Como foram os seis primeiros meses do ano em Canela? O Nova Época apresenta uma retrospectiva sobre como foram os fatos e quais as principais notícias divulgadas de janeiro a junho no município. O primeiro semestre de 2025 não foi um período de anúncios fáceis nem de inaugurações fotogênicas em Canela. Foi um tempo de enfrentamento. A troca de governo municipal coincidiu com o acúmulo de passivos estruturais, crises recorrentes e um calendário turístico que não admite longos períodos de ajuste. A nova gestão assumiu em um cenário em que o discurso inaugural rapidamente deu lugar à realidade concreta: falta de água, pressão sobre os serviços públicos, desgaste institucional e decisões tomadas sob exposição permanente. Janeiro impôs o ritmo A crise no abastecimento de água, já conhecida dos verões serranos, voltou a ocupar o centro da agenda. Desta vez, porém, a resposta foi direta e pública. O prefeito Gilberto Cezar (PSD) foi a campo, visitou estruturas estratégicas como o Poço da Faca e cobrou explicações formais da Corsan e da concessionária de energia, apontada como fator crítico nas interrupções. Medidas emergenciais foram anunciadas, investimentos reiterados. Não houve solução imediata, mas ocorreu mudança de postura: o problema deixou de ser tratado como contingência sazonal e passou a ser enfrentado como questão estrutural.No campo social, o mês também marcou uma inflexão. A entrega das casas do Loteamento Recomeçar encerrou um ciclo prolongado de soluções provisórias após as enchentes de 2024. Mais do que um gesto pontual, a ação sinalizou a tentativa de reorganizar políticas públicas sob uma lógica menos emergencial e mais previsível, tanto do ponto de vista social quanto administrativo. Divulgação Fevereiro expôs o tamanho do desafio O abastecimento de água seguiu sob pressão, exigindo monitoramento constante e novas cobranças públicas. Ao mesmo tempo, a administração apresentou o calendário oficial de eventos de 2025, reconhecendo os desafios de um início de governo com pouco tempo de preparação e forte dependência de recursos externos. Em Canela, eventos não é ornamento: são parte da engrenagem econômica.Foi também em fevereiro que a segurança pública revelou uma fragilidade estrutural. A interdição do Presídio Estadual de Canela por superlotação expôs o esgotamento da capacidade penal local e produziu efeitos imediatos sobre a rotina das forças policiais. Antes de qualquer crise política, o mês já mostrava que sistemas essenciais operavam no limite. No plano urbano, a Operação Poste Limpo avançou sobre a fiação irregular no eixo central, tratando estética como segurança e ordem pública, e preparando o terreno para um debate mais amplo sobre cabeamento subterrâneo. Arthur Dias Março rompeu qualquer expectativa de normalidade política A prisão em flagrante de um vereador, acusado de desvio de materiais destinados a famílias em situação de vulnerabilidade, colocou o Legislativo no centro de uma crise institucional sem precedentes recentes. O episódio extrapolou o campo policial: expôs falhas de controle, atingiu a credibilidade das instituições e obrigou a cidade a tratar ética pública como tema imediato.No mesmo período, a interdição do presídio mostrou seus desdobramentos. Com a estrutura penal fechada para novos ingressos, houve impacto direto na segurança pública regional. Deslocamentos mais longos, custódias improvisadas, sobrecarga das delegacias e perda de eficiência operacional. Quando a infraestrutura do Estado falha, a segurança passa a operar no improviso — e o custo recai sobre a comunidade.Março também marcou tentativas de reorganização em áreas sensíveis. A saúde entrou em processo explícito de reestruturação, com busca de recursos, parcerias e revisão de fluxos no Hospital de Caridade de Canela, encontrado com problemas acumulados de ordem técnica e administrativa. No meio ambiente, o diagnóstico foi incômodo, a cidade que já foi referência em coleta seletiva convive hoje com descarte inadequado, aumento de custos e pressão sobre toda a cadeia da reciclagem. Divulgação Abril foi o mês da prova prática A abertura da Páscoa colocou à prova a capacidade de execução da gestão: cidade decorada, programação gratuita, comércio mobilizado e fluxo intenso de visitantes. Em Canela, grandes eventos não são apenas celebrações simbólicas — são logística urbana, economia real e cobrança permanente por organização do espaço público.A Páscoa evidenciou a tentativa de combinar tradição e gestão. Cultura local, artesanato, participação das escolas e estímulo ao comércio foram integrados a uma leitura mais exigente do Centro como experiência urbana. Em um semestre marcado por ajustes e heranças difíceis, abril mostrou que a administração buscava manter a agenda viva sem perder de vista que turismo, para sustentar a cidade, depende de infraestrutura, ordem e planejamento. Marina Gil Maio foi de consolidação INVENTÁRIO AUDIOVISUAL Da reação para o método. A viagem do prefeito Gilberto Cezar à Brasília, acompanhado pelo secretário de Saúde, Jean Spall resultou na garantia de emendas e compromissos para turismo e saúde, além de articulações em torno de projetos estruturantes como a reconstrução da Rota Panorâmica. O recado foi claro, sem reforço externo, 2025 correria o risco de ser consumido pelo emergencial.No plano local, o Canela Light Fest testou uma ideia de cidade. Mais do que um evento visual, o festival combinou arte, tecnologia e formação, ocupando o espaço público com curadoria e intenção. Seu valor esteve menos no impacto imediato e mais no que sinalizou: a possibilidade de Canela ampliar seu repertório turístico para além do calendário tradicional. A reabertura do Parque do Caracol, com novas experiências, reforçou essa mesma lógica de reposicionamento de atrativos clássicos para um visitante mais exigente.Maio também trouxe decisões silenciosas, mas decisivas. A aprovação de regras mais rígidas para fiscalização das obras da Corsan alterou a relação entre o município e a concessionária, estabelecendo transparência e responsabilidade sobre intervenções na malha urbana. E o debate sobre restrição à panfletagem nas áreas centrais explicitou uma disputa por experiência urbana: o que a cidade aceita, o que ela organiza e o que ela decide coibir. Divulgação Junho fechou o semestre com decisões de peso André Fernandes No campo financeiro, Canela anunciou a obtenção de mais de R$ 4 milhões em emendas federais, além de R$ 300 mil via convênio estadual para estradas do interior. A maior parte dos recursos foi direcionada à
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Casa Vale amplia a experiência gastronômica no Alpen Park
O Alpen Park passa a contar com uma nova operação gastronômica pensada para acompanhar o ritmo de quem circula pelo parque, sem abrir mão de boa execução e organização de cozinha. A Casa Vale – Cozinha & Burguer nasce da união de três trajetórias distintas, que se complementam na prática. Foto: Marina Gil O projeto reúne o restaurateur Guilherme Sperry, à frente de iniciativas como o restaurante Bêrga Mótta e a pizzaria Afuzel Gramado; Cláudio Stanguherlin, que esteve à frente da hamburgueria do Snowland por cerca de sete anos e traz ao negócio o domínio da operação em ambientes de grande fluxo; e a Cheff Kris Dietrich, profissional com ampla experiência na montagem e gestão de cozinhas, tanto fora da região quanto em Canela – entre elas, a estrutura do Tango Restaurante. Instalada em um dos pontos mais abertos do parque, com vista para o vale, a Casa Vale foi pensada para atender com agilidade sem recorrer à simplificação excessiva. O cardápio transita entre pratos da cozinha tradicional, como estrogonofe e filé à parmegiana, e diferentes versões de hambúrgueres, além de sobremesas que dialogam com o perfil familiar do público do Alpen Park. A estrutura da cozinha passou por reforma completa e foi organizada para funcionar em formato de linha de produção, especialmente no preparo dos burgers. São seis profissionais atuando no espaço, em um desenho que prioriza fluxo, rapidez e padronização. A criação do cardápio e o layout da cozinha levam a assinatura direta de Guilherme Sperry e da Cheff Kris Dietrich. Foto: Jony Partos A proposta é objetiva: oferecer comida bem feita, serviço ágil e um ambiente que permita ao visitante transformar a refeição em uma pausa real entre uma atração e outra. Em um parque onde o tempo do público é valioso, a Casa Vale se posiciona como um ponto de apoio eficiente, sem perder identidade. Foto: Jony Partos Serviço Casa Vale – Cozinha & BurguerAlpen Park – Rodovia Arnaldo Oppitz, 901, Canela (RS)Funcionamento diário, das 10h às 17hO acesso ao parque é gratuito; o visitante paga apenas pelo consumo
Social da Samanta – 707
Gerson Arsand, Túlio Lampert, Luiz, Fernando Corrêa, Bira Gil, Paulo Bergamaschi, Elton Franzen amizade que atravessa anos! Foto: Divulgação Wagner Nascimento e Analu Benetti estão comemorando os 7 anos da querida Academia WN, juntamente com seus clientes e amigos! Foto: Divulgação Gabriel Gonçalves Veloso se forma hoje em medicina pela UFRGS, para encher os pais Rodrigo e Cátia Veloso de orgulho! Foto: Divulgação Vanessa, Aurora e Carlos Schmitt fazendo registros de Natal Foto: Lu Silva Família Assmann reunida para a formatura de Bombeiro Mirim do Júnior. Na foto com os pais Jair e Bibiane a mana Clara Foto: Divulgação A diretoria, sócios e gerentes do Alpen Park fecharam em happy hour descontraído na Casa Vale, novidade na gastronomia do parque Foto: Divulgação
Social da Bina – 707
O Sunset – Gran Finale, do Reserva da Serra, reuniu moradores como Cristina Zimmermann, Patricia Amorim, Gilberto e Andrea Thoen, no último dia 6. O evento teve como temática todo o charme do Tramonto Toscano Foto: Divulgação COMBINAÇÃO INUSITADA I A Tea Shop e o Olivas de Gramado firmaram uma parceria para lançar uma linha exclusiva de azeites de oliva extravirgem infusionados com blends de chás. O resultado são sabores e aromas surpreendentes, que elevam a experiência gastronômica com combinações criativas e sofisticadas. COMBINAÇÃO INUSITADA II Versáteis, os azeites harmonizam com pratos tradicionais como massas, carnes e saladas, mas também inovam em combinações com queijos, frutas, bolos e até sorvetes. O lançamento chega em um kit com seis sabores diferentes, uma sugestão de presente de Natal. Maysa Bonissoni no lançamento do Nest Mountain Lodge, novo empreendimento da Ownerinc Foto: Gustavo Meroli Tamara e Tiago Dillenburg com sua Bella no primeira ensaio natalino da pequena Foto: Ana Pacheco Eddie Júnior, da Terroir Brasil, trouxe o enólogo da Vinícola Garbo, Jhonatan Marini para o evento no Borgo 28 Foto: Bina Santos André Bertolucci apresentou para Chania Chagas os lançamentos Tea Shop e Olivas de Gramado: azeites extravirgem infusionados com blends selecionados de chá Foto: Divulgação Os sócios-proprietários do Skyglass Canela, Silvio Prim e Luiz Bogo, com o diretor do parque, Alex Bonareti, e o amigo Ricardo Pansera, que entregou uma placa em homenagem aos cinco anos do Skyglass Foto: Halder Ramos
A ENVELHESCÊNCIA
Ouvir o psicólogo e homem da cultura Marco Aurélio Alves é sempre interessante, o que aconteceu novamente na quarta (17), em Canela. No último encontro da série Narrativas da temporada de 2025, o tema principal abordado, Os aprendizados da envelhescência, desperta a atenção porque trata de um público que está aumentando significativamente no Brasil e se reposicionando.Envelhecer não é palavra simpática, lembra num primeiro momento obsolescência, ficar de fora da festa. Mas não seria para ouvir sobre aspectos ruins, comportamental e fisicamente falando, que as pessoas iriam sair de casa para este talk show no Cidica. A troca de ideias começou proveitosa a partir do nome, envelhescência. É um termo que remete às transformações psicossomáticas que acontecem quando atingida determinada faixa etária e à busca de ressignificação da vida. Quem gosta do assunto tem que reservar uma hora e 24 minutos para assistir no YouTube o documentário Envelhescência, obraprima dirigida por Gabriel Martinez*.Após a formatura em Psicologia, descoberta a sua simpatia pelo tratamento da questão do idoso, Marco Aurélio mergulhou no assunto, frequentou por muito tempo rodas de experts do Instituto Moriguchi – Centro de Estudos do Envelhecimento, em Veranópolis (RS), capital nacional da longevidade. Dali em diante, são anos e anos convivendo com e auxiliando pessoas que relatam o que se passa com elas quando já botaram os pés na outra metade da vida, cronologicamente falando. Brotam histórias de desapontamentos, altruísmo, eterna doação aos filhos, saudade do corpo saudável, medo da solidão, cobranças por não ter feito tudo o que queriam. E sobre a pecha do etarismo, que é o preconceito por causa da idade. O filósofo paulista Luiz Felipe Pondé, também participante, de grupos de estudos sobre a longevidade, relatou no mês passado em Gramado uma dura conclusão: o idoso só é considerado na sociedade enquanto ele for consumidor, enquanto ele estiver gastando, seja lá o que e onde. Marco Aurélio e a mediadora das Narrativas, Camila Heidrich Estamos vivendo dois fatos constatados. O primeiro são os índices de natalidade diminuindo nas classes média e alta – por razões como a mulher conquistar melhores posições no mercado de trabalho ou priorizar outros objetivos antes da maternidade. Sobre isso Pondé falou, com seu humor peculiar, que encontrar uma grávida na rua ainda será motivo para selfie. O segundo, é o aumento substancial na expectativa de vida, o que significa que estamos vivendo mais, então façamos isso com qualidade. Combata-se, então, o etarismo oferecendo o melhor da envelhescência. Nesse sentido, também peguei boas sugestões assistindo, em programa da TV Cultura, uma estudiosa e empreendedora do mercado da longevidade, Layla Vallias. Essa mineira fala em manter-se ativo, não se deixar explorar pela família, não abrir mão das decisões, delegar tarefas só quando for impossível fisicamente fazê-las, continuar fazendo atividades difíceis e não abandonar a busca por relacionamentos. Manter-se vivo, em suma! Viver e não ter a vergonha de ser feliz, como cantou o Gonzaguinha. Layla citou o Japão, onde o respeito aos da “economia prateada” só vai precisar se manifestar muito mais tarde, porque eles simplesmente são tratados como qualquer um mais jovem. Disse que em Tóquio os brasileiros estranham, no comércio, a falta dos guichês para 65+. É porque lá as benesses reservadas à idade começam nos 80+.Mais um pouco de Marco Aurélio Alves: “O que causa o envelhecimento é o emburrecimento, é o perder o interesse. E aí a vida se torna uma espera: esperando o neto chegar, esperando o resultado do exame, esperando um telefonema… esperando a morte”. Afirmando que o idoso precisa de muito mais que baile e bingo, ele completa: “Canela tem uma grande população de idade mais avançada, natural daqui ou que escolheu viver aqui. Há que se criar políticas públicas para proporcionar opções de ocupação sadia”.Recado dado, todos levantando a bunda da cadeira, autoestima em alta e aquele chavão na ponta da língua: Velho é o seu preconceito! *https://youtu.be/i4cLyLdK5EA?si=bLXSl9nNLMPS2HxTL ARMÁRIO PREMIADO O curta-metragem de animação em stop motion “O armário interior”, produção canelense da Miraceti Projetos realizada por um coletivo de talentos locais da adaptação de texto, da fotografia, do modelismo e da feltragem, recebeu mais um prêmio: melhor animação no 9º Festival de Cinema de Muriaé, em Minas Gerais.Aguardem que vem mais. PÔR DO SOL, SOUL E OUTROS SONS O solstício de Verão chega com força inspiradora no Olivas de Gramado e será celebrado com muita música. No domingo (21), a partir das 15h, o Olivas Sunset marcará oficialmente a abertura da temporada mais vibrante do ano, reunindo música, arte, gastronomia harmonizada com azeites premiados e um pôr do sol deslumbrante. No palco, trilhas pensadas para acompanhar a trajetória do sol até o horizonte. Claus & Vanessa, Guz Zanotto, DJ Bold e Vinni Sax conduzirão a tarde com energia crescente, criando a trilha perfeita para um fim de dia que promete ser inesquecível.Ingressos em www.olivasdegramado.com.br
2025: um ano longo demais para caber em 365 dias
2025 está sendo um ano muito “longo”. Longo no calendário e exaustivo no noticiário. Um ano com momentos positivos, é verdade, mas pesado para quem acompanha minimamente o noticiário político e econômico. Foram tantas idas e vindas que a sensação é de que o ano teve mais capítulos do que dias. Se a economia fosse uma série, 2025 seria aquela temporada em que o roteiro não chega a surpreender, mas mantém o espectador permanentemente tenso. Nada explode, ninguém voa, mas todos ficam esperando a próxima crise no episódio seguinte. O ano começou com pânico cambial. O dólar flertava com R$ 6,20 e não faltaram “especialistas” garantindo que os R$ 7,00 estavam logo ali. Meses depois, a moeda americana chegou a trabalhar abaixo de R$ 5,30, provando mais uma vez que previsões categóricas costumam envelhecer mal. O mesmo vale para os mercados: saímos do desânimo com o Ibovespa perto dos 118 mil pontos para um recorde histórico em torno dos 165 mil — confesso que essa também me surpreendeu. Já o bitcoin cumpriu o papel de sempre: muita promessa, muita euforia e, na sequência, uma correção dolorosa, acumulando queda de quase 30% em relação às máximas do ano. No Brasil, o grande personagem de 2025 foi a taxa Selic. Começamos o ano já com juros elevados e, ao longo dos meses, ficou claro que o aperto monetário veio para ficar. A Selic passou boa parte do ano em níveis que não se viam havia muito tempo, reforçando o discurso de combate à inflação, mas também encarecendo o crédito, esfriando investimentos mais arriscados e testando a resiliência de quem depende de financiamento. Para o investidor conservador, foi um prato cheio. Para o empreendedor, nem tanto. O Brasil voltou a ser, mais uma vez, o paraíso dos rentistas — confirmando aquela velha frase: por aqui, tudo muda em um ano, mas nada muda em dez. E falando em coisas que não mudam, os escândalos de corrupção também voltaram ao roteiro. Tivemos tudo para assistir ao que poderia se tornar o maior esquema de corrupção da história novamente, as fraudes no INSS. Mas, curiosamente, o silêncio da mídia tradicional ajudou a minimizar o assunto, como se assim o problema deixasse de existir. No cenário internacional, 2025 foi tudo menos tranquilo. Tensões geopolíticas, disputas comerciais e o tarifaço dos Estados Unidos espalharam volatilidade pelos mercados globais. As bolsas oscilaram, o crescimento mundial seguiu em ritmo lento e ficou claro que a economia global anda mais cautelosa do que confiante. A grande lição de 2025 é desconfortável, mas necessária: política importa — e muito. Juros, câmbio, crescimento e investimentos seguem profundamente reféns de decisões políticas, desequilíbrio fiscal e prioridades frequentemente distantes da realidade de quem produz e trabalha. 2026 oferece uma chance de mudança. Ano de Copa do Mundo e de eleições presidenciais sempre traz, ao menos, a possibilidade de escolhas diferentes. O Brasil segue sendo um país de enorme potencial, apesar de insistir nos mesmos erros. Cobrar, acompanhar e escolher melhor fará parte do jogo. Ano que vem, é hora de torcer por mudanças e torcer pelo Brasil — embora, confesso, o Brasil às vezes canse até os mais otimistas como eu. Tenho saudades da época em que eu sabia a escalação da Seleção Brasileira, e não a do STF.
ACORDA CANELA!
O dia é 04 de dezembro de 2025. Compromisso em Porto Alegre. Na rodoviária pego o ônibus executivo das 14 horas para retornar a Canela. No aeroporto o ônibus lotou: 42 passageiros. Muitos turistas. Pretendia descansar com um cochilo, mas o ronco do passageiro ao lado não permitiu. E como quem ronca sempre dorme primeiro, me conformei. Estava sentado mais ou menos no meio do veículo. Então era possível ouvir as conversas dos passageiros ao redor. Não que eu quisesse, mas as pessoas não tem botão de volume, então não há como “desouvir” algumas coisas. No lado esquerdo duas moças com sotaque castelhano estavam ansiosas pelas festas que iriam frequentar. Mandavam e recebiam áudios no whatsapp que ouviam em volume alto sem cerimônia. No banco de trás um casal combinava o que ia fazer quando chegar. Pegar as chaves do apartamento locado via Airbnb, tomar um banho e passear na Rua Coberta para fazer um lanche. O que iriam fazer nos dias seguintes. No banco da frente outro casal tinha uma lista com anotações. Ao que parece tinham um evento e as anotações era do que fazer no tempo livre: pontos turísticos, opções de gastronomia e faziam apontamentos. Depois do período da pandemia e das enchentes que tivemos ano passado, é um alento ver que o turismo, ainda que um pouco devagar, começa a proporcionar movimento. Chegando na estação rodoviária de Gramado veio a surpresa: o ônibus simplesmente esvaziou! Dos 42 passageiros ficaram apenas dois. Eu e um passageiro sentado no último banco, que acordou num sobressalto, vendo o coletivo quase vazio e com motor desligado, perguntou: “Esse ônibus não vai para ‘Canelas’ ?” Disse para ele que sim. Ficam algumas reflexões: Canela existe para os turistas? Pois um ônibus lotado, boa parte de turistas, ficou em Gramado. O único assustado turista que vinha para cá, ainda falou o nome da cidade errado. Quais serão os atrativos que Gramado tem e que Canela não tem para atrair turistas? Por que essas pessoas preferiram descer em Gramado ao invés de irem para Canela? Atrações? Marketing? Internet? Indicações de amigos? Eventos? Será mesmo que aqueles que visitam Gramado, também visitam Canela? É preciso ver e ouvir o cliente turista. Saber de suas intenções e o que os motiva a visitar a região. Canela emancipou-se dez anos antes de Gramado. Já foi protagonista de muitos eventos que não existem mais. Mas hoje parece que tudo mudou. Não se trata de pessimismo, mas de realidade. Não temos um espaço para congressos profissionais, não temos um local para shows artísticos de grande porte, não temos um espaço para eventos esportivos. Ou Canela acorda ou vai continuar sendo uma cidade dormitório e vivendo à sombra das atividades vizinhas.
Impressões sobre o Natal
(E os usos e costumes do interior…) As festas realizadas no interior, ainda hoje, despertam certa curiosidade nas pessoas da cidade e, imaginem, uma festa dessas no interior, há algumas décadas atrás. O livro “Raízes de Ipê”, entre centenas de depoimentos, traz declarações fidedignas de um tempo não tão longe, mas muito diferente, como esse relato da professora Terezinha Susin Dalagnol, falando de costumes e tradições: “(………………………….). A Festa de Natal A festa do Natal era sempre esperada com muita ansiedade. Minha mãe Irene, nunca deixava passar em branco essa data, preparando sempre para nós, alguma surpresa legal. Separava alguns frangos caipiras para a engorda, depois os levava para a Vila a cavalo para serem vendidos. Com o dinheiro arrecadado comprava uma lembrancinha para cada filho: roupas, chinelos, brinquedos para os meninos e bijuterias para as meninas. E mais doces é claro, beijo-de-moça, Papai Noel de merengue, embrulhado com papel celofane. O cheiro dos doces e o barulhinho do embrulho ainda estão na lembrança e emociona. Lembro que certa vez minha mãe me deu como presente, no Natal, um amarrador (maria-chiquinha) que tinha duas bolinhas cor-de-ouro, relacionei isso com o brilho do Natal e nunca mais saiu da minha memória. Para o Natal, nunca deixávamos de fazer o presépio e o pinheirinho, usava-se barba-de-pau, santinhos, bolinhas feitas com papel de bala. Tudo era feito em casa, não tinha dinheiro para comprar enfeites e ficava bonito assim mesmo. O costume de fazer o presépio é preservado até os dias de hoje. A espera do Papai Noel Na época as crianças acreditavam que os presentes eram deixados nas casas pelo “Bambim” (Menino Jesus) quase não se falava em Papai Noel. Para esperar o “Bambim” limpava-se muito bem o caminho, colhia-se feno para a “musseta” (animal que seria usado para transportar os presentes dentro dos cestos) e, deixava-se água em uma vasilha. Para o “Bambim” biscoitos caseiros e como a viagem era longa ele precisava se alimentar. Enquanto nós crianças dormíamos, nossos pais colocavam os presentes perto do presépio, dentro dos pratos que ali eram colocados. Mexiam nos alimentos e deixavam rastros, para fazer de conta que tudo o que imaginávamos havia acontecido ali. Isso acontecia mais ou menos parecido, em todas as famílias da comunidade. (…………………………….)”. Depoimentos que provam que o espírito natalino não está nos presentes caros, nas luzes, nos Papais Noéis… Está no coração de cada um. Costumes ainda em uso por esse Rio Grande de Deus… a nossa terra!