Uma data histórica, quando não lembrada, cai no injusto balaio do esquecimento. É para resgatá-la, dar-lhe a devida importância, que em cada lugar existem os preocupados com a memória. Em Canela, um dos cidadãos que se sobressaem na pesquisa das nossas raízes é Marcelo Wasem Veeck (49), funcionário público municipal que estuda fatos dos antepassados tendo com ponto de partida a curiosidade, desde menino, sobre o que fizeram seus próprios ancestrais*. Marcelo lamenta o fato de, em 2024, a comunidade canelense não ter comemorado à altura o centenário da instalação da linha do trem que chegou aqui e foi um dos maiores vetores do nosso desenvolvimento. Mas um fato marcante vai, em grande parte por iniciativa de Marcelo, merecidamente ser homenageado no dia 2 de março: os 100 anos da criação de Canela como Distrito de Taquara. Muito se fala e a cada 28 de dezembro se festeja a nossa Emancipação Política, ocorrida em 1944. No entanto, ela foi o passo seguinte da grande arrancada que significou nos tornarmos um distrito, 18 anos antes. Deixávamos de ser aquele povoado, muito distante, completamente dependente do município-sede, a imensa Taquara. Sermos promovidos a distrito significou o nascedouro da administração pública em Canela. Passamos a ser uma sub-intendência. Ensejou iniciarmos a implantação da estrutura de uma pequena cidade. CIDADÃOS presentes na instalação do Sexto Distrito de Taquara, com sede em Canela, em 14/3/1926. Na primeira fila, da esquerda para a direita (a partir do 6º): Major Nicoletti, Cel. Diniz Martins Rangel, João Manoel Corrêa, Cel. João Corrêa Ferreira da Silva, Henrique Muxfeldt, Alfredo Rangel e o juiz Dr. Júlio Casado, entre outros.Foto do livro: Canela por Muitas Razões O PORQUÊ DO 6º DISTRITO Nos idos de 1926, conta Marcelo Veeck, o 5º Distrito de Taquara já existia há cerca de 30 anos e a ele pertenciam Gramado e Canela. A chegada do trem, em 1924, aflorou a necessidade de maior autonomia para as localidades que, a partir de então, se desenvolveriam com grande rapidez. Transportando cargas e passageiros, o trem traria riqueza. Pessoa de livre trânsito no Palácio Piratini, João Corrêa Ferreira da Silva era amigo do então governador (entitulava-se presidente, à época) Borges de Medeiros e começou a gestionar por mudança na localização da subintendência. Como a sede do 5º Distrito era na distante Linha Bonita, em Gramado, também a figura do Major José Nicoletti, subintendente, assumiu protagonismo naquele episódio.Era ponto pacífico que, quanto mais perto tudo estivesse da linha do trem, melhor. Não atendendo à solicitação de João Corrêa de trazer a subintendência para o Campestre Canella (em troca Nicoletti ganharia umas terras) Nicoletti transferiu então a sede, da Linha Bonita, para Gramado. Criado o impasse, o coronel João Corrêa fez valer o seu peso na política estadual (era correligionário de Borges de Medeiros no Partido Republicano Riograndense), sua influência junto ao governador e o fato de a maior autoridade no 5º Distrito, o intendente em Taquara, ser seu filho mais velho, João Manoel Corrêa, o Janguta. “A solução veio através da força da caneta de Janguta, que dividiu o 5º Distrito, dando origem ao 6º, cuja subintendência passou a ser em Canela”, diz Marcelo Veeck. A sede da 6ª subintendência foi instaurada na Rua Dona Carlinda, ao lado do local onde hoje está a Prefeitura de Canela. Curiosidade: na mesma construção, um espaço para a cadeia. Começou a ser implantado um aparato de serviços públicos. Passamos a contar com delegado e delegacia, um cartório de registros, uma paróquia própria (a de Nossa senhora de Lourdes) e até um grande clube social e esportivo, o Serrano. Assumindo importância como provedora de energia elétrica para lugares distantes, em Canela já se planejava a construção da usina hidrelétrica da Toca, obra custeada pela Intendência de São Leopoldo, cujas fábricas já necessitavam de muita energia. A inauguração da usina aconteceu em 1929. Apenas 18 anos após a ascensão a distrito, Canela se tornou município, um fato digno de nota. A pujança da economia, a força de trabalho das colônias alemãs, dos italianos que vieram para se dedicar principalmente ao comércio, dos luso-brasileiros que aqui transitavam e a ligação com as atividades agro-pastoris de São Francisco de Paula foram molas propulsoras. “Foram a gênese da nossa emancipação política”, pontua Marcelo Wasem Veeck. João Manoel Corrêa UM POUCO DA HISTÓRIA DOS WASEM VEECK O patriarca da família Veeck, que era do ramo da lapidação de pedras, veio da Alemanha em 1826 e instalou-se em São Leopoldo. O bisavô de Marcelo, depois de viver no Vale do Caí, escolhe em 1912 estabelecer-se no Caracol – à época, o nascedouro de Canela. Marcelo Wasem Veeck É no Caracol que se unem as duas ascendências de Marcelo, os Veeck e os Wasem – estes últimos, também originários da Alemanha. Eles ocuparam o Campestre Canella e, em 1872, passaram a ser proprietários de grande porção de terras devolutas no Caracol, onde o trabalho na terra foi difícil e encontraram uma cascata maravilhosa. CRIADO EM 2 DE MARÇO, INSTALADO DOZE DIAS APÓS Na transcrição da Ata da Sessão de Instalação do 6º Distrito de Taquara consta data e hora: “Aos quatorze dias do mês de março de 1926, às 10 horas, em prédio de propriedade do Sr. Danton Corrêa, próxima da estação da Estrada de Ferro, no Canella (…)”. A família Corrêa, então, acolhia a Sessão de Instalação do 6º Distrito, na figura principal de João Corrêa Ferreira da Silva, que presidiu a Sessão e foi o primeiro signatário da Ata com 99 nomes. Presenças ilustres foram o Intendente Municipal de Taquara, João Manoel Corrêa (de apelido Janguta), o coronel Diniz Martins Rangel e o Dr. Fernando Pereira. Henrique Muxfeldt foi nomeado para o cargo de subintendente do 6º Distrito de Canela. A lembrança do evento A Instalação sacramentava o Ato nº 309, de 2 de março de 1926, portanto essa deve ser considerada a data histórica. Neste primeiro Livro de Atas oficial de Canela – para nossa sorte digitalizado porque o exemplar físico está em local não sabido -,
Miron – 716
A PINTURA DO MEIO FIO Vendo a foto de Leonid Streliaev, logo dá para entender por qual razão os meios fios estão borrados de tinta, com respingos até no próprio asfalto. Isso quando não derrubam a tinta na pista, fazendo uma meleca enorme. Foto: Leonid Streliaev 43,4% DE OBESOS A obesidade no Brasil saltou 118% entre 2006 a 2024, chegando a uma proporção de 1 a cada 4 adultos no país (25,7%), mostraram os novos dados da pesquisa Vigitel, levantamento anual conduzido pelo Ministério da Saúde. Considerando o sobrepeso, quando o índice de massa corporal (IMC) ultrapassa 25 kg/m², a alta foi de 46,9%, e o quadro agora acomete a maioria dos brasileiros (62,6%).Os números colocam o país em um cenário acima da média global. Segundo dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 16% dos adultos têm obesidade no planeta, e 43% têm sobrepeso.De acordo com o levantamento, Canela tem um índice de 43,4% de obesos. A maioria dos casos (24,8%) encontra-se na obesidade grau 1, com IMC entre 30 e 34,9. No grau 2, com IMC entre 35 e 39,9%, está 11,5% da população. 7% dos canelenses estão na obesidade de nível 3, ou seja, com IMC acima de 40. ESTRATÉGIA Depois de levar Marcelo Savi (MDB) para o Departamento de Esportes e Lazer, o prefeito Gilberto Cezar (PSDB) anunciou mais um emedebista no secretariado de Canela. Luciano Melo será nomeado secretário municipal da Fazenda e Desenvolvimento Econômico.Não está clara a estratégia de Gilberto Cezar ao levar para o paço municipal integrantes da oposição. De fora, parece ser um movimento para atrair a simpatia dos cinco vereadores do MDB em votações futuras. EM CAMPANHA De qualquer forma, o ex-prefeito Constantino Orsolin (MDB) mantém ritmo de campanha eleitoral, visitando diariamente moradores de bairros populares de Canela. ARQUITETURA Desde a última quarta-feira (18), todos os projetos arquitetônicos submetidos à aprovação junto à Secretaria de Planejamento de Gramado deverão ser acompanhados da Ficha de Características Arquitetônicas Predominantes, conforme previsto na Lei Complementar nº 10/2025.Para os projetos que se enquadrem na respectiva lei, o documento deve ser preenchido pelo responsável técnico e apresentado na entrada do processo, demonstrando graficamente os elementos arquitetônicos pontuados — como telhado, beirais, oitões, revestimentos e demais itens previstos na lei — com a demarcação das áreas de fachada no projeto digital, para comprovação dos percentuais exigidos. FUNDO SOCIAL Em 2026, a Sicredi Pioneira realiza a Conexão Pioneira – Assembleia em formato totalmente digital, ampliando o acesso dos associados às decisões estratégicas da cooperativa. A transmissão ao vivo ocorre no dia 5 de março, às 20 horas, diretamente pelos aplicativos Sicredi ou Sicredi X. Durante o encontro, os associados poderão definir, entre outros temas, o valor que será destinado a programas sociais e educacionais, como o Fundo Social. Para quem não puder acompanhar em tempo real, a votação permanecerá disponível até o dia 12 de março. PANVEL Dentro do planejamento de abrir entre 50 e 60 lojas por ano, a Panvel incluiu o mercado de Gramado. Esta semana, a rede de farmácias gaúcha inaugurou mais uma loja em Gramado. Fica na rua São Pedro, na esquina com a rua das Fontes. É a sexta unidade da Panvel em Gramado, e a primeira no eixo da rua São Pedro, onde já estão cinco outras bandeiras de farmácias. SUPER COPA Faltam poucos dias para o início da Super Copa Gramado de Futsal. A partir do dia 5 de março começam as disputas, com ingressos gratuitos em todos os jogos, reforçando o compromisso do evento com o acesso da comunidade ao esporte de alto rendimento. As partidas acontecem entre 5 e 13 de março, no Ginásio Perinão, em Gramado.Reconhecida como uma das competições mais charmosas da pré-temporada do futsal brasileiro, a Super Copa reunirá grandes forças da modalidade: Corinthians, ACBF, Magnus, Atlântico de Erechim, Minas Tênis Clube, Cascavel, Campo Mourão e Praia Clube. TOLERÂNCIA A Câmara Municipal de Gramado marcou, segunda-feira (23), o retorno oficial aos trabalhos legislativos com a realização da primeira Sessão Ordinária de 2026, presidida pelo vereador Neri Nascimento (PP).Três projetos de lei de autoria do Executivo deram entrada na Casa Legislativa, entre os quais um que altera o tempo de tolerância para o pagamento do estacionamento pago na área central da cidade. O projeto amplia o tempo de tolerância para regularização da vaga de 10 para 15 minutos. RS-115 (1) O prefeito Nestor Tissot (PP) e o chefe de Gabinete, Rafael Ronsoni (PP), estiveram, na terça-feira (24), na EGR – Empresa Gaúcha de Rodovias. Na ocasião, os representantes do Executivo de Gramado foram recebidos pelo diretor-presidente, Luís Fernando Vanacor, com o propósito de cobrar celeridade na execução de projetos de melhoria na estrutura da RS-115.Foi ressaltada a necessidade de instalação de um sistema de iluminação na rodovia, no trecho entre o Centro e a Várzea Grande, por meio de um projeto apresentado pela Prefeitura de Gramado ainda em 2025. Outra solicitação foi a implementação de uma 3ª pista em pontos estratégicos da estrada, que possibilite maior fluidez ao trânsito. RS-115 (2) A propósito, entre os dias 19 e 22 deste mês, a RS-115 registrou cinco mortes por acidente ou atropelamentos, somente no trecho entre Gramado e Três Coroas. Na mais letal, três ciclistas morreram atropelados por um motorista sem carteira e embriagado.
Chocolate além do doce
Chocolate não é apenas sobremesa. É escolha. É intensidade. É equilíbrio. E entender as diferenças entre os tipos muda completamente o resultado na cozinha. O que separa um chocolate do outro não é apenas a marca, mas o percentual de cacau indicado na embalagem. Esse número revela quanto da barra é composto por massa e manteiga de cacau. Quanto maior o percentual, menos açúcar e mais marcante será o sabor. O chocolate ao leite costuma ter entre 25% e 40% de cacau. É mais doce, cremoso e acessível ao paladar. O meio amargo, entre 40% e 60%, já traz equilíbrio e profundidade. Acima de 60%, entramos no território do chocolate amargo — intenso, menos açucarado, com notas mais complexas. Percentual alto não significa automaticamente melhor qualidade. Origem do cacau e processo de produção fazem diferença. Mas saber escolher o tipo certo transforma uma receita simples em algo memorável. Qual chocolate usar? Ao leite (25% a 40%)Mais doce e suave. Ideal para sobremesas rápidas e combinações com frutas. Meio amargo (40% a 60%)Equilibrado e versátil. Excelente para bolos, brownies e mousses. Amargo (acima de 60%)Intenso e menos doce. Perfeito para ganaches e preparações mais sofisticadas. E agora, três receitas fáceis para experimentar cada versão. Torta rápida de chocolate ao leite com morango (sem forno) Ingredientes:200g de chocolate ao leite1 caixa de creme de leite1 pacote de biscoito maisena3 colheres (sopa) de manteiga derretidaMorangos frescos Modo de preparo:Triture o biscoito e misture com a manteiga até formar uma massa úmida. Forre o fundo de uma forma e leve à geladeira por 20 minutos. Derreta o chocolate, misture com o creme de leite até ficar homogêneo e despeje sobre a base fria. Decore com morangos e leve à geladeira por 2 horas. Brownie com chocolate meio amargo Ingredientes:150g de chocolate meio amargo100g de manteiga2 ovos1 xícara de açúcar½ xícara de farinha1 pitada de sal Modo de preparo:Derreta o chocolate com a manteiga. Misture os ovos com o açúcar, acrescente o chocolate derretido e depois a farinha com o sal. Asse em forno médio por cerca de 20 minutos. O centro deve permanecer levemente úmido. Ganache de chocolate 70% com flor de sal Ingredientes:200g de chocolate amargo (70%)1 caixa de creme de leiteFlor de sal a gosto Modo de preparo:Aqueça o creme de leite até quase ferver. Despeje sobre o chocolate picado e misture até formar um creme liso e brilhante. Deixe esfriar até ganhar consistência e finalize com uma pitada de flor de sal. Chocolate não precisa de ocasião especial. Basta escolher bem, derreter com cuidado e permitir que o aroma tome conta da cozinha. Às vezes, é tudo o que o dia pede.
Social da Samanta – 716
Carlise Bianchi, diretora comercial da Brocker Turismo está na BTL- importante feira de turismo que acontece em Portugal, para divulgar o Rio Grande do Sul como destino. No stand, Carlise recebeu diversas personalidades do turismo, entre eles, João Machado, Presidente da Abav Rio Grande do Sul Foto: Divulgação Caroline Coelho completou 15 anos e estampa esse sorriso lindo! Felicidades neste novo ciclo! Foto: Divulgação Franciele Catelan, Carolina Ruppenthal e Amanda Ruppenthal em recente viagem ao Rio de Janeiro! Foto: Divulgação Renata Cavichion e Gustavo Sachet celebraram os três aninhos da filha linda, Lívia Foto: Divulgação Mara Morgenstern, Patrik e Letícia Morgesntern de Lima em uma foto cheia de amor! Foto: Divulgação Lizi Wilsmann em contato com a natureza do nosso estado Foto: Divulgação Tiago Port no Rio de Janeiro aproveitando a paisagem para colocar o corpo em movimento Foto: Divulgação A Italianinha Fabrisi entregou um mimo da Cantina Pastasciutta para o comunicador da Clube FM Jonas Lazaretti. Ele foi um dos homenageados pela descendência italiana, festejada no dia 21 deste mês em uma ação tradicional da Famiglia Foto: Divulgação
CANELA NA HISTÓRIA
100 anos de Canela como distrito de Taquara O ano de 2026 e, mais precisamente o mês de março, marcam momentos essenciais à constituição de Canela, tal como o município se apresenta na atualidade. Foi em 2 de março de 1926, portanto, há 100 anos, que o território obteve sua primeira grande conquista administrativa, tornando-se o Sexto Distrito de Taquara. O Ato 309 foi emitido em 2 de março, pelo intendente (como eram denominados os atuais prefeitos) João Manoel Corrêa, o Janguta. Duas semanas depois foi criada a instalada a Comissão de Instalação do novo distrito. Quase duas décadas para a emancipação Entre distrito e município, mais de 18 anos decorreram – de 2 de março de 1926 e 28 de dezembro de 1944, data da emancipação. Embora a emancipação seja um fato determinante e, obviamente, de valor histórico, a criação do distrito também merece destaque, por representar o reconhecimento legal de um espaço geoeconômico em implantação, como a semente a germinar e a contribuir com o progresso da região, do Estado e do País. O Memorial Canela sente-se no dever de trazer à luz esse relevante acontecimento agora centenário, assim como de lançar expectativas para que, no futuro, a data constitua o calendário histórico-cultural do Município, inclusive legitimado pelos poderes públicos locais e pela comunidade. Nomes para a nossa história Mais do que Janguta, que assinou o ato elevando Canela à condição de distrito, é para o coronel João Corrêa Ferreira da Silva que se deve ressaltar papel preponderante no movimento de criação do Sexto Distrito. Proprietário rural em Canela, empresário e essencialmente empreendedor de importante atuação estadual, era pai do prefeito taquarense e fez uso de sua ascendência familiar para a conquista hoje centenária. Nomes para a nossa história 2 Entre os que conduziram a sessão solene de instalação do Sexto Distrito, em 14 de março de 1926, estavam Janguta, João Corrêa, Diniz Martins Rangel, Henrique Muxfeldt e o José Nicoletti Filho (subintendente de Gramado, então Quinto Distrito). João Corrêa foi convidado a presidir a sessão, que consagrou Muxfeldt como o primeiro subintendente de Canela. “Canela na História” Espaço gentilmente cedido pelo jornal Nova Época, com conteúdo produzido pelo Memorial Canela. Esta primeira edição teve por fontes publicações de Antônio Olmiro dos Reis, Marcelo Wasem Veeck e Pedro Oliveira, com pesquisa e redação do jornalista Nikão Duarte e design de Cau Broilo. O Memorial Canela É uma sociedade civil independente e sem fins lucrativos, criada em 2022, voltada para o desenvolvimento e a valorização da cultura local e aberta ao público, mantida pelas contribuições de seus associados. Participe!@memorialcanela
A importância da Educação Financeira nas escolas
No Brasil 75% dos jovens (entre 18 a 30 anos) não fazem controles de gastos, e 45% estão com dívidas em atraso, segundo o Serasa. Apesar de um grande número buscar renegociar as dívidas, ele são reincidentes. Aonde estamos falhando? Na ausência de Educação Financeira com inteligência emocional. Vocês já pararam para pensar sobre este assunto, quantos erros evitaríamos em nossas vidas, e decisões diferentes tomaríamos, se em casa e nas escola tivéssemos tido uma Educação Financeira de qualidade, no ensino fundamental e médio.As nossas crianças e jovens, tem cada vez mais dificuldade em lidar com as frustrações, e é aí que entra a inteligência emocional na Educação Financeira: se conhecer, administrar as emoções. Evitando assim que no futuro queiram preencher vazios internos com coisas externas, gerando dívidas. Quando me perguntam se sou a favor da Educação Financeira nas escolas públicas também, aonde temos alunos de família de baixa renda, a minha resposta é: claro que sim! Pois é através da mudança de mentalidade e do conhecimento que essas famílias tem a chance de mudar de condições. É no pouco que começamos uma mudança que vai gerar um resultado que fará toda diferença. Ajudando eles também a despertarem para a importância da renda extra, e como a participação financeira de todos os membros da família é essencial, pois daqui a pouco esse jovem entra no mercado de trabalho, como menor aprendiz, por exemplo, e vai ter uma renda a mais para colaborar com a família. Se ele tiver uma Educação Financeira vai saber o que fazer desde o primário salário, como separar valores para ajudar nas despesas da casa e para as suas despesas pessoais. Vai entender o perigo de usar o cartão de crédito, de parcelar compras, pois sabemos da facilidade que é para esses jovens logo quando entram no mercado de trabalho, se endividarem. Mas independente da classe social, todas as crianças, adolescentes e jovens deveriam ter o direito ao acesso a uma educação financeira com inteligência emocional. Pois assim estaremos formando adultos que saberão ter o equilíbrio financeiro na sua vida, e serão bem sucedidos e prósperos independentemente da carreira que escolherem.Vejo aqui uma urgência da Educação Financeira ser introduzida nas escolas, para o quanto antes essa realidade ser transformada. Temos como pais acordamos para o quanto a Educação Financeira é essencial para termos uma vida financeira equilibrada, sem dívidas, uma vida de qualidade e próspera, pois o exemplo arrasta. Termos a clareza e a consciência da fundamental importância que essa nova geração, nossas crianças e jovens, tenham acesso à Educação Financeira com inteligência emocional nas escolas. Que essa nova geração possa ter acesso a uma Educação Financeira, com uma metodologia de qualidade, de fácil acesso e prática. O conhecimento transforma vidas e traz liberdade de escolhas. Grace Kelly GarciaEducadora FinanceiraFranqueada Efinckids: @efinckids.sm Educação Financeira com Inteligência Emocional
8 de março e 365 de silêncio
No dia 8 de março ele acorda gentil. Compra flores, posta foto, escreve “minha rainha, meu alicerce”. Diz que respeita, que admira, que apoia. À noite brinda às mulheres fortes, de preferência as que não falam alto demais. No dia 9, a mão volta a ser argumento e voz vira sentença. O corpo dela, território disciplinável. Se facilitar, apanha com a flor que ele mesmo deu. Porque a homenagem dura 24 horas, mas o pacto masculino, 365 dias. Eles não precisam combinar. Não existe ata, não há grupo de mensagens chamado “Proteção aos Nossos”. Ainda assim, funciona. Um desembargador olha para uma menina de 12 anos e enxerga consentimento. Outro homem balança a cabeça, compreensivo. Um jogador se sente à vontade para dizer que mulher não deveria apitar jogo, e não é sobre futebol, nunca é sobre futebol. É sobre território. É sobre quem pode mandar, sobre quem pode falar e sobre quem deve baixar os olhos. Uma freira aparece morta dentro do próprio convento. Silêncio espesso. Notas cautelosas. Cuidado com as palavras. Sempre cuidado com as palavras quando o suspeito é homem. A instituição respira fundo, protege o nome, protege a imagem e claro, protege a si mesma. Porque antes de proteger mulheres, protege-se o sistema. E o sistema tem sobrenome masculino. Eles dizem que são casos isolados, mas curiosamente os casos isolados sempre se parecem. Sempre têm a mesma estrutura: ele erra, ela exagera. Ele se excede, ela provoca. Ele é promissor, ela é problemática. Ele tem futuro, ela tem reputação a perder. Não é que o sistema falhe. Ele funciona exatamente como foi desenhado. Ensina meninos a não chorar e homens a não ceder. Ensina que desejo masculino é impulso incontrolável e dor feminina é drama. Ensina que a reputação dele vale mais que o trauma dela. Ensina que entre eles sempre há um entendimento silencioso: hoje eu te defendo, amanhã pode ser minha vez. No dia 8 de março eles aplaudem. Nos outros dias, explicam, justificam, absolvem, arquivam, fazem piadas em grupo e desacreditam em coro. E quando alguém diz “nem todo homem”, é verdade. Nem todo. Mas sempre há homens suficientes para sustentar o pacto. Sempre há homens suficientes para transformar violência em opinião, abuso em mal-entendido, estupro em interpretação. O problema nunca foi a falta de flores, mas o excesso de silêncio. É o destino delas que incomoda. Flores nas delegacias, deixadas depois que a ocorrência já foi registrada tarde demais. Flores nas portas das casas onde os vizinhos “não sabiam de nada”. Flores nas igrejas que pedem calma, prudência, silêncio. Flores nos tribunais onde a infância é debatida como tese. Flores nos velórios. Porque quando a violência termina em sangue, e tantas vezes termina, a flor reaparece. Não como gesto de amor, mas como tentativa de absolvição simbólica. Uma coroa branca, uma fita dourada, um “sentimos muito”. Se querem mesmo homenagear mulheres, que comecem rompendo o pacto, queimando o clube, rasgando o estatuto invisível, denunciado o amigo, confrontando o colega, desmentindo o irmão. Até lá, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, seguirá sendo vitrine, e os outros 365 dias, bastidores de violência!
Pedro Malasartes e suas histórias
(Relembrando…) Há, em todo o Brasil e, em especial em São Paulo, as histórias de Pedro Malasartes, ou melhor, um ciclo de histórias e narrativas. São aventuras meio “fabulosas”, meio “realistas”, onde entra em cena o malandro, o ingênuo, o mau, o diabo, o bom, etc. Pedro Malasartes, em resumo, em todos seus contos, tinha uma só coisa em mente: pregar peças e lograr o próximo… A árvore que dava dinheiro Pedro Malasartes prega sobre uma árvore, à beira de um caminho uma quantidade de notas de vários valores e fica a espera do incauto (que quase sempre é um tropeiro!). Este não tarda em aparecer e dá com nosso herói a fazer a sua colheita de dinheiro, todo contente. “ – Ó moço, o que está fazendo aí”? “ – Ora! Pois não vê? Colho dinheiro. E a árvore desta vez está bem carregadinha”. O matuto passa a mão no queixo, coça a barbicha, e interpela o moço: “ – Quer vender essa árvore? Quanto quer?” Malasartes, depois de muita broma e muita volta, conclui o negócio, debaixo de uma condição: vende a árvore, mas fica com os frutos pendentes. O tropeiro concorda, passa-lhe gorda quantia – e Malasartes azula! A alma para o diabo Pedro – o Malasartes – continuava cada vez mais pobre… Um dia resolveu vender a alma ao diabo, por uma gorda quantia de dinheiro, combinado que no prazo de um ano o diabo viria buscá-lo. Nesse intervalo, o incorrigível foi de passeio à cidade de onde havia saído dentro de um saco (…..). O seu reaparecimento espantou o povo, e mais a sua riqueza. Malasartes explicou então: “é que no fundo do mar havia um tesouro enorme de pedras preciosas; de lá conseguira escapar com um punhado delas”. A gente da cidade alvoroçou-se e muitos quiseram enriquecer a custa de um mergulho, como Pedro. Metade do povo morreu afogada. Quando acabou o prazo combinado com Satanás, um enxame de diabinhos entrou pela casa de Malasartes para o levar. Declarou que estava pronto; mas por uma experiência, só pra ver, queria que os diabinhos se transformassem em moedinhas de tostão, dentro da sua bolsa de couro. Os diabinhos não puseram dúvidas: zás! Tudo virou níquel. O Malasartes fechou a bolsa bem fechada, botou-a na bigorna e arrumou-lhe o martelo com força. Os diabinhos urraram e pediram-lhe que os soltassem, em troca de mais um ano de prazo. Malasartes deixou-os sair… Esse Malasartes não tem remédio, mesmo (estou bem de tocaio)! Pedro Malasartes, figura tradicional dos contos populares, é personagem conhecido em muitos países da Europa. Em Portugal, vale lembrar, a mais antiga citação do personagem é de 1132… Por todo o Brasil, conhece-se as “estripulias” do Pedro Malasartes, com forte presença aqui no Rio Grande do Sul… a nossa terra!