No começo, o homem usava a boca, praticamente, somente para comer. Depois, com alguns sons “guturais”, já se comunicava. E, segundo pesquisas, ainda nas cavernas, começou a emitir sons direcionados ao que lhe rodeava: a caverna, o trovão, o animal selvagem, o relâmpago…
Nascia a comunicação através da palavra.
Mário Souto Maior em “Nordeste: a inventiva popular” traz vários exemplos do folclore sobre o assunto:
– À boca pequena – Na “surdina”.
– Bate-boca: Briga, discussão. Desentendimento.
– Boca-de-forno: Brincadeira infantil em que são postas à prova a destreza e a coragem dos participantes.
– Boca-de-chupar-ovo: Boca muito pequena.
– Botar a boca no mundo: Esbravejar. Espalhar segredos, fazer acusações.
– Não ter boca pra nada: Ficar sempre calado.
– Ser bom de boca: Ter muito apetite. Ser comilão.
– Tapar a boca (de alguém): Usar de propina, fazer chantagem.
– Com a boca na botija: Alguém ser pego em flagrante.
– Morrer pela boca: Abusar dos prazeres da mesa. Ser comilão, não importar com a saúde.
– Na boca do povo: Notícia de que todos são sabedores, a qual, todos comentam. Todo mundo sabe.
– De boca aberta: Alguém ficar admirado. Ser surpreendido com algo difícil de acreditar.
– Fazer uma boquinha: Participar parcialmente de uma refeição. Comer pouco.
– Encher a boca: Vangloriar-se. Exibir-se.
– Ficar com água na boca: Gostar. Desejar muito, algo. Sentir fome.
Provérbios sobre a Boca
– Boca fechada, não entra mosca.
– Boca calada, é remédio.
– Quem tem boca, vai à Roma.
– Boca fala, boca paga.
– Na boca dos discretos, o público é secreto.
– Na boca do mentiroso, o certo é duvidoso.
Finalizando o mês de agosto (do folclore): Mário Souto Maior, vale lembrar, é um dos mais importantes pesquisadores do Brasil.
“Retratista da terra e da gente, analista da alma popular, guardador cioso do imenso repositório folclórico” ele – a cada livro editado – entregou um pouco da cultura popular que fala desse Brasilzão de Deus… a nossa terra!









