E não é que Felipe Mazurana produziu um curta-metragem bem interessante? Esse canelense de 29 anos, que trabalha no marketing do Skyglass, sempre gostou de criação (é publicitário) e fotografia. Tinha um projeto de um documentário que, ao ser contemplado na Lei Paulo Gustavo, do Ministério da Cultura, saiu do papel e foi para o digital.

Durante meses Felipe (na foto, gravando no Parque do Lago) captou as imagens de Canela que deram vida a Canela Flaneur. A figura do flâneur surgiu como um tipo literário do século XIX, o homem explorador urbano a vagar pelas ruas de Paris, como bem explicou o poeta francês Charles Baudelaire (1821 – 1867). O curta de Mazurana, onde a câmera é o flâneur, se destaca por ter uma proposta acessível e inclusiva, contando com legendas e linguagem simples, para que diferentes públicos letrados ou não possam apreciar a obra.
O resultado é um pequeno mosaico de situações em que protagonistas o foram sem saber. O enredo é tão simples (Felipe diz inexistir) quanto pitoresco e apresenta a cidade de Canela com novos contornos, com um olhar poético sobre o espaço urbano. Alguém que exagerou na bebida… uma mamãe quero-quero… uma mulher à espera do ônibus… “situações infraordinárias”, chama assim o produtor. Canela Flaneur já teve duas exibições em Canela e você pode assistir na plataforma de vídeo Vimeo.com.
O TALENTO DA TERRA BRILHA NA FRONTEIRA

O Grupo Retruco foi quase à Argentina para mostrar a qualidade da melhor música gauchesca canelense. Na noite de seis de setembro, o coletivo nativista, formado por Léo de Abreu, Daniel Almeida, Bruno Rauber e Júlio César Oliveira, mais Gabriel Castilhos, conquistou o segundo lugar no 9º Festival do Candieiro Poesia e Canto, realizado no CTG Sinuelo do Pago, em Uruguaiana. Quase vencer um dos grandes festivais do Estado, com “Sina Encardida”, foi motivo de orgulho para Canela, evidenciando a qualidade dos artistas locais.
A interpretação do cantor Bruno (à direita) – uruguaianense, por sinal – foi um dos pontos altos da apresentação, chamando a atenção do público e da comissão avaliadora pela força expressiva e pela sintonia com a proposta da canção, que em uma estrofe diz: Se eu pudesse escrever / Tudo o que penso / Que verso bem loco / Cada gole que desce / A mente enaltece / De tudo meio um pouco.

FESTA NO INTERIOR

São muito autênticas as festas tradicionais em comunidades interioranas, promovidas pelos moradores locais, muitas vezes distantes das sedes dos municípios. Muitas dessas festas, geralmente com apelo religioso e que resgatam tradições, após anos e anos congregando os locais se expandiram e passaram a atrair visitantes – primeiro os “do centro” das cidades, depois gente de outros lugares. Um exemplo são os filós italianos na 3ª Légua, interior de Caxias do Sul. Ao recebermos a visita da rainha e princesas do Kerb im Tannenwald, na localidade de Pinhal Alto, interior de Nova Petrópolis, tomo esse evento como outro bom exemplo. Após 20 anos ininterruptos de realização, atingiu o patamar de dispor de lei de incentivo. Ouvindo os depoimentos da corte, com a rainha Adeline Weber e as princesas Sara Freitas e Scheila Voltz, fica evidente o orgulho das moças em ser, antes de nova-petropolitanas, genuinamente do Pinhal Alto. Valorizam o seu chão e não pensam em abandonar a sua comunidade, mesmo interiorana. O Kerb im Tannenwald tem variada programação de quatro dias e acontecerá de 18 a 21 de setembro próximos. Saiba mais no Instagram @kerbimtannenwald.

Júlia Corrêa Borges, dez anos, enfeita a página com seu orgulho e simpatia ao se formar no projeto Bombeiros Mirins de Gramado. Já tem nome de guerra: Borges. Ela ainda vai ajudar muita gente.









