(Falando em sabedoria popular…)
As vivências no interior e, também, no meio urbano, guardam uma rica coleção de histórias que falam no dia a dia de uma comunidade.
Por ocasião do Raízes de Lagoa Vermelha, as professoras Lilian Argentina e Sônia Siqueira Marques, do IGTF, apresentaram vasta amostragem sobre o Folclore naquela região…. Lembramos de alguns:
O batizado caseiro
Na falta de padres, era comum a madrinha molhar um raminho verde em água com sal, fazer uma cruz sobre a cabeça da criança dizendo: “Te batizo, em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo”. Criança que nasce morta, também é batizada.
As excelências
Era costume cantar as “encelências” nos enterros, puxada por um rezador. Em número de nove. Seis, cantadas na cabeceira do morto e as outras três, ao redor. “Uma ‘encelência’, minha Virgem do Rosário, que do vosso ventre, nasceu o sacrário. Duas ‘encelência’…….Três….”.
Crendices de Ano Novo
É “obrigatório” o consumo de lentilha, pois representa a boa fortuna. Também comem carne de porco (leitão), pois o bicho “fuça pra frente!”, o que sugere progresso. Por outro lado, evitam nessa data comer carne de galinha, pois “cisca pra trás” isto é, atraso!
Diversões
Muito esperados os bailes, por serem “de vez em quando”, pois os gaiteiros eram raros. Assim, tinham as chamadas “domingueiras” improvisadas, que entravam noite adentro iluminadas por candeeiros e lampiões. Aí improvisavam várias brincadeiras, como a dança da vassoura, do chapéu e a “meia-canha”, onde os dançarinos improvisavam versos.
As “Carreiras” eram outra diversão para a família toda, onde havia grande movimentação de pessoas, inclusive de outras localidades. Montava-se forte “comércio” de comes e bebes, churrasco, música, etc.
Culinária
Do salão, para a cozinha! Apesar de sempre haver quem cozinhasse algo novo ou de outro lugar, a cozinha mantinha os pratos de aceitação popular, que não deixava de ser bem variada. Entre esses, estava o mocotó, a feijoada, os pratos com verdura, o arroz (com galinha ou charque), os cozidos, os assados.
E os doces, meu Deus! Tudo que era doce em calda, frutas e legumes. Rapadurinhas, sequilhos, biscoitos. Além do famoso arroz doce, do sagu e da ambrosia. Tudo, vale dizer, feito sem pressa, ao ritmo da experiência e ao calor de um fogão à lenha.
Conforme o folclorista Alceu Maynard Araújo, “através da memória coletiva, o povo exterioriza sua sabença…” tal qual vemos em muitas localidades aqui no Rio Grande do Sul… a nossa terra!









