que na prática não é assim. Todos falam em voto consciente, mas quando a barriga ronca de fome a necessidade fala mais alto e o eleitor vira presa fácil do mau político. Há décadas falam em “acabar com a fome”; há décadas falam em “combater as desigualdades”; há décadas o eleitor diz que vai votar certo. Mas o certo mesmo é que muitos nem sabem em quem votaram na eleição passada. E assim segue, de forma atualizada, a política do pão e circo!

25/04/2025








