A descida do Papai Noel de rapel, da torre da Catedral de Pedra, volta a ser destaque na programação do Sonho de Natal, mas com uma proposta renovada. O novo show terá um formato mais lúdico, com trilha sonora inédita, novas animações e maior interação com o público. As apresentações, gratuitas, seguem ao longo de dezembro e início de janeiro, em 19 datas previstas. Intitulado “Contos da Catedral: O Segredo do Velho Noel”, o espetáculo estreia sexta-feira (5), às 21horas. O show, já tradicional na paisagem natalina da cidade, recebeu investimento artístico para transformar a experiência de quem acompanha a descida. A Prefeitura, por meio da Secretaria de Turismo e Cultura, tratou o evento como prioridade. O prefeito Gilberto Cezar (PSD) destaca que o desafio não era apenas manter a atração, mas elevar as apresentações. “As pessoas esperam o ano todo pela descida do Papai Noel, então nos esforçamos para que este ano também acontecesse. Mas fomos além, trabalhamos para inserir novos elementos voltados para as crianças, que vivem a magia do Natal com muita intensidade”, afirma Cezar.

Público poderá conferir 19 chegadas do bom velhinho e seus ajudantes
Foto: Cleiton Thiele
RENOVAÇÃO ESTÉTICA E NARRATIVA
A atualização passa pela troca parcial do elenco, pelas trilhas compostas exclusivamente para o espetáculo e por animações desenvolvidas para enriquecer o diálogo entre projeção mapeada e atores em cena. Parte dessa transformação é percebida já antes do início: 15 minutos antes das 21 horas, a fachada da Catedral ganhará cores especiais, em um pré-show que funciona como convite visual para que o público se aproxime.
Após a descida do Papai Noel, outra surpresa aguarda os visitantes: uma projeção final, totalmente natalina, iluminará a igreja com elementos temáticos. Será o momento destinado às fotos, quando a Catedral apresentará seu visual mais festivo.
O diretor artístico do evento, Marcelo Monegal, explica que a intenção foi tornar a narrativa “ainda mais humana, sensível e acessível às crianças”, inspirada na lógica dos grandes espetáculos familiares. A escolha da nova atriz — psicóloga infantil — reforça esse caminho, trazendo delicadeza e gestualidade ao papel da jovem Maria. “A expressividade dela cria uma conexão imediata com as crianças, o que torna toda a cena mais calorosa”, comenta Monegal.
HISTÓRIA DE UNIÃO, MEMÓRIA E ESPERANÇA
O enredo se desenvolve a partir do encontro entre Maria, guardiã da Igreja Matriz, e um senhor misterioso que revela segredos da construção da Catedral — incluindo passagens sobre esforços comunitários, enchentes, queimadas e desafios superados. A ideia é lembrar que a história da cidade sempre avançou quando houve união. As projeções mapeadas conversam com os atores em tempo real, conduzindo o público a um final marcado pela descida do Velho Noel.
Com cerca de 50 profissionais envolvidos entre criação, técnica e produção, o espetáculo exige precisão e coordenação absoluta. A equipe trabalha em ensaios noturnos ao longo da semana para ajustar luz, tempos e movimentações. “É um privilégio estar diante de um patrimônio simbólico tão poderoso. A responsabilidade é grande, mas a recompensa vem quando a emoção chega ao público”, afirma o diretor.

Foto: Cleiton Thiele
EXPECTATIVA DE PÚBLICO
Para o secretário de Turismo e Cultura, Athos Cunha, a atualização do espetáculo representa mais do que um ajuste estético, é um gesto de retomada. Ele lembra que a cidade vive, neste ano, um fluxo crescente de visitantes, o que reforça a responsabilidade sobre cada ação da programação.
“Trabalhamos com a expectativa de receber entre 8 e 10 mil pessoas ao longo das apresentações, baseados no histórico dos anos anteriores e no movimento turístico registrado nos últimos dias”, explica. Segundo ele, a Secretaria estruturou uma estratégia integrada para ampliar o alcance do evento como reforço nas redes sociais oficiais, ativações nos principais pontos turísticos, convites à imprensa regional e estadual, além de parceria direta com hotéis e com o trade, que ajudam a informar os visitantes que já estão na cidade.
Cunha destaca que as mudanças foram pensadas para modernizar sem perder o que torna o espetáculo querido pelo público. “Buscamos mais fluidez, mais impacto visual e um clima ainda mais mágico. Mantivemos a essência afetiva que as famílias reconhecem, mas entregamos uma experiência nova. Tenho convicção de que o público vai perceber essa evolução e viver um momento marcante nesta edição.”
DESCIDA DO PAPAI NOEL – ENTREVISTA
Diretor de grandes espetáculos, Marcelo Monegal, 53 anos, construiu uma trajetória que une técnica, sensibilidade e escala. Publicitário formado pela PUC, migrou cedo para o audiovisual e se tornou nome recorrente em shows, videoclipes e produções de grande porte. Coleciona trabalhos com alguns dos artistas mais populares do país e hoje avança em novas frentes criativas, como a série infantil Super Buby, movido pela mesma convicção que guia toda a sua carreira: emocionar e deixar marca em quem assiste.
É também uma grande alegria e um privilégio, para Monegal, poder contribuir com algo tão especial para a cidade, para o Natal e para as famílias que vêm viver essa experiência.

NE – O que o público pode esperar desce novo espetáculo?
MONEGAL – Podem esperar um espetáculo realmente transformado. Nós repaginamos tudo com muito cuidado e carinho. Algumas animações foram totalmente refeitas, outras ganharam novos detalhes, mais delicados e poéticos. E a trilha sonora – que é uma das grandes responsáveis por conduzir a emoção do público – também foi completamente refeita. Todas as trilhas passaram por uma repaginação profunda, trazendo mais sensibilidade, mais intensidade emocional e um toque ainda mais lúdico ao espetáculo. O blend entre música e projeção cria momentos muito especiais. A história continua lindíssima e profunda. Ela conta um pouco da origem da própria igreja – como foi fundada, por quem, e de onde veio essa força coletiva – trazendo um embasamento histórico sensível e inspirador. E também faz uma menção às dificuldades que todos nós enfrentamos recentemente, como enchentes e queimadas, convidando o público a refletir sobre resiliência, união e sustentabilidade.
NE – Você considera um desafio estar à frente da produção do espetáculo?
MONEGAL – Com certeza. Cada trabalho, para mim, é um desafio. Eu costumo dizer que encaro cada projeto como se fosse o último da minha carreira. Ou eu entrego 100%, ou eu prefiro nem fazer. E quando trabalhamos com espetáculo ao vivo, a responsabilidade é ainda maior, porque simplesmente não há espaço para erros. No caso do espetáculo da Catedral de Canela, esse desafio ganha uma dimensão ainda mais especial. Estamos falando de um patrimônio histórico, de um símbolo da cidade, de um lugar que mexe profundamente com a memória e o sentimento de toda a região. Então, sim, é um grande desafio.
NE – Quantos profissionais estão envolvidos do espetáculo? Considerando técnica, produção e artistas?
MONEGAL – O espetáculo envolve aproximadamente 25 profissionais diretamente, mas, quando consideramos todos os que trabalham nos bastidores, nos apoios técnicos e nos processos paralelos, chegamos facilmente a cerca de 50 pessoas envolvidas. É uma estrutura robusta, porque o espetáculo exige precisão, segurança e sincronia. Cada pessoa é essencial para que tudo aconteça com a qualidade que o público vê lá na frente.
NE – Como foi “construir” o roteiro do evento? Alguma referência ou inspiração?
MONEGAL – A construção do roteiro foi um processo muito empolgante e, ao mesmo tempo, profundamente imersivo. Eu diria que a inspiração maior vem de todas as vivências que tive ao longo da minha carreira – dos espetáculos que produzi, dos trabalhos que admirei, das experiências que acumulei ao longo dos anos. Eu gosto muito dos espetáculos da Disney, dos shows do Cirque du Soleil, de grandes produções que assisti em Las Vegas, de musicais da Broadway… tudo isso, de alguma forma, constrói um repertório emocional e estético que acaba influenciando a forma como eu crio.









