A estrada mais simbólica do turismo de Canela, a ERS-466, que liga o Centro ao Parque do Caracol, entrou oficialmente no radar do Governo do Estado para a cobrança de pedágio. O trecho tem apenas 7,2 quilômetros de extensão, mas está incluído no Bloco 1 do Programa de Concessões Rodoviárias do Rio Grande do Sul, o qual prevê 454 quilômetros de vias sob gestão privada e investimentos de R$ 6,4 bilhões ao longo de 30 anos. O Palácio Piratini afirma que o objetivo é modernizar a malha rodoviária e garantir recursos permanentes para manutenção, segurança e serviços aos usuários — como socorro mecânico e ambulâncias. A cobrança está prevista para ocorrer por meio do sistema eletrônico de livre passagem, o chamado freeflow, em que câmeras e sensores substituem as tradicionais praças de pedágio. O usuário paga apenas pelo trecho percorrido, e a identificação é feita automaticamente pela placa do veículo ou por etiqueta eletrônica. A proposta integra o novo modelo de concessões do Estado, que se apoia em contratos e editais de licitação, sem necessidade de nova lei específica para cada rodovia. Segundo o governo, o sistema é mais justo e eficiente, porque elimina filas e permite tarifas proporcionais.Nos bastidores, técnicos do setor de Planejamento explicam que a ERS-466 foi incluída por estar dentro do corredor turístico da Serra, onde o fluxo de visitantes cresce de forma constante. A cobrança seria uma forma de financiar a conservação do trecho e diluir o custo entre usuários eventuais, não apenas entre os cofres públicos. Prefeito Gilberto Cezar apresentou argumentos contrários ao pedágio UM PEDÁGIO EM APENAS 7 KM? O ponto mais sensível é a própria dimensão da estrada. A ERS-466 é curta, não liga cidades e tem perfil essencialmente urbano-turístico, com circulação intensa de moradores, trabalhadores e visitantes. Na prática, um pedágio ali afetaria deslocamentos cotidianos — de quem mora no bairro Caracol, trabalha em hotéis, restaurantes ou no próprio parque. Não há impedimento legal para a instalação de pedágio em um trecho curto: basta que o contrato de concessão preveja a cobrança e que o Estado justifique o benefício público. Ainda assim, a razoabilidade e a função social da medida são questionadas, inclusive por parlamentares e entidades locais. Embora o governo ainda não tenha divulgado valores específicos para a tarifa do novo pedágio, o modelo em consulta pública prevê preços médios de R$ 0,21 por quilômetro, o que, aplicado à ERS-466, equivaleria a cerca de R$ 1,50 por trajeto. O pagamento seria feito apenas em um sentido, conforme a tecnologia freeflow. A REAÇÃO DE CANELA O prefeito Gilberto Cezar contesta proposta do governo do RS e sugere a municipalização da ERS-466. O gestor levou pessoalmente ao governo estadual, na terça-feira (5), seus argumentos contrários à proposta. Em reunião no Centro Administrativo Fernando Ferrari, em Porto Alegre, com representantes da Casa Civil e das secretarias de Planejamento e Reconstrução, ele defendeu que o pedágio seria prejudicial à comunidade e ao turismo local. Segundo o prefeito, a medida não observa os princípios da razoabilidade nem da finalidade pública, uma vez que a ERS-466 não é rodovia de alta circulação de cargas nem ligação intermunicipal. “A população ficaria cercada. Os moradores teriam que pagar para circular dentro do próprio município — para trabalhar, levar os filhos à escola, ir à farmácia ou ao comércio local”, destaca Cezar. O prefeito também rebateu o argumento de que o trecho necessitaria duplicação, hipótese usada como justificativa em outros contratos. Para ele, o investimento deve seguir outro rumo. Como alternativa, o prefeito manifestou o interesse em municipalizar a rodovia, com o objetivo de evitar transtornos à população e direcionar investimentos para infraestrutura turística, como construção de ciclovias e demais melhorias ao longo do trecho. O governo estadual, por enquanto, mantém a proposta dentro do pacote de concessões. A fase de consulta pública ainda está aberta, e as audiências devem definir ajustes no projeto antes do leilão.Em Canela, o clima é de mobilização: líderes locais, empresários e moradores começam a articular frente de diálogo para tentar retirar a ERS-466 da lista de cobrança. Enquanto isso, a estrada segue movimentada como sempre — turistas indo ao Caracol, trabalhadores se deslocando e moradores cruzando o mesmo trajeto várias vezes por dia. O que antes era apenas um caminho de sete quilômetros agora virou símbolo de uma discussão maior: até onde vai o direito de cobrar por circular, e quando a cobrança deixa de ser justiça tarifária para se tornar barreira à vida cotidiana de uma cidade. COBRANÇA PENALIZA CIDADÃO E TURISTA Líder do PSDB na Câmara, o vereador Lucas Dias já manifestou publicamente a sua contrariedade a proposta do Governo estadual em pedagiar a ERS-466. “Como vereador de Canela, me oponho à instalação de um pedágio em sistema Free Flow entre o Centro e o Bairro Caracol. Isso, na prática, divide a cidade e penaliza quem já enfrenta distância, falta de vagas em escolas, dificuldades de acesso à saúde e transporte público. E não é só o morador que perde, mas o turista, base da nossa economia, também é diretamente afetado por mais uma barreira de acesso”, comenta Dias. “Considero inaceitável tentar diferenciar ‘praça’ de pedágio de ‘sistema eletrônico’ para dizer que não se descumpriu promessa de campanha; criar uma nova cobrança é, sim, criar um novo pedágio. Peço a suspensão da medida e a revisão responsável do projeto, com transparência e metas claras. O governo precisa rever essa decisão e, sobretudo, não insultar a inteligência do povo gaúcho”, conlui o parlamentar. MELHORIAS E OPORTUNISMO Para o empresário do ramo hoteleiro e presidente do Sindicato da Hotelaria, restaurantes, Bares, Parques, Museus e Similares da Região das Hortênsias (Sindtur Serra Gaúcha), Cláudio Souza, os novos pedágios poderão favorecer a indústria do turismo em razão da promessa de melhorias nas rodovias estaduais de acesso a região. Porém é contrário ao sistema Free Flow na ERS-466. “Penso ser vital a implantação devido a ineficiência do Estado. Na estrada do Caracol acho oportunista se realmente implantarem. Não acredito em queda de fluxo. Todos se
Pappardelle e a Arte de Fazer Massas
Paulo André da Rosa foi um dos pioneiros da nova gastronomia serrana. Sua trajetória sempre foi dividida entre a culinária, a cultura e o turismo de Canela. Em 1997 abriu uma moderna pastelaria que fez história. Exatos vinte anos mais tarde, em dezembro de 2017, tendo se aprimorado na arte de produzir massas artesanais, inaugurou o restaurante Pappardelle, especializado em pastas variadas. O Pappardelle surgiu com o objetivo de inovar de forma criativa o jeito de comer massa! Paulo André queria algo novo e que proporcionasse ao cliente uma experiência diferente. Foi então que veio a ideia de criar um restaurante onde o cliente inventasse seu próprio prato de massa, podendo escolher e misturar molhos e acompanhamentos. A ideia agradou e o aconchegante restaurante está comemorando 8 anos de sucesso. Para ambientação foi escolhida uma decoração vintage onde não faltam curiosidades como rádios antigos, eletrodomésticos, miniaturas de kombis e um imenso lustre feito de taças de vinho penduradas de cabeça para baixo. O lugar aconchegante desperta um pouco do chef que existe em cada cliente com a oportunidade de criar seu próprio prato. Em vez de cardápio, uma vitrine na parede mostra os tipos de massas frescas disponíveis no dia, e no balcão trinta opções de ingredientes e quatro de molhos permitem as mais diversas composições. A casa oferece a possibilidade de meia porção, com quantidade suficiente para satisfazer quem não come muito. Tanto as pastas quanto os molhos são fabricados no local. Uma parte é porcionada para atender o restaurante e outra para atender a clientes que fazem encomendas ou passam para comprar congelados. Os rondeles e lasanhas congeladas são muito procurados para levar para casa, mas dependem de mais tempo para produzir, o que nem sempre é possível em épocas de muito movimento. Paulo André trabalha as massas como um tecelão, misturando cores, sabores e produzindo metros e metros de pasta fresca como se fossem tecidos que no final se transformam em 20 diferentes tipos, clássicos ou saborizados. Variedades como penne, spagheti, pappardelle, raviólis e tantos outros que podem ser escolhidos e preparados na hora. Para Paulo fazer massas é um ritual emocionante que não para nunca, e como ele está sempre criando novidades em menos de 60 dias estará abrindo mais um novo espaço. Será um empório de massas para suprir turistas, moradores e veranistas que vão poder se abastecer e fazer suas próprias criações em casa. Pappardelle Diariamente das 11h30 às 23hAv. Osvaldo Aranha, 485 – Canela(54) 99106 9025@pappardellemassasfinas
OS NOMES QUE CONTAM A HISTÓRIA DE CANELA
Os nomes mais comuns em Canela revelam a história viva da cidade. De Maria e João a Alice e Theo, cada geração trouxe sons e significados diferentes aos registros de nascimento.
O levantamento do IBGE 2022 mostra que tradição, fé e estética se misturam: enquanto Silva e Oliveira seguem como os sobrenomes mais frequentes, novos nomes como Helena, Valentina e Miguel ganham força nas últimas décadas.
Mais do que curiosidade, é um retrato da cultura local — onde cada nome é também um pedaço da memória de Canela.
Social da Samanta – 701
Shana Lima e Cadu Mayrece Foto: Gustavo Merolli Inside Mayrece Ar aquitetura, comandada por Cadu Mayresse e Shana Lima, realiza a primeira edição do InsideMayresse, uma imersão presencial voltada a profissionais da arquitetura, decoração e construção civil que desejam crescer de forma estruturada e atuar com clientes de alto padrão. O encontro acontecerá em Porto Alegre e terá vagas limitadas, garantindo uma experiência próxima, inspiradora e transformadora. TOSQUIA E PARRILLA No dia 16 de novembro, o Borgo recebe o chef Fernando Schimanoski, que comanda a parrilha, e o tosquiador Jaime Junior, que vai mostrar de perto o processo da tosquia das ovelhas Texel. Uma programação pensada pra quem ama natureza, gastronomia e cultura rural. Um dia de campo no coração da Serra, com churrasco, boa companhia e uma vivência única junto às ovelhas do Borgo, em Gramado! Participe Greice Hermann é a nova integrante do Rotary Club Inspiração, uma profissional multifacetada e inspiradora! Sempre engajada em ações sociais, Greice acredita no poder da empatia e do apoio para fazer a diferença na vida das pessoas Foto: Divulgação Vivi, Leco, Carlinha e Catarina Tomazelli comemorando os 50 anos da Imobiliária Gramadense em uma grande festa voltada para as crianças na Várzea Grande, o evento aconteceu no dia primeiro deste mês. Foto: Divulgação Diego e Pâmela Martins fazendo lindos registros nos 3 meses do pequeno José Foto: Lu Silva Lana Rosa é a artista plástica que deu vida as paredes dos quartos da Casa Lar que foi recentemente reinaugurada! Foto: Samanta Vasques A gramadense Adriana Moreira, representante da Comissão Imobiliária da Câmara de Comércio França-Brasil no Rio Grande do Sul/ Gramado, esteve em recente jantar de Gala em SP. Na ocasião, com o presidente da Câmara Thierry Besse, Alessandro Novo, vice líder e Cristiane de Paula, líder da Comissão Imobiliária Foto: Divulgação
Social da Bina – 701
Alan Erthal e Fernanda Chies, sócios do Magnólia a caráter para o Halloween do Mag Foto: Paula Vinhas TROFÉU INFINITO Nesta sexta-feira (07), a Brocker Turismo promove seu 18º Troféu Infinito. Operadores de viagem de todo o Brasil aterrizam em Gramado para receber o troféu mais cobiçado entre os top vendedores do destino Serra Gaúcha. Letícia Xavier e Humberto Costa, habitués do Halloween do Mag. Não perdem uma festa Foto: Paula Vinhas Adrian Lacerda, gerente do HRC, com a maquiadora Jennifer Sa, e o designer Jorge Bischoff, na ocasião de lançamento da collab da Bischoff Wines e o Hard Rock Cafe Gramado Foto: Paula Vinhas Anfitriões do Baile do Quinta, Patrícia Fattori e Cícero Stahl. Ele presidente do time de futebol que comemorou os 20 anos com um baile beneficente na Sociedade Belvedere em Gramado Foto: Bina Santos Na Baile do Quinta, Luís e Sirlei Lovato, que contribuíram para o evento que teve caráter beneficente Foto: Bina Santos
CORRENDO, PINTANDO, VIVENDO!
Parte da equipe da On Fit Na semana passada noticiamos aqui a participação de uma canelense, Andréia Negrelli, na Maratona de Chicago. Por simpatia pelos corredores, voltamos ao assunto porque suar correndo muito – ou pegando leve, como fazem os praticantes de jogging, entre os quais voltei a me incluir – traz inegáveis benefícios para o corpo e a mente. A corrida regular é um esporte que não requer habilidade e isso é um trunfo extra para quem é ruim de bola, não sabe pegar uma raquete, nada mal, etc. Basta um bom tênis, disposição e treinar e treinar e treinar. Os bons exemplos estão por toda parte, em Canela ou longe. Reservamos espaço, também, para mostrar o bem que faz uma tela, pincéis, tintas e a disposição para enfeitar a vida. Um relato da senhora que, idosa, continua alegrando quem convive com ela e com as coisas belas que ela pinta. CAMARADAGEM PARA VENCER DISTÂNCIAS A Academia On Fit, de Canela, organizou um grupo de corridas em 2019. Em seis anos, Andrews Macedo viu seu grupo crescer a ponto de, hoje, contar com cerca de 180 participantes. “Aqui não existe idade, todos podemos correr”, diz ele. “O treinamento é feito através de grupo no WhatsApp, uns convidam os outros para se motivarem a manter o corpo ativo”, acrescenta. Rosane Warken Iniciando com crianças de dois anos, que já participam de corridinhas Kids, as faixas etárias do grupo de corredores são praticamente todas.Rosane Costa Warken, 63 anos, representa uma delas. Ela é a personificação do prazer em correr, em qualquer idade e diz: “Correr, para mim, é uma forma de estar ligada aos colegas da academia, também corredores, que são pessoas que se encontraram com o objetivo de melhorar a saúde e o bem-estar. Na academia tive o incentivo para correr. Os treinos são muito organizados, as corridas em outras cidades, de 5, 10km, eu gosto demais. Cuido da minha saúde física e mental e, estar com pessoas do bem, interessadas umas com as outras, é muito especial”. RESISTÊNCIA TESTADA TODO DIA A porto-alegrense Lívia Slaviero (ao lado), treinadora, atleta, educadora física e fundadora da LS Run Assessoria Esportiva sua para atingir um objetivo que pode inscrevê-la no Guiness Book of Records: correr 365 meias-maratonas (ou 21,1km) em 365 dias. E para isso ela vai (alerta para trocadilho) a passos largos. Atingiu o marco de 50 percursos equivalentes a meiasmaratonas consecutivas, o que já é inédito. Foram mais de mil quilômetros percorridos, propiciando a notoriedade que Lívia quer aproveitar para divulgar seu projeto Movimento Todo Dia.No Instagram @liviaslaviero a corredora fala de sua experiência de vida e o que a levou a traçar este objetivo: “É uma iniciativa que nasceu para inspirar pessoas a redescobrirem a força que carregam dentro de si. (…) É um desafio que criei para superar a depressão, no qual corri 52 meias-maratonas em um ano, uma a cada semana. (…) Essa jornada de ressignificação, coragem e resiliência metransformou completamente”. Slaviero escreveu o livro Projeto 52 Maratonas uma jornada de coragem e resiliência. Apesar dos 89 anos, não é justo, para a canelense Solores Dossin Bazzan (89) parar de mostrar aos outros o seu talento na criação de coisas bonitas. A vida reservada, que a idade impôs, não significa no entanto afastá-la das atividades que sempre lhe deram prazer e renderam elogios, como preparar por décadas as vitrines da Loja Dossin, na Júlio de Castilhos. A pandemia propiciou à Dona Solores o contato com a pintura numerada, descoberta que se tornou paixão e originou dezenas de telas. Além das paredes da própria casa, os quadros multicoloridos são presenteados para a família e decoram também empreendimentos. Assinar cada pintura significa já pensar na próxima. O CLUBE DA ESQUINA PERDEU UM SÓCIO-FUNDADOR O sentimento de orfandade após a morte de um talento, para quem viveu as décadas do apogeu da nossa MPB, é inevitável, é sintomática, principalmente quando vemos que as substituições são raras. Depois da Nana Caymmi em maio, agora a baixa pesada foi na música que considero a mais bonita do Brasil, a feita em Minas Gerais. Lô Borges, morto em 2 de novembro, representou a simplicidade de compor letras e melodias gostosas como pão de queijo. Nos fez pegar o trem azul, serviu de bandeja a Milton Nascimento, o cantor que tinha a voz poderosa que ele não tinha, como de resto Beto Guedes, Flávio Venturini e outros da turma. Entristece muito, saber que Milton Nascimento está sofrendo de demência.
A filosofia do sushi
A filosofia do sushi – simplicidade, pureza e respeito ao ingrediente Por Eduardo dos Santos Mais do que um prato, o sushi é uma forma de pensar o mundo: o equilíbrio entre o mar e a terra, o gesto e o silêncio, a simplicidade e o respeito. Há algo de profundamente silencioso no gesto de quem molda um sushi. Entre o calor das mãos e o brilho do peixe, há uma conversa muda — o diálogo entre o homem e a natureza. Cada peça nasce da atenção, da escuta e do respeito. O sushi não é apenas alimento; é filosofia. Sua beleza está no que é simples, no que se faz com delicadeza e intenção. O arroz representa a terra e a constância; o peixe, o mar e a impermanência. Quando se encontram, revelam o equilíbrio que o Japão chama de wabi-sabi — a harmonia entre o imperfeito e o passageiro. No balcão de um sushiman, o tempo tem outro ritmo. O mestre trabalha com serenidade, como quem medita. O corte da faca é preciso, o toque no arroz é firme e leve. Nada é exagero. Cada movimento carrega décadas de disciplina, humildade e devoção ao ofício. No sushi, menos é sempre mais. Não há espaço para o excesso ou a distração. Um peixe, um toque de arroz, uma pincelada de shoyu — e o sabor do mar se revela inteiro. O sushiman não busca transformar o ingrediente, mas compreendê-lo. Seu papel é revelar, não dominar. Em tempos de velocidade e ostentação, o sushi é um ato de resistência. Ele convida à pausa, à presença. Convida o comensal a perceber o instante exato em que o sabor se desfaz na boca — e, nesse instante breve, entender que toda perfeição é passageira. O sushi ensina que a pureza nasce do respeito: respeito pelo alimento, pela natureza, pelo tempo e pelo próprio gesto. Comer sushi é um exercício de gratidão. É aceitar que a beleza está no simples e que o essencial nunca grita — apenas sussurra. Porque, no fim, a verdadeira filosofia do sushi não está na técnica, mas na atitude.Simplicidade. Pureza. Respeito. O resto é silêncio — o silêncio do sabor.
O consórcio sob uma nova ótica: planejamento, não enrascada
Produtos financeiros oferecidos com entusiasmo costumam acender um alerta: será que é bom mesmo ou é mais vantajoso para quem vende? Em muitos casos, a desconfiança é justificada e o consórcio não foge à regra. Nove em cada dez clientes que chegam até nós na Black Investimentos possuem um consórcio sem realmente entender como ele funciona. Resultado: desconhecem suas vantagens, riscos e possibilidades. Em geral, contrataram por impulso ou por necessidade momentânea. Sou José Gonçalves, assessor de investimentos e responsável pela área de consórcios na Black Investimentos, e quero ajudar a desmistificar esse “bicho de sete cabeças” que o consórcio se tornou. A má fama não surgiu do nada. Bancos e administradoras, em busca de metas, vendem o consórcio apelando ao senso de urgência e ao desejo imediato dos consumidores. Essa prática transforma o que deveria ser uma ferramenta de planejamento em uma verdadeira armadilha financeira. Quando contratado sem orientação, o consórcio pode se tornar um compromisso longo e desgastante, gerando frustração e a ideia de que “nunca mais quero ouvir falar nisso”. Mas, se olharmos com a lente certa, o consórcio pode ser justamente o oposto: um instrumento estratégico de construção patrimonial. Em essência, ele é um poder de compra programado, que permite adquirir um bem ou serviço no futuro com o valor de hoje e sem juros, apenas com taxa de administração. Essa característica faz toda a diferença em momentos de juros altos, quando o financiamento tradicional encarece rapidamente o custo total da operação. No consórcio, o dinheiro trabalha de outro jeito, preservando o poder de compra. Podemos enxergar o consórcio como a ferramenta dos disciplinados. Enquanto o financiamento é o “quero agora e pago depois”, o consórcio propõe o inverso: “pago agora e recebo depois”. Essa simples inversão muda o comportamento financeiro — e, no longo prazo, forma investidores mais conscientes e estratégicos. Para quem investe, o consórcio pode ir além da simples aquisição de um bem. Ele pode funcionar como uma forma de alavancagem controlada. Investidores com liquidez, por exemplo, podem dar lances antecipados e conquistar a carta de crédito mais cedo, sem se descapitalizar por completo. Por exemplo, se o cliente usar 250 mil para contemplar uma carta de 500 mil, quando a carta for contemplada o valor vai para um fundo de reserva e fica rendendo próximo ao 100% do CDI Isento de IR, detalhe você pagou 250 mil até agora e está com 500 mil rendendo, alavancagem na veia sem risco. E ainda mantêm parte dos seus recursos aplicados em investimentos que rendem mais do que a taxa administrativa do consórcio. É como um movimento de xadrez financeiro: planejado, paciente e com potencial para abrir boas jogadas futuras. Em vez de imobilizar o capital de uma vez, o investidor distribui o esforço ao longo do tempo, garantindo previsibilidade e proteção contra a inflação. Outro ponto pouco explorado é a eficiência fiscal e patrimonial. O consórcio pode ser usado estrategicamente para a troca de um imóvel, expansão de um negócio ou aquisição de um ativo de alto valor, tudo isso sem comprometer o fluxo de caixa nem expor o patrimônio a riscos desnecessários. Naturalmente, o sucesso depende de planejamento, orientação técnica e alinhamento com os objetivos de quem contrata. Sem isso, o consórcio vira peso. Mas, bem estruturado, ele se transforma em um aliado poderoso de quem pensa o futuro com estratégia. No fim das contas, o consórcio não é vilão nem herói — é apenas uma ferramenta. E, como toda ferramenta financeira, seu valor está nas mãos de quem a utiliza. No tabuleiro das finanças, às vezes o movimento mais inteligente não é o mais rápido, mas o mais bem pensado. José Gonçalves – Sócio Escritório Black jose.goncalves@escritorioblack.com.br @j.rebechi
Nostalgia
Final de ano é sempre um período de reflexões. Por mais que todos os anos pareçam iguais e minha mente insista em lembrar que janeiro virá e as coisas seguirão como são, sempre bate uma saudade do passado. Claro que a virada do ano marca um importante ponto no tempo e, com ela, tudo lá atrás fica um ano “mais distante”. Não tem sido diferente agora. No final de semana passado, fizemos uma viagem de amigos para o Rio de Janeiro. Temos uma turma de casais que se formou a partir da amizade de infância de algumas das esposas e se completou com nossa convivência, já que nossos filhos foram colegas de aula – primeiro na Toca dos Tocos e depois no Colégio Marista. A maioria de nós se conhecia desde a infância, mas nem todos pertencíamos às mesmas turmas. Entretanto, muitas coisas eram comuns a todos nós durante a infância e a juventude. Conversando na van, durante o retorno de Porto Alegre para Canela, já no fim da viagem, relembramos nosso tempo de adolescência. E duas lembranças foram muito comentadas: nossa liberdade de ir e vir e os verões no Canela Tênis Clube. Quem viveu os anos 80 e 90 do século passado sabe o quanto éramos crianças livres. Chegada a estação quente, era comum pegarmos as bicicletas, sairmos de casa pela manhã – às vezes retornando apenas para o almoço – e ficarmos até tarde da noite na rua. Isso em uma época em que a única forma de comunicação era o telefone fixo! O clima bucólico, a violência praticamente inexistente e a confiança das pessoas umas nas outras tornavam possível que um adolescente saísse de casa e passasse o dia inteiro sem dar notícias. Afinal, nossos pais sabiam que a rede de contatos certamente os informaria caso algo acontecesse. Mas de que adiantaria tanta liberdade se não houvesse um ponto de encontro? Esse lugar, durante o verão, era o Canela Tênis Clube. Em uma época em que não existiam condomínios fechados e a imensa maioria das casas não tinha piscina, o clube se tornava nosso ponto de encontro – não apenas no verão, mas ao longo de todo o ano. Os encontros bissemanalmente marcados nas terças e quintas à noite, por conta do futebol, se transformavam em convivência diária, que começava pela manhã e se estendia até a noite. Para quem vinha do centro, porém, era necessário passar pela rua Tenente Manoel Corrêa e escapar das mordidas da cachorrada. Mas, passado o susto, vinha a recompensa: a piscina, o calor, as partidas de tênis e futebol, o reencontro com os amigos. Às vezes ocorriam imprevistos, como o exame médico vencido que impedia a entrada na piscina – guardada com absoluta presteza pela Bia -, mas isso era o de menos! Enfim, uma época sem redes sociais, em que a interação só era possível nesses espaços, nas nossas casas ou na própria rua, em uma simples brincadeira, como fazíamos lá no Beco da Willy Dienstmann.
Folclore – Mitos e Lendas mundiais
(e a cultura universal…) O Folclore, como sabemos, é o estudo da cultura popular. São brincadeiras, danças, festas, comidas típicas e demais costumes, entre eles, os mitos e as lendas. Tudo, transmitido de geração em geração. Os mistérios: Também chamados ‘milagres’, eram uma forma popular de teatro da Idade Média. O clero era proibido de atuar nessas peças, que eram representadas e assistidas por leigos. A criação, a segunda vinda de Cristo ea vida dos santos eram temas recorrentes. Hagiografia medieval: Hagiografia, palavra de origem grega, é a biografia de um santo. Eram muito populares na Idade Média. Embora muitos santos fossem mais ou menos fictícios, suas histórias continham preceitos morais que a Igreja queria promover. Um exemplo é a “Lenda Dourada”: um calendário dos dias dos santos e suas histórias. A hagiografia protestante mais conhecida é o “Livro dos Mártires” (1563) de John Foxe. Santos padroeiros de profissões (santo / profissão): São Gabriel (Carteiros), São José (Carpinteiros), São Miguel Arcanjo (Pára-quedistas), São Mateus (Contadores), São Tomás Moro (Advogados), Santo André (Pescadores), Santo Estêvão (Pedreiros), São Jerônimo (Bibliotecários), Santa Marta (Donas de casa), São Benedito (Cozinheiros), São João Evangelista (Escritores). “Fatos” do Bestiário: Macaco – Dá à luz a gêmeos: ama um e odeia o outro. Basillisco – Réptil pequeno, porém mortal. Pode matar um homem com um olhar, mas morre se for visto primeiro. Elefante – Dá à luz na água para evitar que os dragões levem os filhotes. Ouriço – Derruba uvas dos vinhedos e as recolhe em seus espinhos. Avestruz – Come ferraduras em brasa recém forjadas. Pelicano – Alimenta os filhotes com o próprio sangue (e por isso é o símbolo do sacrifício de Cristo). Sapo – É capaz de viver durante séculos se for enterrado na areia. Estranho e maravilhoso: Muitas das nossas histórias infantis existem desde o século XVII; algumas são ainda mais antigas. Estão em constante evolução e há várias teorias a respeito de seus significados ocultos. No livro “Mitos, Lendas e Folclore” (Enciclopédia do Saber – Seleções do Reader’s Digest), há muitos outros exemplos desses usos e costumes universais e tão comuns ao Rio Grande do Sul… a nossa terra!