Canela abriu oficialmente, na noite de quinta-feira (20), o 38º Sonho de Natal. A Praça João Corrêa recebeu o concerto da Orquestra de Teutônia no Multipalco, marcando o início de uma temporada que transformará novamente o Centro de em ponto de encontro, luzes acesas e clima de celebração. A quinta-feira também marcou o início do Festival do Panetone no geotúnel da Praça do Sonho, ampliando o clima de temporada logo no primeiro dia. O aroma característico das receitas tradicionais antecipou o movimento esperado para o feriadão, com circulação intensa no comércio e ocupação hoteleira aquecida. Christmas Rock será uma das principais atrações do eventoFoto: André Fernandes A quinta-feira encerrou confirmando o início da temporada: música, decoração temática, fluxo constante no Centro e a cidade preparada para receber quem escolheu Canela para viver o espírito de Natal.Com o Sonho oficialmente iniciado, o evento entra agora nos dias mais agitados nesse começo de jornada. Na sexta-feira (21) e no sábado (22), às 19h, estréia o Desfile dos Parques Temáticos e Atrativos Turísticos de Canela, que percorrerá as ruas centrais com personagens, luzes, figurinos e a participação dos empreendimentos que fazem parte da identidade turística da cidade. A expectativa é de grande público ao longo da Rua Felisberto Soares e das vias do entorno da Praça João Corrêa, reforçando o caráter lúdico que acompanha o Sonho de Natal há quase quatro décadas. FIM DE SEMANA DE ESTREIAS O fim de semana também marca o início de dois espetáculos musicais que ajudam a definir a personalidade desta edição. O Christmas Rock, comandado por Rafa Schüler, resgatará clássicos natalinos com arranjos cheios de energia, agora com a participação da cantora Gabriela Dias, que amplia a carga emocional do repertório. Já o Cinnamon Christmas Songs, com a banda Jazz Cinnamon, aposta em interpretações mais intimistas e elegantes, criando um ambiente acolhedor para quem busca uma experiência de proximidade com o público e com a tradição musical do Natal. EXPERIÊNCIAS NATALINAS A programação deste início de temporada se espalha por diversos espaços de Canela. Na Aldeia do Sonho, montada na área da Casa de Pedra, o movimento se mantém constante desde as primeiras horas do dia. Apresentações menores, artesanato local, ambientação temática e atividades para crianças criam uma dinâmica própria, fazendo do local um dos pontos mais procurados pelos visitantes. A integração entre shows de palco, intervenções espontâneas e pontos decorados mantém o Centro da cidade pulsante ao longo do dia, oferecendo experiências variadas a públicos diferentes.Essa ampliação da experiência pública é, há anos, uma das marcas do Sonho de Natal. O evento cresce não apenas em número de atrações, mas em participação comunitária e presença no cotidiano da cidade. Nas próximas semanas, a programação gratuita seguirá distribuída por diversos pontos, conectando moradores, turistas, artistas e empreendedores. São centenas de apresentações, desfiles, shows e atividades que ajudam a posicionar Canela entre os destinos natalinos mais lembrados do Sul do Brasil, contribuindo para o fortalecimento econômico e para a construção da identidade local. A abertura desta quinta mostrou que o Sonho de Natal começa forte e encontra uma cidade preparada para receber. As luzes acesas, o fluxo constante de visitantes na área central e a participação ativa das famílias reforçam que a tradição segue viva. O Sonho de Natal segue até 18 de janeiro de 2026 e, como sempre, transforma Canela em um espaço de convivência, alegria e boas lembranças — um período em que a cidade se reconhece se ilumina e convida todos a fazer parte dessa experiência. INSTALAÇÃO DA DECORAÇÃO Recém empossado como secretário de Turismo e Cultura, Athos Cunha revelou a data em que a ornamentação (foto) da cidade será finalizada. “Pelo o que a empresa vem nos posicionando a previsão é final deste mês”, conta ele. A decoração urbana deverá ser um atrativo à parte quando for concluída. Elementos carregados de luzes e cores se somarão a itens interativos, característicos da decoração de rua da festividade natalina em Canela. “O Sonho de Natal é um evento que transforma Canela: movimenta a economia local, fortalece a rede hoteleira, impulsiona o comércio, valoriza nossos talentos culturais e projeta o nome da cidade nacionalmente. Assumir a pasta neste momento significa dar atenção total à operação do evento, garantir que a experiência do visitante seja impecável e que nossa comunidade se sinta parte dessa construção”, comenta Cunha. Abertura reuniu comunidade, autoridades e imprensaFoto: Marina Gil
GOVERNO MUNICIPAL
Athos Cunha é o novo secretário de Turismo A semana começou com mudanças no primeiro escalão da administração municipal. As vésperas do início do 38º Sonho de Natal, a então titular de Turismo e Cultura, Kenia Jager, 36 anos, anunciou o seu desligamento da pasta. Para substituí-la, o chefe do Executivo canelense, Gilberto Cezar (PSD) nomeou o empresário Athos Cunha, 38 anos, que vinha exercendo a função de adjunto da secretaria. Além da experiência na gestão pública, Cunha atua a 20 anos na iniciativa privada, com trajetória consolidada no setor de serviços e no ambiente empreendedor da Serra Gaúcha. O novo secretário também preside o Podemos e concorreu a vereança nas últimas eleições municipais recebendo 131 confirmações nas urnas eletrônicas. Com a mudança, Jaison Remonti, atual adjunto de Governo, passará a exercer a função de adjunto de Turismo e Cultura. Remonti possui ampla experiência em turismo e eventos e irá contribuir com visão técnica e alinhamento entre as políticas públicas e o trade local. MATRIZ ECONÔMICA O turismo é a principal matriz econômica de Canela, por isso, a Secretaria de Turismo e Cultura é uma das importantes e de maior visibilidade na esfera pública municipal, responsável por planejar, executar e coordenar políticas públicas para a área, promovendo o desenvolvimento cultural e turístico de Canela. Em 11 meses, desde o início do atual governo municipal, Cunha é o terceiro a assumir o comando do Turismo e Cultura. Rafael Carniel atuou de 1º de janeiro a 22 de maio e Kenia até 19 de novembro. MOVIDA POR PROPÓSITO E PELA CONFIANÇA Kenia atingiu 11 meses como adjunta e secretária municipal de Turismo e Cultura. A pedido do Nova Época, ela fez um balanço sobre do período, destacou entregas importantes e refletiu sobre o ciclo que encerrou. Ela deixa a secretaria com sentimento de gratidão. “Saio com a consciência tranqüila de que honrei a confiança que me foi dada. Levo comigo o carinho da comunidade, o apoio dos empresários e a certeza de ter contribuído para fortalecer o turismo, a cultura e a imagem de Canela”, afirma a ex-secretária. “Assumi movida por propósito e pela confiança de que poderia contribuir para um novo capítulo de desenvolvimento para Canela”, afirma. Ela lembra que chegou ao governo em um momento desafiador e, pouco depois, recebeu a missão de comandar uma das áreas mais estratégicas da administração. “Foi inesperado, mas acolhi com coragem, responsabilidade e compromisso com a cidade.” Segundo Kenia, a confiança de lideranças, empresários, comunidade e da própria equipe foi decisiva ao longo dos meses. “Essa confiança generosa guiou cada escolha. Mesmo diante das limitações, ela fortaleceu a determinação necessária para conduzir tudo o que estava ao meu alcance.” Ela relata que encontrou uma secretaria que precisava ser reconstruída em vários aspectos. “Era preciso reorganizar estrutura, identidade e capacidade de entrega. Com orçamento comprometido e uma equipe reduzida, o trabalho exigiu integração, escuta e criatividade.” Ainda assim, Kenia diz ter se mantido fiel a um propósito central: “resgatar a essência de Canela, devolver brilho aos eventos e reconstruir a confiança no potencial turístico e cultural do município”. Entre os desafios, destaca a reestruturação da Festa Colonial. “Trabalhamos para entregar uma nova imagem ao evento, resgatar tradições e fortalecer o sentimento de pertencimento. Valorizamos produtores, artistas e a cultura local.” Depois veio o Sonho de Natal, projeto que exigiu uma engenharia financeira delicada. “Com o orçamento disponível, ele não sairia do papel. Junto com a equipe, estruturamos um novo modelo via lei de incentivo e retomamos credibilidade na captação.” “Acredito profundamente no potencial transformador do turismo, da cultura e dos eventos na vida de um destino. Orgulho-me de ter iniciado bases importantes para esse caminho.” Kenia encerra desejando êxito à administração municipal. “Que o trabalho siga em prol do bem coletivo, da valorização das pessoas e do desenvolvimento sólido da nossa cidade.” MOMENTO EMBLEMÁTICO PARA A CIDADE O novo secretário de Turismo e Cultura de Canela, Athos Cunha, assume a pasta em um dos momentos mais intensos do calendário local. Em declaração ao Nova Época, ele fala sobre o desafio, a responsabilidade e o horizonte que enxerga para o setor. “Assumo este compromisso com seriedade, dedicação e profundo respeito por Canela e por todos que constroem diariamente o nosso turismo a nossa cultura e nossos eventos”, resume Cunha. “Assumir a secretaria em pleno 38º Sonho de Natal é um desafio enorme, mas também uma honra ainda maior”, afirma. Para Cunha, a simbologia do período torna a missão ainda mais clara. “Estamos no momento mais emblemático do nosso calendário turístico, quando Canela recebe visitantes do Brasil inteiro e de diversos países. Isso reforça a responsabilidade de dar continuidade ao trabalho com compromisso, organização e sensibilidade.” Ele destaca que a meta é ampliar a qualidade da entrega, fortalecer a cultura local e manter o turismo como motor de desenvolvimento. “Estou chegando para somar, ouvir, integrar equipes e construir junto. Canela tem um potencial extraordinário,” garante ele. “Trabalharei para que nossos eventos, nossa cultura e nosso turismo continuem elevando o nome da cidade e oferecendo experiências cada vez mais memoráveis para quem vive aqui e para quem nos visita,”conclui
Um resgate de memórias, cultura e sabores
Com o famoso slogan – Provou, Gostou! – o Pasteleiro reabriu suas portas em outubro de 2024 trazendo de volta à cena gastronômica de Canela o saudoso espaço, reduto de artistas, intelectuais, turistas e da sociedade serrana. No final da década de 90, Paulo André da Rosa foi o primeiro empresário a ousar uma gastronomia inovadora na Região: um restaurante só de pastéis com um divertido cardápio onde os sabores foram batizados com nomes de filmes famosos. A ideia vingou e a fama veio rápido, mas nada foi fácil pois embora seja reconhecido hoje como um excelente cozinheiro, naquela época em que ainda não existiam as facilidades de pesquisa da internet, Paulo precisou ir atrás de muito aprendizado para montar todas as áreas do empreendimento e inclusive contratar uma chef para ensiná-lo a fazer massa, pastéis e desvendar os segredos da cozinha. Depois de um período de muito sucesso o Pasteleiro fechou deixando saudades a todos que o conheceram. Mas “o bom filho à casa torna” e finalmente Paulo André decidiu reabrir sua grife agregando a paixão pela cultura, a experiência adquirida ao longo dos anos com a fabricação de massas e com o seu também famoso restaurante Pappardelle. A motivação para recriar veio através da oportunidade de ocupar um espaço na Casa Auxiliadora, o prédio histórico que já fora escola e berço das mais variadas atividades artísticas e culturais da cidade. Para Paulo André, que além de artista, cozinheiro e empreendedor sempre foi um grande incentivador e participou ativamente da cultura local, tendo ocupado vários cargos de destaque nessa área e no turismo, esse foi o sinal de que era hora de voltar.O local não poderia ser mais nobre: agora o Pasteleiro fica ao lado da Catedral de Pedra, o ponto mais famoso de Canela. Ao longo dos anos o Pasteleiro e sua marca passaram por muitas transformações visuais, mas, mesmo tendo ficado longe do público por um período, manteve intacta sua fama e o incomparável sabor dos pastéis. As paredes repletas de cartazes que lembram os melhores momentos do teatro reforçam o convite a um mergulho na atmosfera artística de Canela e as mesas na calçada coberta, o chope bem gelado e os famosos pastéis cinematográficos são garantia de que o Pasteleiro já é novamente o point cultural da cidade! O Pasteleiro está celebrando 30 anos de história olhando para o futuro, que inclui apoiar ainda mais os eventos culturais da região. O lema “Provou, Gostou!” segue como símbolo de confiança e satisfação, convidando turistas, artistas e a comunidade local a continuarem escrevendo capítulos dessa trajetória saborosa e repleta de memórias. Pasteleiro Horários: Diariamente das 11h às 23hsEndereço: Praça da Matriz, 40 – Sala 2 – ao lado da Catedral de Pedra – CanelaFone: (54) 999 421 740Instagram: @pasteleirocanela
Social da Samanta – 703
VK | duas com estilo, curadoria de moda por Viviane Warken e Kalinca Riva, receberam convidadas na loja Scalia Gramado Foto:Renata Garcia MOCOVI é homenageado com o Troféu Infinito da Brocker Turismo. O presidente Josiano Scmitt e sua esposa Isabel recebem a homenagem em nome da entidade. Foto:Divulgação Mary Mel apresentando as balas artesanais da Holly Candies no Festuris! Foto:Divulgação Ansiosas esperando a chegada do pequeno Martin as amigas de longa data de Aline Dalcortivo realizaram um chá de bebê surpresa para ele! Foto:Divulgação Fernanda Schoeler e Jerônimo Madruga! Foto:Paula Vinhas
Social da Bina – 703
Samanta Vasques, Jéssica Ramisch e Manoela Thiesen, do Alpen Park, montaram o pinheirinho de Natal do parque dentro da programação do Sonho de Natal Foto: Divulgação TOSQUIA & PARRILLA Devido ao mau tempo , o Tosquia e Parrilha no Borgo 28 foi remarcado. Agora o evento ocorrera no dia 07 de dezembro. O espaço receberá o chef Fernando Schimanoski, que comandará a parrilla, e o tosquiador Jaime Junior, que vai mostrar de perto o processo da tosquia das ovelhas Texel. Um dia de campo no coração da Serra, com churrasco, boa companhia e uma vivência única junto às ovelhas do Borgo. Gramado ganhou uma loja completíssima da Mundo Porto. As cerâmicas da marca catarinense chegam a Serra pelas mãos do empresário Roberth Gustmann. Na inauguração, o chef Carlos Bertolazzi foi o convidado para apresentar uma deliciosa receita de Pasta alla Norma Foto: Bina Santos O chef Lucas Casarin e o empresário Leandro Oliveira na Mundo Porto. Aliás a Mundo Porto está diretamente ligada com a nova fase do La Estacion, pois todo o enxoval de louça, taças, copos e equipamentos de cozinha para o novo endereço da casa de carnes foi adquirido com a loja recém inaugurada em Gramado Foto: Bina Santos O encontro da velha guarda da comunicação: Ilton Müller, Gilberto Michaelsen e Miron Neto Foto: Divulgação Fer Chies apresenta o livro Canela, Uma Aventura Para Colorir. A obra inspirada nos Bobbie Goods está a venda no Empório Canela Foto: Divulgação
VAI UM PANETONE AÍ?
Dentre as inúmeras criações em panetones à venda no Festival, o Panetone de Queijo e Nozes da Queijaria Missioneira (à direita) é um saboroso exemplo REALIDADE EM CANELA Integrando a programação do 38º Sonho de Natal, o 1º Festival do Panetone, que se iniciou na quinta- feira (20) e vai até o domingo (23), é uma celebração do produto especial da panificação que, de uns dez anos para cá, não sai mais das prateleiras das padarias e supermercados, o ano todo. Caiu no gosto de mais e mais gente, principalmente quando surgiram marcas mais em conta que as duas ou três até então disponíveis (dentre estas, a Bauducco, que parece de origem italiana mas é brasileira e uma das maiores fabricantes mundiais). Aposto que na casa de muitos leitores tem aquela lata de panetone, reaproveitada para alguma coisa. O interessante (e saboroso) do Festival do Panetone é a variedade e originalidade de muitas receitas. Algumas empresas daqui, grandes como a Dauper ou pequenas como a Ginger House e a Z Art´s Doces, estão tateando nesse mercado, ma já pisando com o pé direito da excelência. Há que se valorizar também a iniciativa de produtores do interior, como a Agroindústria Canela Sabor Rural, em fazer um panetone diferente de tudo. Adoradores do panetone, todos à praça, então! Nunca provei ele salgado, é a chance. Durante o Festival haverá apresentações musicais e artísticas no Multipalco. FICÇÃO NA HISTÓRIA A versão mais conhecida sobre a criação do panetone diz que ela teria autor, data e local. Seria um tal Toni, ajudante do cozinheiro chef do duque de Milão Ludovico Sforza. Na véspera do Natal de 1495, a corte se empanturrava num banquete. Na cozinha, o chef, ocupado com a preparação de diferentes iguarias, pediu a Toni que vigiasse o forno onde grandes biscoitos estavam sendo assados – estes seriam o gran finale do banquete. Muito cansado, pela trabalheira, Toni cochilou e os biscoitos queimaram. Temeroso do que aconteceria com ele, o ajudante decidiu usar a massa de fermento que estava reservada para o pão de Natal. Misturou farinha, ovos, açúcar, passas e frutas cristalizadas, obtendo uma massa macia muito fermentada, que conseguiu assar em tempo e finalizar o banquete. O resultado foi um sucesso e o duque Sforza decidiu chamar esse doce de “pão Toni”, em homenagem ao seu criador. Em italiano, pane di Tone, logo popularizado como panettone. Massimo Montanari, professor de História da Alimentação na Universidade de Bolonha, na Itália, afirma que isso aí, acima, é balela. Segundo Montanari, devemos distinguir o que são produtos que têm data de nascimento e um inventor claro, e aqueles que não têm. Na primeira categoria, por exemplo, está o pandoro (que no dialeto veneziano significa “folha de ouro”), cuja receita foi registrada no escritório de patentes em 1894 pelo padeiro de Verona Domenico Melegatti. Já o panetone, é uma receita de tradição coletiva e, assim, não se pode determinar com precisão absoluta seu lugar e data de nascimento. Embora a relação entre panetone e a cidade de Milão seja inegável, não é exclusiva, pois também existem registros em outras partes do norte da Itália. (No site www.bbc.com/portuguese/internacional-50913022, onde pesquisei, tem mais sobre o assunto). Filme canelense de animação conquista prêmio no Festival Internacional de Cinema de Carazinho Em março deste ano, quando fomos a uma das primeiras exibições do curta-metragem de animação O Armário Interior, realizado com a técnica do stop motion por um coletivo de dez batalhadores da cultura e da arte de Canela e da região, surpreendeu a originalidade e emocionou o enredo. Na reportagem, previmos que quanto mais exibições houvesse, mais reconhecimento e elogios O Armário Interior receberia. Na terça-feira (18), a produção da Miraceti Projetos Culturais, com direção de Joni Neto e Amallia Brandolff, adaptação de roteiro de Fernando Gomes, vozes de Potira Moura e Enio Martins (in memorian) – que assinou o sound desgn juntamente com Fernando Martinotto –, cenografia de Potira Moura e personagens criados em feltragem por Lana Rosa, ganhou um prêmio de grande importância, o de Melhor Animação no Festival Internacional de Cinema de Carazinho. Críticos de cinema seriam mais indicados para apontar as qualidades do filme de oito minutos, que demandou oito meses de intensas atividades, entre adaptação de roteiro, confecção de cenários e personagens, captação e edição. A nós, leigos que estavam na avant premiere em Canela, ficou a sensação de que víramos uma pérola, um trabalho artesanal que tocou, de forma inédita, num assunto que cala fundo a muitos: o tratamento aos idosos. Lana Rosa comentou comigo, na ocasião, que ao confeccionar com afeto o personagem do protagonista, um senhorzinho, pensava no seu pai. Parabéns ao pessoal, novamente, por este grande pequeno filme! Na premiação em Carazinho, Amallia Brandolff, Lana Rosa e Joni Neto ACESSIBILIDADE E RITMO Cadastrado na Política Nacional Aldir Blanc, o projeto Bloco Sebo nas Canelas, que desenvolve ações em prol da arte, da cultura e das manifestações populares, convida interessados para duas atividades formativas em Canela. Aline Mariot ministrará Oficina de Acesssibilidade, na sexta (21), às 14h, no Espaço Sicredi da rua João Pessoa. Já no sábado (22), Alan Lima será o instrutor na Oficina de Percussão no Centro Social Padre Franco, às 10h, e no Parque do Lago, às 15h.
Olá, muito prazer, FGC
Essa semana uma notícia tomou conta do mercado financeiro: a liquidação do Banco Master, um banco médio onde muitos investidores possuem aplicações. Finalmente, muita gente vai conhecer na prática o famoso FGC – o “seguro” do mercado financeiro. O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) nasceu em 1995, em meio à instabilidade que marcou a transição para o Plano Real. Criado e financiado pelos próprios bancos, tinha um propósito claro: impedir que a quebra de uma instituição – como agora acontece com o Master – resultasse em perdas totais para pequenos poupadores e desencadeasse corridas bancárias capazes de amplificar crises. Para isso, cobre depósitos e investimentos básicos – como contas correntes, poupança e CDBs – até o limite de R$ 250 mil por CPF e por instituição. Desde então, o fundo virou protagonista silencioso em momentos críticos, acionado para preservar a confiança do público e evitar efeitos em cadeia. Ao longo dos últimos 30 anos, esteve envolvido em mais de 40 episódios de intervenção, liquidação ou pagamento de garantia. Sempre faço um comentário que parece frio e mercantilista, mas é a mais pura verdade: é mais importante evitar que um banco quebre do que salvar um hospital. Duro de ouvir, mas essa é a lógica de estabilidade do sistema financeiro, a confiança. Quando um banco cai, ele derruba junto empresas, famílias, crédito e, no limite, a economia inteira. Há pouco tempo, o investidor comum não tinha muitas opções. Com contas concentradas nos grandes bancos, o risco também ficava concentrado. Lembro de um caso, quando eu ainda trabalhava em banco, de um cliente que havia acabado de entrar em um programa de aposentadoria antecipada. Recebeu uma “bolada” – dinheiro que, segundo ele, teria que durar o resto da vida, já que dali para frente dependeria exclusivamente do INSS (para muitos o maior esquema de pirâmide da história). Preocupado, perguntou o que aconteceria se o banco quebrasse. Expliquei sobre o FGC. Resultado: ele percorreu toda a Júlio de Castilhos, em Canela, e abriu conta em cada um dos bancos da cidade. Errado não estava. Quem tem mais de 45 anos se arrepia só de lembrar da música: “o tempo passa, o tempo voa e a poupança Bamerindus…” – bom, você sabe o resto. Só de escrever já me arrepiei também. Tudo começou a mudar por volta de 2010, quando a XP Investimentos foi pioneira na ideia de plataforma aberta, permitindo investir em produtos de diversas instituições usando apenas uma conta. De repente, o investidor pôde acessar mais bancos, taxas mais atrativas e dividir melhor seu risco. A lógica por trás dessas taxas é simples: bancos pequenos e médios têm maior dificuldade de captação de recursos, pois não possuem uma estrutura robusta de pessoas e agências físicas. Para atrair investidores, oferecem remunerações mais altas nas plataformas de investimentos e por meios digitais. E aí vale a máxima do mercado: taxa mais alta = risco mais alto. O FGC surgiu para proteger o público, mas seu próprio sucesso trouxe efeitos colaterais que hoje preocupam reguladores. Um deles é o risco moral: bancos que podem assumir riscos maiores contando com o respaldo do fundo, enquanto investidores aplicam confiando no “escudo” da garantia – muitas vezes sem entender e sem avaliar o risco no que está aplicando. É um casamento imperfeito: o investidor se sente protegido demais e o banco se sente livre demais. O caso do Master será mais um capítulo nos estudos sobre risco moral no sistema financeiro brasileiro. O FGC cumpre um papel indispensável, mas também cria incentivos que precisam ser monitorados. Para o investidor, a mensagem é clara: diversificar, avaliar o emissor e entender o produto importam tanto quanto a taxa. O FGC protege, mas não absolve ninguém de pensar. Se a garantia virou protagonista esta semana, que ao menos sirva para uma discussão mais madura sobre risco – e sobre como o mercado precifica segurança.
Sabor Não Paga Boleto: A Crise Invisível da Gastronomia
Durante anos, cultivar um restaurante foi sinônimo de sonho – um espaço onde paixão, técnica e sensibilidade se encontravam para alimentar pessoas e criar experiências. Mas, no Brasil de hoje, esse sonho tem custado caro. Cada prato servido esconde uma matemática implacável: ingredientes mais caros, energia imprevisível, folha de pagamento crescente, impostos sufocantes. A mesa posta pode até parecer elegante, mas o que se esconde no caixa é uma luta silenciosa.A crise da gastronomia não estampa manchetes. Não há gráficos mostrando o número de cozinhas que fecham, nem dados diários sobre o impacto da inflação nos insumos frescos. O que existe é um cotidiano de batalhas: negociar com fornecedores, lidar com a escassez de mão de obra qualificada, equilibrar o preço justo do prato com a sensibilidade do cliente que, também pressionado, busca gastar menos. O resultado é um setor que vive à beira do limite – e que, ainda assim, precisa sorrir, servir, agradar.Há um paradoxo cruel no ar. O público nunca esteve tão fascinado por gastronomia: programas de TV, influencers, fotos de pratos cinematográficos. Mas a beleza das imagens mascara a realidade: administrar um restaurante virou um exercício complexo de resistência emocional, financeira e criativa. Cozinhar continua sendo arte, mas mantê-la de pé virou ciência – uma ciência dura, pragmática e cheia de obstáculos.Restaurar, hoje, é sobreviver. E quem permanece no mercado o faz movido por algo que vai além do lucro: a convicção de que alimentar pessoas ainda é um ato que vale a pena. Mas essa convicção, por si só, não paga aluguel, não sustenta equipes, não equilibra balanços. É por isso que, mais do que nunca, precisamos olhar para a gastronomia não apenas como espetáculo, mas como trabalho. Um trabalho digno, exaustivo, estratégico – e profundamente ameaçado.E nossa região tem refletido muito este cenário. Muitos empreendimentos gastronômicos têm fechado as portas por falta de público consumidor e apoio do governo, que somente onera o setor. Muitas entidades de classe, sejam sindicatos ou associações, nada fazem para que essa realidade seja mudada, tornando-se mais um custo dentro do já complicado cashflow mensal. Olhar para o ramo gastronômico e buscando apoio para balanços endividados é olhar para uma paixão que morre a cada dia, trocada pelos fast-foods e comidas “tóxicas”, que sustentam não mais o paladar, mas, sim, bolsos cada vez mais esvaziados.Sabor encanta. Sabor emociona. Mas sabor, sozinho, não paga boleto.E talvez seja hora de todos – governo, consumidores e mercado – admitirem isso antes que mais portas se fechem, silenciosamente, na rua ao lado.
OS PERIGOS DA DESMOTIVAÇÃO
Recentemente socorri mais um idoso que caiu na perigosa calçada da rua Paul Harris, frente à Escola Estadual João Corrêa, onde os desníveis são um risco permanente para a segurança das pessoas. O mesmo descaso se observa no passeio público à frente de um estabelecimento na Avenida Júlio de Castilhos, onde é impossível que um Deficiente ou Idoso, ou qualquer outra pessoa, transite com segurança. A vítima do acidente disse sentir-se desmotivada a caminhar por algumas ruas da cidade, e isso é um desastre para quem deseja receber 2 milhões de visitantes durante o Sonho de Natal. Nosso Município registra 501 pessoas com deficiência e, entre elas, estão aquelas com baixa mobilidade, além de aproximadamente cinco mil pessoas com mais de 65 anos. Cuidar de espaços públicos frequentados por esse extrato da população necessita entrar na pauta de prioridades, porque já é expressiva a quantidade de desmotivados pelo exposto. Além disso, a escassa oferta de brinquedos e jogos nos poucos parques, praças e espaços de lazer infantis em Canela — locais iniciais para que crianças alcancem adequado desenvolvimento físico, social e cognitivo — é imprescindível no momento em que vivemos uma guerra em defesa da vida saudável, distante das telas. Quem deseja atrair famílias de moradores ou turistas precisa projetar e implantar playground’s, sob pena de desmotivar moradores e turistas. Neste período de final de ano, em que a sensibilidade fica mais aguçada e a percepção das dificuldades da própria existência se amplia, espera-se que nós, canelenses, ampliemos os espaços de escuta e de convívio, a fim de acolher pessoas que perdem os estímulos ou não reconhecem valor nas vivências. Enfrentar a terrível conta de atentados contra a própria vida, cometidos por quem está desmotivado, é tarefa de todos nós que gostamos de distribuir frases de efeito, mas deixamos de abrir as portas e os braços para quem não nasceu aqui e, portanto, está distante dos núcleos afetivos e familiares. Ao Poder Público Municipal, exigir que o Governo do Estado do RS providencie a preservação das calçadas dos prédios sob sua responsabilidade — assim como ao proprietário de um imóvel avaliado em alguns milhões de reais na Júlio de Castilhos — evitar novas razões para que os munícipes se sintam desmotivados. A desmotivação causa depressão, baixo rendimento profissional, desentendimentos familiares, agravamento de patologias físicas, inércia, isolamento e dificuldades no exercício criativo, além de acelerar a precariedade no autocuidado. Evitar a desmotivação de familiares, amigos, clientes, visitantes, companheiros de trabalho e de lazer é um ato solidário que precisamos alimentar.
O negro e a história
(Em homenagem…) Em seu livroPêlo Escuro(Ed. do autor – Porto Alegre-RS/1977), o autor Oliveira Silveirana poesia “sou”, declara: “Sou a palavra cacimba / pra sede de todo mundo e tenho assim minha alma: / água limpa e céu no fundo. Já fui remo, fui enxada / e pedra de construção; trilho de estrada de ferro, / lavoura, semente, grão”. Enquanto alguns grupos sugeriam o 13 de maio (dia da abolição da escravatura – pela Lei Áurea – acabou sendo oficializado o 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra, conforme Lei 14.759/23. A data lembra a morte de Zumbi dos Palmares… Na literatura brasileira (a chamada poesia abolicionista), tem o maior expoente na poesia “Navio Negreiro”, de Castro Alves: “Presa nos elos de uma só cadeia, / a multidão faminta cambaleia, / e chora e dança ali! Um de raiva delira, outro enlouquece, outro, que martírios embrutece, / cantando, geme e ri!”. E, para nós, entre tantas contribuições do negro na cultura gaúcha, imperioso destacar a culinária. Na verdade, a mão negra que ajudou a colonizar este país também tem participação nas culinárias gaúcha e brasileira. Partindo da brasileiríssima feijoada, a nossa cozinha afro-brasileira traz o quibebe, o mondongo, o mocotó, o angu, a canja, a rabada, a pimenta, a farofa, a canjica, o pirão de farinha de mandioca… E ainda muitos outros pratos com charque, com molhos e uma contribuição muito especial na famosa doçaria gaúcha. Além da utilização dos “miúdos” (desprezados, até então) e os temperos. Muitos deles, não raro, usados em meio a rituais religiosos… E, entre tantas outras manifestações culturais, o negro foi inspiração dos poetas, como a poesia “Tio Anastácio” de Jayme Caetano Braun (parte dela) – um clássico das letras Rio-Grandenses: “Entre a ponte e o lajeado / na venda do Bonifácio, conheci Tio Anastácio / negro velho já tordilho, diz que mui quebra em potrilho, hoje pobre, despilchado / de tirador remendado num petiço douradilho. (………………)”. Na literatura gaúcha, muitos autores entre eles José Euzébio Assumpção, Claudio Moreira Bento, Sandra Jatahy Pesavento, Moacyr Flores, Dante de Laytano e tantos outros, com muita propriedade descreveram e enalteceram a contribuição do negro na história econômica, social e cultural do Rio Grande do Sul… a nossa terra!