(Uma visagem do campo…)
Muito comum – em tempos idos… antigamente – nas conversas no dia a dia, referir-se à sede da fazenda como “as casas”. E este termo “casas”, compreendia um grande complexo habitacional: a casa de moradia do proprietário, os galpões, as estrebarias, os chiqueiros, a casa de algum capataz, a casa da lenha, do queijo, da água, etc…
Hoje, infelizmente, quase em desuso!
Jairo Lambari Fernandes, em sua música “Cena de campo”, em seus versos diz “meu rumo é direito às casas………..”, e, mais adiante, “e já avisto a cancela do rancho que abriga meu coração”………..
Já o escritor Juan D. Isernhagen em seu livro “Pueblito – Contos do sul do mundo”, descreve a lida diária no campo e traz, com grande destaque, um retrato dessas importantes rústicas construções:
Essas velhas casas das estâncias
“Não se consegue colocar numa moldura
as agruras e alegrias dessas casas.
Não se descreve no mais belo dos poemas,
altivez e penas, vivenciadas em tantas quimeras…
As casas grandes com varandas rodeadas
miram estradas: aquele que chega e quem se vai…
Foram abrigo e viram tantos herdeiros,
tantos campeiros seguindo os trilhos do pai…
As velhas casas têm mistérios: sentimentos.
O seu sustento a atravessar anos a fio,
gerações que chegam e que passam lentamente,
que a vivem e sentem… Mas que passam feito rios…
Que a vivem e sentem… Mas que passam feito rios.
Tantas cirandas formaram-se nos terreiros,
frente aos potreiros e figueiras das estâncias.
Sombras das casas espichadas pelas tardes,
pra sorver mates, mirando as artes das crianças.
No interior das casas grandes e dos homens,
têm mesas grandes, fartas de esperanças.
E janelas abertas mirando horizontes
partindo um, para chegar outra herança…”.
Assim, “as casas”, em seu simbolismo, são depositárias da mais pura história de um lugar e seu povo, além de fiéis guardiãs da memória de várias gerações.
Mesmo mudas, retratam atos e fatos… E são hoje, testemunhas de diferentes fases da história do Rio Grande do Sul… a nossa terra!









