Há lugares que parecem feitos para brilhar. A Serra Gaúcha é um deles. Entre vinhos premiados, festivais culturais, feiras e congressos, gastronomia, eventos imobiliários e empreendimentos cada vez mais luxuosos, respira-se arte, negócios e espetáculo. Mas por entre tanta luz artificial, há quem confunda palco com pedestal, e arte com autopromoção. Gente que vive para ser vista, não para servir e muito menos para construir com ética.
No meio artístico, há cada vez mais “figurinhas carimbadas” que frequentam tudo, falam de tudo e fazem de tudo, menos com ética e profundidade. Cantam, pintam, produzem, opinam, influenciam e, entre uma selfie e outra, apontam o dedo a quem não está no “nível vibracional” certo. Ninguém sabe ao certo de onde vieram, o que estudaram ou se de fato entendem do que falam. Mas estão em todos os lugares. A presença vale mais do que o conteúdo.
No meio corporativo, a situação não é muito diferente. Basta uma vaga de coordenação, um convite para uma reunião com investidores, ou um crachá com cargo novo para que o ego se vista de superioridade. Já vi gente, até ontem estagiária, tratar colegas com desdém depois de uma “promoção” obtida por amizade com a chefia ou por pura encenação. Ninguém diz “bom dia”, mas dizem “eu mando”. Confundem influência com prepotência. E esquecem que a base de qualquer liderança, seja num palco ou num escritório, é o respeito.
No ramo do entretenimento, onde o brilho das promessas às vezes ofusca a realidade dos contratos, o ego também se manifesta. Diretores que se autointitulam “consultores de estilo de vida”, vendendo não só “experiências”, mas um sonho de status. Criam personagens online, posam ao lado de Mercedes e limousines, prometem vida de cinema aos seus colaboradores em empreendimentos com dívidas cumulativas, péssimas condições de trabalho, falta de profissionalismo e ética onde o “isso vende”, sem qualidade é o que interessa momentaneamente. A suposta venda é sobre aparência, não confiança. E quem questiona é chamado de “negativo”, “amador” (pasmem!), “retrógrado” ou “invejoso”.
No fim, o que falta não é talento, oportunidade ou palco. Falta essência. Falta a boa e velha educação básica, que nunca sai de moda: cumprimentar, escutar, reconhecer erros, trabalhar em equipe. Falta postura profissional, essa que não precisa de espetáculo, só de consistência. Porque quem tem conteúdo não precisa gritar. E quem sabe o que faz, não precisa humilhar para ser visto.O ego pode até subir ao palco. Mas quem não sabe sair de cena com humildade, um dia aprende que o público também se cansa de más atuações.









