(ao “de redor” dos fogões…)
A cada cuia, a cada mate, eles recordam muitos e muitos causos. Tudo está, parece, “enfileirado” a espera de ser contado. Vivos, apesar dos tempos e, ao mesmo tempo atuais.
Os causos, verídicos ou fruto da imaginação, são muito comuns no dia a dia da gauchada e, até mesmo, nos centros urbanos.
Um dos mais lidos e competentes contadores de causo da atualidade, o jornalista Paulo Mendes, escreveu vários livros sobre o tema, com causos como o “Na hora do mate 2”, que segue.
“……….. Enquanto enche a cuia, Gildinho ri e lembra de outra contada pelo Venturino, que ouvira do cumpadre Lagoa. Diziam que um fazendeiro da fronteira, seu Juvêncio, fizera amizade com um tal de Gutierrez, fazendeiro correntino do outro lado do rio. Ficaram amigos de ir no banheiro sem fechar a porta. Um dia, mateando, Gutierrez olha pro Juvêncio e diz num portunhol enrolado “pôs Juvêncio viejo, se un dia tu vieres a morir, yo voy a te enterrar em tu tierra, na pampa brasileña. Tu corpo vai virar adubo, lãs vacas van a se alimentar de uma grama muy hermosa, vão defecar mucho e entonces voy a decir, mirando aquele esterco todo: Juvêncio, como estás mudado…”.
Juvêncio, pensa um pouco e responde: “da mesmo forma, amigo velho, se tu morreres antes de mim, te enterro aqui na tua querência, na Argentina. Teu corpo também vai virar adubo. O pasto vai nascer forte e verde, a boiada vai se alimentar e, lógico, deixar o esterco espalhado pelo campo. Ao ver aquilo tudo, então vou dizer, mas amigo Gutierrez, que coisa louca, o tempo passou mas tu não mudaste nada…” .
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“Eu não levo nos arquivos, / desta farmácia caseira,
arrogância curandeira / nem ganas de saber tudo
é apenas simples estudo / da Medicina Campeira.
É por demais conhecida / a farmácia campesina!
Ora grosseira, ora fina, / mesmo rude, é coisa nossa,
há quem diga que faz mossa / nos tratos da Medicina”.
Versos da poesia “Medicina Campeira” de Jayme Caetano Braun, autor dos livros “Galpão de Estância”, “De fogão em fogão”, “Potreiro de Guachos”, “Vocabulário Pampeano”, entre outros.
Jayme Guilherme Caetano Braun nasceu em 1924 na sua tão cantada “Bossoroca”, em São Luiz Gonzaga, e faleceu a 08 de julho de 1999 em Porto Alegre, capital da nossa terra!









