A popularização da inteligência artificial fez surgir muitas aplicações, para as mais diversas atividades cotidianas. A tecnologia traz benefícios, mas também preocupações.
Ainda é cedo para algumas afirmações, mas o assunto merece atenção. É inegável que a inteligência artificial beneficia muitas atividades trazendo agilidade e produtividade. Mas será mesmo que essa quantidade significa qualidade? A tecnologia deveria ser uma aliada da atividade humana, mas não a ponto de causar dependência tecnológica. Antes da era digital, o aprendizado de qualquer atividade era basicamente teórico e pela experiência. Mas hoje se atira um arquivo de orientações e o usuário que se vire. Anos atrás, o que acontecia quando a turma de amigos saía para festas e ficava na estrada com carro velho? Todos procuravam encontrar uma saída e logo alguém tinha uma ideia de como fazer o conserto ou ter alguma outra solução. Isso é aprendizado, desenvolvimento da capacidade de analisar e de resolver problemas.
Hoje se aciona o seguro e chama o guincho. Algum dos leitores saberia trabalhar na sua atividade se o sistema informatizado da sua empresa parasse de funcionar? Isso é preocupante pois alguns sinais já são visíveis. Estudo recente afirma que, pela primeira vez, temos uma geração com quociente intelectual menor do que a geração anterior. Muitos jovens não sabem mais ler ou escrever a letra cursiva. A escrita de próprio punho é fundamental no desenvolvimento intelectual de crianças. É o que nos diferencia dos demais animais. E isso está se perdendo, pois quase tudo se digita.
Outros preferem mensagens de áudio e até se criou um acelerador de velocidade de escuta nos aplicativos. A tecnologia está se tornado uma droga que causa dependência. Também há uma produção exagerada de conteúdos (textos, imagens e vídeos) com inteligência artificial e que são publicadas no meio digital. Muito conteúdo sem fundamento algum, apenas para gerar engajamento. Isso está criando ilusões e escondendo parte da realidade. Já não se sabe mais o que é verdade ou mentira, pois as pessoas não fazem a checagem. Milícias digitais são contratadas para criar fatos e situações que vão beneficiar determinados grupos sociais, culturais, políticos, profissionais ou empresariais.
Enfim, a conclusão é de que devemos ter a tecnologia como nossa aliada e não ser dependente dela. O mal do século não será inteligência artificial, mas a ignorância natural.









