Gente, esta semana vou mudar um pouco o rumo da prosa. Estou tomando um banho de estrelas Michelin pelo universo gastronômico mais competitivo do Brasil: São Paulo.
Na próxima coluna conto a vocês todos os detalhes deste circuito, mas hoje vamos falar sobre o significado das Estrelas Michelin.
Muito se discute sobre isso; tem chefs que estão “praguejando” por aí sobre a necessidade de se manter no guia. Praguejam, sim, mas vivem em busca dele.
O nível de exigência é A+, no entanto, em nosso país, somente paulistas e cariocas (da capital) parecem “merecer” esse reconhecimento. Sabia que até uma barraca de comida de rua já foi contemplada com 1 estrela na Cidade do México? Aqui sempre rodamos nos mesmos.
Para quem não sabe, o guia Michelin começou simplesmente como um guia de viagem. Michelin, a grande holding fabricante de pneus, estimulava a rodagem, indicando aos viajantes onde ir e comer bem; era tipo “gaste meus/seus pneus com um propósito”. E assim nasceu a maior indicação de viagem com esse objetivo.
A coisa deu tão certo que começaram a classificar esses destinos. Merecedores de 3 estrelas: é um lugar excepcional, que oferece a melhor experiência gastronômica por ter produtos maravilhosos; em tese, são perfeitos desde o serviço, carta, menu, ambiente, a qualidade e frescor dos ingredientes, e a personalidade do chef na cozinha. Com 2 estrelas, ainda falta um pouco para chegar lá; e com 1, está no caminho certo.
Mas quem está apto a julgar tudo isso? Se um guardanapo ou talher for ao chão, desconfie; se um casal entrar pedindo degustação para um e à la carte para outro, desconfie; se um sujeito entrar com cara de maus amigos, desconfie – coisa de filme, claro. Enfim, ninguém sabe, ninguém viu, mas acontece. Inspetores em anonimato incumbidos de julgar o quanto vale a noite (ou o dia).
O critério é bem rigoroso e muitos chefs querem dar um basta nisso, se rebelando contra essa “injusta” avaliação. Para mim, isso é meio “fachada”. Queria eu, um dia, que um avaliador Michelin se dispusesse a vir à Serra Gaúcha e se sentar no meu restaurante. Claro, sonho vão!
O fato é: o Guia Michelin é um excelente guia para viagens. Sempre me valho dele para escolher meus restaurantes e ainda “cruzo” com o TripAdvisor para ouvir a opinião dos clientes, pessoas de verdade; aí sim, sei pra onde ir. Bom, minhas viagens são sempre para comer e beber – os quilos que ganho contam isso, mas vale super a pena a dieta do retorno.
Os prazeres da mesa realmente me encantam; sou exigente e quero experimentar os melhores e os uso como referência do que está rolando de novo ou incrível. Dá um oxigênio na cabeça para sair do mundinho em que nós, cozinheiros, vivemos dia a dia.
Me encantam as apresentações, empratamento, louçaria; me fazem viajar em novas possibilidades. Volto com a cabeça cheia de ideias, fervilhando, e com muita vontade de todo dia recomeçar. Meu novo menu vem trazendo mais essa inspiração.
E, bonne appétit!









