(bis ins kleinste Detail…)
O imigrante que aqui chegou, ainda no século XIX, trouxe junto sua forma de viver, com alguns “rituais” guardados até hoje.
O pesquisador Erni Engelmann no livro A Saga dos Alemães traz importante relato, conforme descrevemos abaixo.
(…………………………) Normalmente, a vida dos colonos em Santa Maria do Mundo Novo seguia o mesmo ritual:
Uff steihe – levantar bem cedo, em torno das cinco horas da manhã;
Sich wäsche – lavar-se e pentear-se, pois não havia escova de dente naquela época;
Tee trinke – tomar chimarrão, hábito incorporado aqui, através dos nativos;
Kaffe trinke – tomar café;
Melke un es Vieh fittre – tirar leite e tratar o gado e animais caseiros;
In die Plandoosch gehn – ir à roça;
Zu Mittag esse – almoçar;
Bisscher schloofe – tirar uma sesta;
In die Plandoosch gehn – voltar à roça, até o último raio de sol;
Melke un es Vieh fittre – tirar leite e tratar o gado e animais caseiros;
Sich abwesch – lavar os pés, pescoço e braços em uma gamela, depois colocar uma camisa limpa, chinelos de couro no lugar dos tamancos de madeira e formar uma nova roda de chimarrão com a família. Às vezes, ainda havia necessidade de auxiliar algum filho com a lição de casa, daí, já à luz de lampião, depois jantavam e iam cedo para a cama.
Em algumas casas, à noite, família reunida em torno da mesa da cozinha, lampião na parede e fogo no fogão à lenha, era lido o Kalender für die Deutschen In Brasilien (Calendário para os Alemães no Brasil), que era distribuído anualmente pela Rothermund.
Este era o marco divisor de um ano para o outro, a vinda de um novo “Kalender”, pois, com exceção da conclusão de mais um ano letivo pelas crianças e das comemorações natalinas, nada além acontecia na Colônia no final do ano.
Esses “Kalender” eram lidos e relidos durante o ano, várias vezes, sendo guardados, amarrados a uma cordinha, pendurados atrás da porta da cozinha. Junto, estava amarrado um lápis, com o qual iam fendo anotações de datas e acontecimentos importantes, na parte mensalmente destinada às “Notizien”, fazendo deste espaço uma espécie de diário da família.
E, falando em Ano Novo, nas comunidades alemãs, muito comum era a participação dos “Atiradores de Ano Novo”… Mas isso é assunto pra outra ocasião!
O capítulo “Ano Novo em Santa Maria do Mundo Novo” do livro citado acima traz, com detalhes, importante documentação sobre a vida dos imigrantes alemães do Vale do Paranhana, aqui no Rio Grande do Sul… a nossa terra!









