Vinho, o produto final. Seu encanto e magia começam pelas várias histórias, estórias e lendas do seu surgimento – muitas delas me encantam e fascinam. Entre guerras, pragas e migrações, ele sobreviveu a tudo. Sobrevive, renasce, se recria. Tudo começa nas regiões onde crescem os parreirais, cada um com suas particularidades, seus terroirs, que farão nascer diferentes cores, aromas e sabores que surpreendem em nossas taças.
Seu processo, de tão simples, chega a ser complexo – e quanto mais se estuda o tema, mais se tem a aprender. Não há comida que não se harmonize com um bom vinho, e essa combinação é simplesmente fascinante. Me encanta aprender, me encanta degustar, me encanta pensar nos meus pratos combinando com as cores, aromas e sabores que farão um casamento perfeito.
Mas vem cá, por que estou falando nisso mesmo? Claro, começamos na última coluna a falar sobre o que motivou meu menu Roteiros do Mundo. Comecei pela Borgonha, realmente icônica e mais difundida aqui no Velho Mundo por sua fama e notoriedade. Mas hoje vou trazer uma das rotas da França que mais me encanta – Alsácia.
Percorrer a Alsácia, sua rota de vinícolas e sua gastronomia, é um susto: francesa, alemã… afinal, qual sua identidade?
A animosidade enfrentada por séculos entre França e Alemanha foi uma das grandes disputas por território na história e, somente com o fim da Segunda Guerra, em 1945, a Alsácia se tornou definitivamente território francês. Mas hoje a convivência é harmoniosa – eu disse harmoniosa.
Bom, mas vamos falar da Alsácia em si. Uma rota simples, romântica, colorida e com muita qualidade. Não importa quais vinícolas você visite ou a quais restaurantes vá – tudo é muito aconchegante e entremeia tradição e modernidade. O resultado é prazer: prazer aos olhos, ao nariz, ao paladar, enfim…
A elegante região tem muita história a contar. Ali nasceu o foie gras, um ícone da cozinha francesa, adotado pelo mundo, mesmo frente às atuais controvérsias ambientais. Ainda assim, a culinária alsaciana é predominantemente de origem alemã e mantém fortemente essa influência – e isso não é uma contradição.
Sua gastronomia é encantadora, com sabores potentes alemães, mas com uma certa sutileza da elegância francesa. Que combinação!
Uma das grandes e clássicas regiões do Velho Mundo do vinho é também a maior região produtora de cervejas da França, graças às inúmeras cervejarias que podemos encontrar em Estrasburgo, a capital da região, que conta com sua conhecida água mineral, agregando inestimável qualidade à sua produção.
A rota dos vinhos alsacianos é encantadora e florida. Por ser uma região bem fria, seus brancos são muito aromáticos, onde o Riesling tem predominância – mas sem esquecer da Gewurztraminer, seu “bracinho” alemão.
Os principais produtores da Alsácia são Domaine Zind-Humbrecht, Domaine Weinbach, E. F. Trimbach, Marcel Deiss, Albert Mann, Dopff au Moulin, Hugel & Fils, Kuentz-Bas, Bruno Sorg e Paul Blanck.
Dá para fazer toda a região de carro, se você tiver um tempinho pra isso e sem se estressar arrumando mala e trocando toda hora de hotel. Colmar é minha dica para desfazer as malas. Na minha opinião, se você quer dormir bem, comer bem, degustar excelentes vinhos e, de quebra, aquecer sua relação – vá pra Alsace!
Antes disso, informe-se para poder desfrutar na totalidade tudo o que a região tem a oferecer. Você pode se hospedar em históricos châteaux, que vão do século XV aos mais modernos hotéis com spa e toda a infraestrutura. No entanto, sem glamour – apenas charme, muito charme.
Uma coisa é obrigatória por lá: harmonizar. Cada prato com seu vinho, cada vinho com seu prato e… Bon appétit!









