(E os usos e costumes do interior…)
As festas realizadas no interior, ainda hoje, despertam certa curiosidade nas pessoas da cidade e, imaginem, uma festa dessas no interior, há algumas décadas atrás.
O livro “Raízes de Ipê”, entre centenas de depoimentos, traz declarações fidedignas de um tempo não tão longe, mas muito diferente, como esse relato da professora Terezinha Susin Dalagnol, falando de costumes e tradições:
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A Festa de Natal
A festa do Natal era sempre esperada com muita ansiedade.
Minha mãe Irene, nunca deixava passar em branco essa data, preparando sempre para nós, alguma surpresa legal.
Separava alguns frangos caipiras para a engorda, depois os levava para a Vila a cavalo para serem vendidos. Com o dinheiro arrecadado comprava uma lembrancinha para cada filho: roupas, chinelos, brinquedos para os meninos e bijuterias para as meninas. E mais doces é claro, beijo-de-moça, Papai Noel de merengue, embrulhado com papel celofane. O cheiro dos doces e o barulhinho do embrulho ainda estão na lembrança e emociona.
Lembro que certa vez minha mãe me deu como presente, no Natal, um amarrador (maria-chiquinha) que tinha duas bolinhas cor-de-ouro, relacionei isso com o brilho do Natal e nunca mais saiu da minha memória.
Para o Natal, nunca deixávamos de fazer o presépio e o pinheirinho, usava-se barba-de-pau, santinhos, bolinhas feitas com papel de bala. Tudo era feito em casa, não tinha dinheiro para comprar enfeites e ficava bonito assim mesmo. O costume de fazer o presépio é preservado até os dias de hoje.
A espera do Papai Noel
Na época as crianças acreditavam que os presentes eram deixados nas casas pelo “Bambim” (Menino Jesus) quase não se falava em Papai Noel.
Para esperar o “Bambim” limpava-se muito bem o caminho, colhia-se feno para a “musseta” (animal que seria usado para transportar os presentes dentro dos cestos) e, deixava-se água em uma vasilha. Para o “Bambim” biscoitos caseiros e como a viagem era longa ele precisava se alimentar.
Enquanto nós crianças dormíamos, nossos pais colocavam os presentes perto do presépio, dentro dos pratos que ali eram colocados. Mexiam nos alimentos e deixavam rastros, para fazer de conta que tudo o que imaginávamos havia acontecido ali.
Isso acontecia mais ou menos parecido, em todas as famílias da comunidade. (…………………………….)”.
Depoimentos que provam que o espírito natalino não está nos presentes caros, nas luzes, nos Papais Noéis… Está no coração de cada um.
Costumes ainda em uso por esse Rio Grande de Deus… a nossa terra!









