(Pela noite santa…)
Eles são tão antigos quanto belos. Os tradicionais Ternos de Reis, manifestação folclórica sedimentada nos relatos da Sagrada Escritura é um legado que os açorianos nos trouxeram, sendo presença marcante em inúmeras cidades gaúchas.
As “cantorias” giram em torno da “estrela guia”, “nascimento do salvador”, “Reis Magos”, “presépio”, etc.
Em poucas palavras, a visita de rancho em rancho, de casa em casa, segue o seguinte ritual: chegada, licença para entrar, anunciação, louvação, agradecimentos e despedida.
O objetivo dessas visitas, varia de Terno para Terno. Uns, cantam pelo simples prazer de louvar o nascimento do “Divino Tropeiro”; outros, já saem esperando uma justificada retribuição em forma de “comes e bebes” ou, quem sabe, alguns trocados, tornando assim mais “gordo” seu Natal. Eles cantam de 24 de dezembro a 6 de janeiro.
Assim, lá vão eles estrada a fora, com seus cânticos…
“Agora mesmo chegamos
na beira de seu terreiro;
para cantar e tocar,
licença peço primeiro”.
“Meu senhor dono da casa / acordai desse sono profundo;
venha ver os Três Reis Magos, / louvando Deus pelo mundo”.
“Porta aberta, luz acesa, / sinal de muita alegria;
entra eu, entra meu Terno / entra toda a companhia”
“Meu senhor dono da casa / escute que está bem visto;
viemos trazer-lhe notícias / do nascimento de Cristo”.
“A estrela que nos guia,
é que dá o esplendor;
é nascido Jesus Cristo
filho de Nosso Senhor”.
Os Ternos de Reis – que encerram suas visitas no dia 06 de janeiro, Dia de Reis – expressam em seus cantares simples, além da religiosidade rural, o folclore mais puro de várias regiões do Brasil e principalmente do Rio Grande do Sul.
Aqui, entre outros, ainda podemos apreciar as cantorias do Terno de Reis Irmãos Seibt que, há mais de 50 anos, canta e encanta as noites do ciclo natalino em Canela… a nossa terra!









