Canela, historicamente reconhecida pelo clima acolhedor, forte senso de comunidade e vocação turística, atravessa um momento de reflexão sobre segurança pública. A cidade, que por muitos anos ostentou baixos índices de violência, foi surpreendida nas últimas semanas por episódios pontuais de criminalidade, especialmente homicídios, tiros em via pública e incêndios criminosos que despertaram atenção dos moradores, autoridades e do setor produtivo. Desde o início do ano, a disputa protagonizada por duas facões criminosas pelo controle do tráfico de drogas já resultou em cinco homicídios. Três foram praticados no mês de julho, além de uma sequência de incêndios criminosos, onde os alvos foram moradias e pontos de venda de entorpecentes pertencentes a grupos rivais.
Apesar do impacto inicial, os indicadores mostram que o cenário não representa um colapso, mas um chamado à mobilização. O sentimento de inquietação legítima impulsionou a sociedade a cobrar respostas, demandar transparência e movimento coletivo, construindo pontes entre cidadão e poder público. Esse ambiente de diálogo aberto contribui para que Canela mantenha sua essência: um lugar onde relações de confiança, respeito e comprometimento formam a base da convivência, e onde as soluções surgem do trabalho conjunto.
O papel das forças de segurança, com destaque para a Polícia Civil, tem sido central nesse processo. Investigações rigorosas, prisões expressivas, operações conjuntas e estratégias de integração comunitária são partes de um esforço contínuo para garantir tranquilidade à população. Ao mesmo tempo, programas preventivos e canais diretos de diálogo — como o “Papo de Responsa” e iniciativas de denúncia anônima — demonstram que a resposta à criminalidade ultrapassa a repressão, exigindo engajamento social, participação de todos e planejamento policial.
ESCLARECIMENTOS
O Jornal Nova Época (NE), fiel à sua missão de informar com seriedade e isenção, apresenta a seguir uma entrevista exclusiva com o delegado Vladimir Medeiros, responsável pelo trabalho da Polícia Civil em Canela. O objetivo é esclarecer os fatores que motivaram os recentes acontecimentos, detalhar os desafios enfrentados e ressaltar os avanços já alcançados pela Polícia Civil. A entrevista traz respostas objetivas e transparentes, da autoridade policial promovendo um debate aberto, sem alarmismo e com foco no interesse público.

EM RECENTES ações, Polícia Civil tem freado a criminalidade
INVESTIGAÇÃO E REPRESSÃO QUALIFICADAS
ENTREVISTA COM O DELEGADO VLADIMIR MEDEIROS
Delegado Vladimir Medeiros chefia a Polícia Civil em Canela há 11 anos

NE- Qual é a sua avaliação sobre as principais motivações por trás dos homicídios ocorridos em Canela nos últimos meses?
Delegado: Até estes crimes de julho, Canela teve dois homicídios apenas, o que é considerado um número baixo, se considerarmos que já tivemos até 15 mortes violentas no município em anos recentes. O que observamos nas últimas semanas é o acirramento na disputa entre grupos criminosos rivais, com uma escalada de violência entre seus membros.
NE: Existe algum padrão ou característica comum nesses crimes que a Polícia Civil tenha identificado?
Delegado: São crimes típicos de execução, em que o grupo criminoso, para intimidar o rival, utiliza de violência extrema.
NE: A Polícia Civil tem trabalhado em conjunto com outras forças de segurança, como a Brigada Militar, para investigar e prevenir esses crimes?
Delegado: O trabalho das forças de segurança, seja em Canela ou na região, sempre é realizado de forma articulada conjuntamente, o que tem sido intensificado nos últimos dias.
NE: Como se dá essa colaboração e quais são os principais resultados práticos já observados?
Delegado: O trabalho da Polícia Civil é sigiloso, com as investigações ainda em andamento. Esses detalhes não são revelados.
NE: O tráfico de drogas é frequentemente apontado como um dos principais fatores associados à violência na região. Como a Polícia Civil está atuando para combater o tráfico em Canela?
Delegado: O tráfico de drogas é o pano de fundo para esta criminalidade recente. Os grupos criminosos rivalizam pelo mercado ilegal de venda de entorpecentes. Assim, o combate ao tráfico sempre é prioridade para a Polícia Civil de Canela, que detém excelentes resultados de prisões e grandes apreensões de drogas. Em Canela, todos os principais traficantes, inclusive lideranças, estão presos, seja do primeiro, segundo ou terceiro escalões.
NE: Existem operações específicas ou estratégias diferenciadas em andamento?
Delegado: Além do combate à criminalidade regular, a Polícia Civil de Canela está empenhada nas investigações relacionadas aos homicídios mais recentes e seus atos correlatos, como incêndios a residências. O objetivo é responsabilizarmos todos os criminosos em todos os fatos, não deixando sequer um impune. É o compromisso da equipe da Delegacia de Polícia de Canela com a comunidade.
NE: Os resultados das operações e investigações realizadas até agora estão atingindo os objetivos esperados em termos de redução da violência e contenção do tráfico?
Delegado: Tenho muito orgulho dos resultados da Delegacia de Polícia de Canela. Eles me permitem olhar a comunidade de maneira transparente. Desde que assumi em Canela, ainda em 2014, já enfrentamos mais de 80 homicídios, feminicídios e latrocínios, sendo 99% deles esclarecidos, com investigações concluídas e seus autores presos. Quanto aos fatos mais recentes, a comunidade pode ter a mais absoluta certeza de que a equipe está trabalhando intensamente para apurar todos os criminosos responsáveis, não deixando nenhum fato grave sem resposta enérgica.
NE: Há indicadores ou estatísticas que demonstrem a eficácia das ações?
Delegado: A Delegacia de Polícia de Canela monitora os índices de criminalidade na cidade diariamente. Além do combate aos homicídios e ao tráfico — cujas ações foram intensificadas nas últimas semanas, com grandes operações, apreensões e prisões —, outros índices positivos devem ser considerados, como a queda, ano após ano, dos roubos a pedestres ou de veículos. Em 2025, foram registrados apenas 4 roubos a pedestres, sendo que em 2015 foram 66 casos. Em relação ao roubo de veículos, Canela já chegou a registrar sete casos no ano de 2016, mas atualmente não tivemos sequer um registro desse tipo em 2025. Houve uma queda considerável nos crimes graves, embora tenhamos tido um julho atípico na criminalidade.
NE: Quais são os próximos passos que a Polícia Civil pretende dar para enfrentar a questão da violência e do tráfico de drogas em Canela?
Delegado: A estratégia é permanente, sempre atenta às movimentações dos criminosos em Canela. O foco é, há muito tempo, nas lideranças, buscando cessar suas capacidades de comando. Ações visando ao patrimônio dos criminosos, com técnicas eficazes de investigação policial, resultaram em bloqueios de contas-correntes, sequestro e apreensão de imóveis, bens e valores. Atuamos também junto ao sistema prisional, realizando transferência de lideranças para presídios distantes ou inclusão em regime diferenciado de cumprimento de pena. O compromisso é não deixar nenhum crime sem responsabilização penal.
NE: Estão previstas novas operações, parcerias ou estratégias que podem ser compartilhadas com a população?
Delegado: Sempre.
NE: Como a Polícia Civil está trabalhando para ganhar a confiança da população, fundamental para o sucesso das investigações e prevenção de crimes?
Delegado: A comunidade sempre confiou no trabalho da Polícia Civil de Canela. Tenho muito orgulho da equipe que conseguimos formar na Delegacia ao longo desses anos, com mulheres e homens íntegros, capazes e que realizam suas atividades muito além das obrigações legais. Estamos prontos para enfrentar qualquer tipo de criminoso ou criminalidade. Não tenham dúvida.
NE: Existem programas comunitários, campanhas educativas ou canais diretos de denúncia?
Delegado: O trabalho da Polícia Civil é, primordialmente, de repressão, ou seja, de atribuir responsabilidade ao autor de um crime praticado. Mas a equipe também atua fortemente na prevenção, especialmente através do programa Papo de Responsa, no qual policiais civis vão a escolas e à comunidade para conversar diretamente com alunos e cidadãos. Os resultados são imediatos e eficazes. Este é um caminho necessário e que gera frutos permanentes. Quanto às denúncias, podem ser encaminhadas, inclusive anonimamente, para o whatsapp da Delegacia de Polícia de Canela.
NE: A falta de infraestrutura ou recursos é um desafio comum para as forças de segurança em muitas cidades. A Polícia Civil em Canela enfrenta algum desafio específico nesse sentido?
Delegado: Os esforços são permanentes para mantermos e melhorarmos a estrutura de trabalho, seja para desenvolvermos nossas atividades policiais, seja para bem recebermos a comunidade. Com o auxílio de diversos órgãos públicos e privados, em especial do MOCOVI, a Polícia Civil de Canela conseguiu avançar muito nos últimos anos, com a construção de um prédio novo (a ser inaugurado em breve), reformas estruturais, viaturas e outros instrumentos de trabalho. A comunidade, que sempre acreditou muito no nosso trabalho, está sempre disposta a nos auxiliar.
NE: Qual é a mensagem que o senhor gostaria de transmitir aos munícipes de Canela neste momento de preocupação com a violência?
Delegado: Nenhum crime grave ficará sem a devida resposta. Nenhum! O compromisso da equipe é continuar trabalhando com muita dedicação e seriedade. Entendemos que somos responsáveis pela segurança da comunidade canelense, bem como por manter o destino turístico como o mais seguro do país. É uma dupla responsabilidade que levamos sempre conosco em cada ação policial, em cada inquérito instaurado, em cada prisão.
NE: Há algum apelo ou orientação especial que a Polícia Civil deseje fazer à população?
Delegado: Denúncias podem ser encaminhadas para o Whatsapp da Delegacia de Polícia.









