O fato de vivermos no extremo sul de um país tão grande cria uma barreira geográfica que falsamente faz parecer, a muitos de nós, que aqui nos pampas os fatos ruins do Brasil, ou não são de nossa responsabilidade, ou demoram mais para nos atingir. A gente, por conforto, se blinda com raciocínios e preconceitos como “a corrupção está lá em Brasília”, “a violência desenfreada está lá no Rio”, “a miséria está lá no Sertão”.
A distância de mais de 3.500 quilômetros que separa Canela de Belém do Pará poderia entrar para a lista de desculpas para não nos interessarmos pelo que está acontecendo na COP (Conferência das Partes) – 30, maior encontro anual para tomada de decisões para combater o aquecimento global e suas consequências. “Isso é problema lá para a Amazônia”, seria mais uma míope opinião nossa.
A triste coincidência de um tornado quase por abaixo uma cidade inteira na região Sul, aqui perto, no Paraná, a três dias do início da COP-30, talvez tenha feito alguns repensarem o assunto. Catástrofes climáticas estão batendo de novo à nossa porta, quando nem terminamos de limpar os escombros e reconstruir tudo que a enchente de 2024 destruiu. Pergunta: o que eu posso fazer? Resposta: contribuir, com a minha migalha, para amenizar esse pesadelo do aquecimento do planeta, que altera a temperatura das águas dos oceanos e faz tanto estrago. Bilhões de migalhas podem ajudar a pintar um quadro melhor. Nesse sentido, assim como há condutas a condenar, há modelos a seguir.
A FIGURA DE DONALD TRUMP
O retorno de um dos homens mais poderosos do mundo à Casa Branca é fato a lamentar no contexto das políticas visando à reversão da crise climática.
Em nome do impulso para a economia americana voltar a ser gigante, e para o que não mede consequências, Donald Trump revê acordos firmados e anula práticas salvadoras do meio ambiente que presidentes anteriores adotaram. Ele retirou o país do Acordo de Paris (sobre o clima, firmado por 195 países) e não ratifica, classificando como “farsas”, compromissos para redução de gases na atmosfera. Suspendeu bilhões em créditos fiscais e empréstimos para energia limpa – um exemplo de empresa atingida com a medida é a General Motors, que receberia novo aporte para converter uma planta para veículos elétricos. Tira da gaveta novamente uma agenda energética em que libera terras federais para extração de petróleo, gás e carvão e priorizando incentivos a combustíveis fósseis.

Foto: Kalhh – Pixabay
Coerentemente com sua conduta, não permitiu a participação oficial dos EUA na COP-30.
O QUE AS EMPRESAS PODEM FAZER
Encontramos bons exemplos no meio corporativo. Resultado da visão de fundadores e CEOs, empresas como a Natura angariam prestígio internacional e prosperam alicerçadas na valorização das pessoas e na melhoria da qualidade ambiental. Natura é uma empresa 100% carbono neutro, que mede e compensa as emissões de gases em toda a sua cadeia, desde a extração de matéria-prima até o descarte de produtos. O co-fundador da Natura, Guilherme Leal, com a Dengo Chocolates (ainda ausente no Rio Grande do Sul) levou para a indústria alimentícia o seu ideal de ter empresas imbuídas de responsabilidade social e ambiental. Sustentável em todas as etapas do processo, a Dengo está recuperando e redesenhando a economia do cacau na Bahia a partir da valorização das famílias dos produtores, que atravessavam até há pouco uma fase de total desestímulo a essa atividade.

Marta Rossi e Eduardo Zorzanello, do Festuris, recebendo a certificação SeloXIS
Foto: Claiton Saul
Mesmo em Canela, lembro de um belo exemplo, o de Rafael Zilio e Patricia Picoli, que pagam salário para artesãos produzirem peças para a Mãos do Mundo em seu habitat, na Ásia. Eles já foram várias vezes conferir as condições de vida de muitos que lhes fornecem aquelas coisas maravilhosas.
No ramo do vestuário, as Lojas Renner, com filial em Canela, têm nos lucros uma das recompensas por adotarem o conceito da circularidade. Em lojas circulares há menor uso de matérias-primas na construção ou reforma, priorizando materiais reciclados e recicláveis. Nas roupas em exposição, espaços cada vez maiores para peças produzidas com práticas sustentáveis e fibras naturais, sob o selo da Moda Responsável. Desafio para empresas que vendem produtos que são resultado da filosofia da sustentabilidade, é o custo. Geralmente custam mais, porque embutido no valor de venda há uma melhor remuneração de todos agentes envolvidos na pirâmide.
Grandes eventos, por fim, também servem de espelho para mirarmos o exemplo. O Festuris Gramado, edição 2025, recebeu a certificação SeloXIS, que reconhece práticas sustentáveis e de responsabilidade social, ambiental e de governança (ESG).
E NÓS, COMO PODEMOS CONTRIBUIR?
Reciclando. Evitando o desperdício. Não tendo receio de parecermos antiquados por levarmos sacola para o supermercado. Deixando o carro mais tempo na garagem, quando o frio passar. Comprando produtos na versão refil, mais baratos. Um litro do refrigerante famoso, na garrafa retornável de vidro, custa pouco mais que uma latinha, além de ajudar a combater a verdadeira praga da embalagem Pet.

Foto: Kalhh – Pixabay
No quarto do meu filho há um bom e velho aparelho de LCD, que, em quase 20 anos, já estragou e mandamos para o conserto, por que não? Ainda saiu mais em conta do que comprar um novo, de LED, continua servindo e não foi parar numa montanha de lixo eletrônico. Vocês já entraram em um bom brique, de móveis ou de roupas? Já mandaram tingir um jeans que ainda está bom? Dêem ao lixo a destinação certa. Pensem sempre no que prega o (Carlos) Frozi, canelenses! Nosso secretário do Meio Ambiente é a personificação do ideal de viver num mundo mais limpo, num planeta mais longevo.
CONVOCAÇÃO PARA DIVERSÃO
O Parque do Palácio receberá, de natureza aberta, famílias inteiras para uma tarde-noite de encantamento. Será na quinta-feira (20), feriado, se o tempo permitir. Não percam: Oficina de grafite, com Bernardo Jr; Performance poética, com Jess; Tranças da Tia Lia (embelezando cabelos); Piquenique, com cookies da Dauper e croissants da Panni; Tambores ao pôr do sol, com Adilson e Alan; Filmes e curtas-metragens conscientes do Canella Cineclube, com debate. Tudo free!









