Na semana passada, estive pela primeira vez na Feira Brasileira do Varejo. Apesar de não estar diretamente ligada à minha área de atuação, que é o setor de serviços, foi uma experiência bastante enriquecedora. Lá, tive a confirmação de algo que tem me inquietado e despertado grande interesse nos últimos tempos: a inteligência artificial realmente vai transformar nossas vidas. Seja no varejo ou em qualquer outra área do conhecimento ou do trabalho, essa tecnologia promete mudar radicalmente a produtividade e os processos. Se a Revolução Industrial potencializou o trabalho braçal e nos permitiu ampliar de forma significativa a produção de bens físicos, a inteligência artificial, por sua vez, irá potencializar nossas mentes e nossas capacidades cognitivas — possibilitando uma geração e processamento de conhecimento sem precedentes na história da humanidade.
Ao contrário dos mais pessimistas e apocalípticos, acredito que, assim como ocorreu em todos os grandes saltos tecnológicos que já vivenciamos, seremos capazes de nos adaptar e gerar ainda mais riqueza e bem-estar para a humanidade. Apesar do que muitos tentam nos fazer crer, foi graças à Revolução Industrial que hoje, mesmo uma pessoa humilde pode desfrutar de uma qualidade de vida superior à de muitos nobres da Idade Média. Apesar de sermos mais de 7 bilhões de habitantes no planeta, avanços como a tecnologia alimentar, as vacinas, os antibióticos, o saneamento básico, entre outros, tiraram grande parte da população da pobreza extrema. Para se ter uma ideia, quase 1 milhão de pessoas deixam a condição de pobreza absoluta todos os dias. Passamos de um cenário em que 90% da população vivia nessa situação no século XIX para cerca de 10% nos dias atuais.
É verdade que já avançamos muito, mas também é inegável que ainda há muito a evoluir. E é justamente aí que as novas tecnologias podem fazer a diferença, revolucionando tarefas e atividades que hoje são difíceis ou inacessíveis para muitas pessoas. Basta imaginar o potencial da inteligência artificial em áreas como a educação e a saúde. Pensem na revolução que será quando agentes de IA conseguirem chegar a comunidades remotas, onde médicos e professores não conseguem atuar.
Por exemplos como esses, acredito que colheremos muitos benefícios com a inteligência artificial. Esta pode ser, provavelmente, a tecnologia de adoção mais rápida da história. Enquanto a internet levou cerca de 20 anos para alcançar 80% da população, estima-se que a inteligência artificial levará pouco mais de dois anos para atingir esse mesmo patamar. Quem sabe o Brasil, desta vez, consiga aproveitar esse potencial extraordinário de geração de riqueza e desenvolvimento?
É um desafio, sem dúvida, mas temos algumas vantagens competitivas importantes — como a abundância de água, essencial para o resfriamento dos datacenters que processam IA, além do nosso potencial de geração de energia, seja ela solar, eólica ou hidrelétrica.









