Canela caminha para assumir, de forma definitiva, o Parque do Palácio. Na sexta-feira passada (11), o Governo do Estado protocolou na Assembleia Legislativa o Projeto de Lei nº 272/2025, que propõe a doação do espaço ao município. A matéria revoga o gravame que desde 2010 obrigava a construção de um centro de convenções no local. O novo texto legal elimina esse entrave e estabelece um novo horizonte: a preservação do local como parque urbano, com uso público e vocação ambiental. A área em questão soma aproximadamente nove hectares e abriga vegetação nativa remanescente da mata de Araucária e dos campos de altitude. Está localizada no coração da cidade, cercada por bairros residenciais e vias de acesso importantes, o que a torna particularmente valiosa do ponto de vista urbano. Em um cenário de adensamento crescente e pressão imobiliária contínua, manter esse espaço como área verde aberta representa não apenas uma conquista ambiental, mas uma decisão estratégica para a qualidade de vida da cidade. O terreno integra o conjunto do Palácio das Hortênsias, construção erguida em 1954 para servir como residência de veraneio dos governadores do Rio Grande do Sul. À época, a escolha por Canela não foi casual, o clima ameno, a paisagem serrana e o perfil discreto do município justificaram a instalação do imóvel, que se tornou também um ponto simbólico da presença institucional do Estado na Região das Hortênsias. Projetado com linhas arquitetônicas sóbrias e cercado por jardins e mata nativa, o palácio manteve uso oficial até meados dos anos 2000. Em determinadas temporadas, chegou a ser habitado por governadores e suas famílias, além de receber eventos reservados da administração estadual. Durante décadas, a área ao redor do palácio permaneceu relativamente intocada — por inércia administrativa, mas também por respeito ao seu valor paisagístico. Parque do Palácio tem 9,1 hectares de vegetaçãoFoto: Izaque Santos UM IMPASSE, UMA VIRADA A doação do imóvel ao município foi formalizada em 2010, por meio da Lei Estadual nº 13.506, que previa como contrapartida a construção de um centro de convenções até janeiro de 2025. Caso a obra não fosse concluída, a área retornaria ao domínio do Estado. A exigência, no entanto, mostrou-se impraticável. O projeto não avançou, não captou recursos e não encontrou respaldo popular. Nos últimos anos, a mobilização da sociedade civil foi decisiva para reverter o destino da área. Entidades como o grupo Amigos do Parque do Palácio e o Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Condema) organizaram manifestações, audiências públicas e estudos ambientais. A principal crítica recaía sobre os impactos de uma construção de grande porte em um ecossistema urbano frágil, que abriga nascentes, fauna silvestre e vegetação de regeneração lenta. Em agosto de 2023, a Câmara de Vereadores de Canela arquivou, por unanimidade, uma proposta de permuta envolvendo a área. O gesto político refletiu o consenso popular: a comunidade não aceitava trocar um pedaço de natureza por concreto. O NOVO PROJETO DE LEI: DA EXIGÊNCIA À PRESERVAÇÃO Prefeito Gilberto Cezar liderou as tratativas para a doação da área para Canela Foto: André Fernandes O PL 272/2025 nasce desse contexto. Ele revoga formalmente o gravame da lei anterior e transfere a posse plena da área ao município. Em troca, estabelece um prazo de 15 anos para que a Prefeitura implemente uma série de melhorias compatíveis com o uso ambiental: revitalização de trilhas, criação de mirantes, ciclovia, parque infantil, espaço pet, biblioteca interativa e centro de interpretação ambiental. Todas as intervenções deverão respeitar a integridade do terreno, sem construções pesadas ou impacto ecológico relevante. O prefeito Gilberto Cezar (PSDB), que liderou as tratativas junto à Casa Civil do Estado, classificou o projeto como “um gesto de reparação histórica e uma vitória da cidadania ambiental”. Ele afirma que o parque será incluído no orçamento municipal e que poderá contar com estruturas de apoio – como cafés, quiosques e eventos culturais – desde que respeitem a lógica do uso coletivo e sustentável. MAIS QUE PAISAGEM, UM SERVIÇO AMBIENTAL A preservação do Parque do Palácio como área verde urbana não é apenas um ganho estético. Trata-se de uma função ambiental concreta. Em tempos de ilhas de calor, enchentes urbanas e fragmentação ecológica, manter nove hectares de solo permeável e arborizado dentro da malha urbana oferece diversos benefícios diretos: regulação da temperatura local, retenção de águas pluviais, aumento da biodiversidade e oferta de sombra e ar puro para a população. Além disso, o espaço pode funcionar como laboratório vivo para atividades de educação ambiental, cultura ao ar livre e bem-estar comunitário. A vocação natural do parque — com topografia suave, trilhas já formadas e flora característica da região — favorece a adoção de um modelo de parque “aberto”, sem grades, com livre circulação de pessoas e integração ao cotidiano urbano. “Estivemos em vias de perder o direito de uso do Parque do Palácio, pois o município ultrapassou o prazo anterior para construir no local um Centro de Eventos. Depois de um trabalho de interlocução, antes mesmo de assumirmos o governo, conseguimos mais tempo para apresentar uma nova proposta, que é esta de transformar o Parque do Palácio em um espaço público e de uso coletivo. Agora cabe aos nossos deputados darem o aval definitivo”, destaca o prefeito, Gilberto Cezar. UMA VERDADEIRA RELÍQUIA Para o biólogo Vitor Hugo Travi, quando Canela assumir definitivamente, a posse do Parque do Palácio, a cidade será beneficiada de forma ambiental. “É uma área ainda natural, com os dois ecossistemas originais ainda presentes, como campos de altitude e mata de araucária, praticamente no Centro da cidade. Um patrimônio ambiental imensurável para ser desfrutado pela população numa cidade cada vez mais sufocada por prédios e ruas lotadas de carros e ônibus”, avalia Travi. “Um local de fácil acesso para as famílias passarem momentos de pura harmonia e sintonia com o ambiente natural restante, uma vez que a urbanização crescente substituiu a maior parte do grande sistema natural que havia, a partir do início da colonização. Trata-se de uma verdadeira relíquia, e assim deve ser tratado”, opina ele. PARQUE VAI SEGUIR
Festa Colonial de Canela
A gastronomia típica, como sempre, está sendo um dos grandes atrativos da Festa Colonial de Canela. Produtos coloniais, como pães e cucas quentinhos saindo direto do forno a lenha, e delícias nem tão conhecidas como o pastel de pinhão e a fortaia fizeram sucesso com o público. Pela primeira vez, a Festa oferece um completo e farto café colonial, com a variedade e o sabor das receitas tradicionais. Outro destaque são as duas cervejarias artesanais de Canela – Farol e Viking Bier – que se uniram e contam com um estande único. Um dos principais atrativos gastronômicos são os bolinhos de batata que trazemos a receita aqui para quem quiser come-los o ano todo. Receita do Bolinho de Batata Colonial Fotos: Arthur Dias Para uma receita de 10 bolinhos 1k de batatas doce, 50 gramas de tempero verde, 50 gramas de orégano, 1 colher de sopa de sal, 6 ovos, 400 gramas de farinha para empanar, 250 gramas de presunto e queijo e 250 gramas de carne. Modo de preparo: Cozinhe bem as batatas. Amasse como se fosse fazer um purê. Depois de amassar misture o tempero verde, orégano e já acrescente o sal na massa pronta. Monte a base do bolinho e acrescente o recheio de presunto e queijo ou a carne já cozida. Depois enrole bem fazendo o formato do bolinho e passe nos ovos batidos e na farinha de empanar. E já está pronto para fritar. Bom proveito! O evento que tem entrada franca e segue até o dia 27 de julho alegrando a Praça João Corrêa e arredores com música e muitas atrações culturais. Parabéns ao Volks Bar Na frente da Prefeitura de Canela, o Volks Bar, conhecido carinhosamente como “Xerox” é parada obrigatória para quem vive na cidade. Desde 1985, o lugar reúne moradores, histórias e os melhores lanches de balcão. O fotógrafo Leonid Streliaev, cliente assíduo, enviou um registro em homenagem aos 40 anos do lugar. A foto mostra bem o que o Volks representa: simplicidade, simpatia, excelente atendimento e identidade local. Impossível não se render ao ritual de começar o dia por ali. Prawer lança linha encantadora de sobremesas finas Reconhecida como pioneira no chocolate artesanal no Brasil desde 1975, a Prawer amplia seu portfólio com uma linha irresistível de sobremesas finas que combinam sofisticação, sabor e excelência em cada detalhe. A coleção une mousses, recheios cremosos, frutas selecionadas, especiarias brasileiras e finalizações criativas. Cada sobremesa entrega uma experiência única, seja pelo visual encantador, pela crocância das coberturas ou pelo sabor marcante. Entre os destaques estão o Ursinho (mousse de chocolate meio amargo com recheio de Nutella), o Ratinho (cumaru com doce de leite) e o Dino, com mousse e recheio de bala Fini — uma proposta lúdica que conquista todas as idades. Os sabores tropicais também ganham protagonismo com combinações como Coco com Manga, Maracujá com Morango e Coco com Cupuaçu, que exploram o frescor das frutas em contraste com bases suaves e bem estruturadas.
Social da Samanta – 685
Max, o aniversariante e sua bela esposa Karina Abrahão no evento! Foto: Divulgação A icônica Mansão do Magnólia foi o cenário escolhido para comemorar os 50 anos de Maximiliano Dias, na noite do último dia 5. A festa reuniu mais de 100 convidados, em sua maioria vindos de Porto Alegre para prestigiar o anfitrião. A trilha sonora do jantar foi conduzida pelo violino de Neto Carvalho, enquanto a DJ Michele Wender comandou a pista de dança, encerrando a noite em clima de celebração e alegria. Janaína Coelho curtindo o lindo visual do inverno na Serra, na Estalagem La Hacienda! Foto: Divulgação Sabrina Knevitz celebrou a vida do pequeno Bernardo Knevitz Abreu em uma festa linda com a família e amigos! Felicidades! Foto: Divulgação Jana e Otávio Wilgten registraram um momento divertido na Big Land, o parque nostálgico e divertido localizado na Estação Campos de Canella! Foto: Divulgação Laura Candiago, Jaqueline Vaccari e Amanda Fattori à frente do evento Cocriar que foi um sucesso no Mágnolia, com mulheres inspiradoras que compartilharam suas trajetórias no empreendedorismo. Ainda em 2025 deverá ocorrer, ao menos, mais uma edição! Foto: Ketlin Machado
Social da Bina – 685
Cyro Naufel, executivo com mais de 30 anos de experiência, é a atração principal do 2º Insight Imobiliário PLANTA, que acontece em 30 de julho no Parque Tomasini Foto: Divulgação GAÚCHOS Gramado recebe hoje, 18, o evento de lançamento da 2ª edição do “Gaúchos – Festival da História, Cultura e Tradição”. O encontro vai apresentar detalhes do evento que acontece de 5 a 28 de setembro, para celebrar as tradições do Rio Grande do Sul através de atividades culturais e artísticas gratuitas em Gramado. Apresentações artísticas do festival Gaúchos serão anunciadas Foto: Duda Idalino Em Gramado, seguem as instalações das placas autografas na calçada da fama do Festival de Cinema. Na Foto: a presidente da Gramadotur Rosa Helena Volk, o diretor da Wert Estada & Co Giovani Ghisleni, e o prefeito Nestor Tisott Foto: Edison Vara/Agência Pressphoto O Festival de Cinema de Gramado anunciou que o ator Rodrigo Santoro será o homenageado desta edição com o Kikito de Cristal Foto: Jorge Bispo FERRARI ACELERANDO A Ferrari confirma seu retorno à Serra Gaúcha com a segunda edição de um evento de luxo promovido pelo Grupo Via Italia. De 18 a 23 de agosto, durante o Festival de Cinema de Gramado, uma mansão icônica próxima ao Lago Negro – antiga “Vila de Caras” – será palco de experiências exclusivas para convidados da marca. PROGRAMAÇÃO DIÁRIA Com programação diária das 16h às 22h e afters animados por DJs, o evento reunirá carros icônicos, test-drives, alta gastronomia, bebidas premium, arte, leilões e ativações de marcas de luxo. O encerramento será no sábado (23), com um sunset especial e show de uma atração nacional ainda não revelada. Olavo Raucci, head de Marketing da Via Itália, que trará a Ferrari para Gramado Foto: Lucas Dias
AS CRENÇAS QUE NOS ATRAPALHAM
Se há um assunto que todos deveriam conhecer melhor, ou então um pouquinho mais, é a psicologia. Como ela ajuda as pessoas a lidarem com seus problemas, a adquirirem mais segurança e, muitas vezes, a afastarem fantasmas, a psicologia é essa mistura de instrumento para o bem e fascínio, porque mexe com este labirinto que são os determinantes do nosso comportamento.Tiremos, pois, um tempinho para ela, principalmente quando surgirem oportunidades em leituras, podcasts e alguns programas de TV (que muitas vezes tratam também dos temas afins filosofia e psicanálise, como o muito bom Café Filosófico, da TV Cultura, no domingo à noite). E há os encontros com profissionais dialogando com as plateias e generosamente doando conhecimento. Na pequena Canela um evento assim, de cidade grande, começou a acontecer, estreou com pé direito e promete mais.Nas quartas-feiras, às 19:30, no Cidica, entrada franca, estão acontecendo os encontros Narrativas – Uma troca de expertises e experiências entre diferentes gerações, conduzidos pelos psicólogos Marco Aurélio Alves e Camila Heidrich. Estivemos lá na noite de 16 de julho e passamos hora e meia bastante proveitosa, aprendendo um pouco sobre A superação das crenças limitantes, verdade que nos afeta, com a convidada Simone Dinnebier (veja no box ao lado). O projeto Narrativas é apresentado pelo Instituto da Pessoa, Psicult e tem o apoio do Fundo Social Sicredi. Thiago Couto (responsável pelo áudio e vídeo, Camila Heidrich, Simone Dinnebier e Marco Aurélio Alves. Para o dia 23 de julho a convidada de Camila e Marco, no Narrativas, é a artista e tatuadora Valéria Pinheiro (ao lado), de Frederico Westphalen (RS). Portugal, Itália, Espanha e Moçambique são países que marcaram a vida de Valéria, conectando culturas e realidades. Ela já fez exposições para além das fronteiras brasileiras e foi premiada no Vaticano. Um dos seus maiores objetivos é levar cultura para todos e mostrar, por meio da arte, as desigualdades sociais que assolam o mundo. Seus traços, em geral, são denunciando as injustiças sociais (fonte: Revista Meio Mundo, da UFSM). LUTE CONTRA AS CRENÇAS LIMITANTES Resumindo o que disse a psicóloga gramadense Simone Dinnebier, a crença limitante é aquela que, ao invés de ajudar, atrapalha a nossa vida. Ela vem de alguns aprendizados, de algumas situações que causaram uma distorção que nos fazem ler a realidade de uma maneira diferente daquilo que está posto. Exemplos: “Eu nunca saberei fazer isso, sempre fui péssimo em matemática”; “Eu sou muito velho pra isso”; “Aprendi com meus pais que isso é errado”; “Os outros são melhores do que eu”.Cabe a nós – e para isso a ajuda de um psicólogo devidamente formado e capaz muitas vezes é fundamental – nos darmos conta de quais são as nossas crenças limitantes, deixarmos de usá-las (como desculpa) para nossa proteção e iniciarmos o processo de libertação delas. Dica: “atacar” as crenças limitantes uma a cada vez, pois, como humanos, todos as temos e geralmente não são poucas. É tarefa árdua, cada passo é uma vitória. DE KOMBI NO MUNDO – XXVI Apesar de hoje preferirem a estrada, eles ainda gostam tanto da sua Ponta Grossa (PR) que aplicaram, numa das laterais da Kombi home, uma grande imagem de Vila Velha, o parque de erosões no Paraná.Marcos Antonio do Nascimento e Sirlei Mendonça já estão no segundo modelo da Kombi adaptada, esse último, com grande conforto. Migraram das viagens de automóvel para as Kombis em 2021, em plena pandemia, quando empreenderam a jornada Ushuaia – Natal. Ela, aposentada, ele, cortando cabelo por onde passam para reforçar o caixa da viagem, estão pela segunda vez no RS, a primeira em Canela. Pela Bahia cruzaram três vezes e ainda hão de se desapegar de tudo e morar de vez na Kombi.
Caro leitor,
Vamos falar de harmonização? Existe mistério escondido por trás do tema: degustar um vinho requer anos e anos de estudo e muitas taças consumidas. Conseguir expressar em palavras tudo o que aquele vinho te traz não é tarefa simples. A cor, o brilho, as lágrimas, os cheiros que saem da taça e, principalmente, o gosto — parece quase impossível, não é? Assistir a filmes onde uma pessoa gira a taça, leva ao nariz e traduz: pêssego maduro com notas de amêndoas etc. O que realmente me encanta neste universo fascinante é a diversidade: há vinhos para todos os dias, todas as ocasiões, uns mais elegantes, outros mais tranquilos, basta desejar. Não é por frescura que olhamos a cor usando o branco como fundo, levamos a taça ao nariz, giramos a taça, levamos ao nariz novamente e, somente então, banhamos toda a boca para ativar as papilas, “tragamos” e sentimos o escorregar pela garganta. Todos temos diferentes pontos sensoriais em nossas papilas gustativas. Algumas pessoas têm maior sensibilidade para esta percepção, os chamados superdegustadores, mas geralmente percebemos os sabores de acordo com nossos pontos mais sensíveis: uns toleram muito bem o ácido, outros o amargo, o dulçor, enfim, é fisiológico, como se diz: gosto, cada um tem o seu! No senso comum, harmonizar é uma questão de paladar, e é aí que entra nosso repertório. Temos dois tipos de harmonização: por contraste, em que o vinho tem a função de buscar um equilíbrio na boca, quase limpando nosso paladar para a próxima garfada; ou harmonização por complementaridade, em que o vinho se incorpora às características do prato, reforçando as semelhanças. Podemos ir em direções diferentes: da garrafa ao prato ou do prato à garrafa. Ter um grande rótulo especial e querer, a partir dele, buscar o prato perfeito para a ocasião e abrir a garrafa. Mas também posso estar com uma vontade danada de comer uma bela massa e buscar o rótulo mais adequado para esse conjunto. A finalidade da harmonização é encontrar um casamento perfeito entre o vinho e a comida. O cuidado que se deve tomar é perceber a sutileza e entender o resultado que queremos buscar: uma comida untuosa requer um vinho mais encorpado ou adstringente, enquanto comidas mais delicadas vão pedir vinhos também mais delicados. Para doces, geralmente buscamos a complementaridade, mas tudo é uma questão de gosto. Fatores importantes a se considerar numa harmonização são: o sabor do prato, a textura, as características do vinho e o equilíbrio disso tudo. A dica é não agredir as papilas gustativas nessa combinação — em geral, pratos leves pedem vinhos leves; pratos densos, vinhos densos. Uma dica boa é considerar a região do prato: geralmente, já nascem buscando harmonizar com o terroir do vinho. O que ajuda bastante nessas escolhas é justamente nosso repertório: tomar muito vinho diversifica a degustação, e mais familiarizados vamos nos tornando com as diversas opções de aromas e sabores que surgem das garrafas. O que considero importante na hora da minha escolha é ler o rótulo e pedir ajuda ao sommelier. No rótulo, encontramos as principais características do vinho, de forma sucinta. Já o sommelier vai nos orientar segundo nossas preferências e o que esperar daquela garrafa. Então, bom appétit! Para dicas de harmonização, consulte nosso site e veja o texto: “Dicas de harmonização” por Jancis Robinson. Chef Glau
É hora de imobilizar?
Já falamos exaustivamente sobre o quanto a alta dos juros influencia nossas vidas — e nossos investimentos. Juros altos nivelam por baixo a sofisticação da carteira. É como o preparo físico no futebol: hoje, não adianta só ter talento. Antigamente, tínhamos um Romário, que podia até virar a noite na balada na véspera de um jogo decisivo — mas no dia seguinte, resolvia com dois toques na bola. Hoje, o futebol virou Botafogo x PSG jogando de igual para igual. O talento ainda pode brilhar, claro, mas o preparo físico é o que mais pesa no jogo atualmente. Nos investimentos, é a mesma coisa. Juros altos desanimam o risco e afetam desde ações e fundos internacionais até o velho e bom investimento imobiliário. Aliás, sou frequentemente criticado por não “defender” os imóveis nesta coluna. Muitos leitores e clientes me perguntam se é hora de arriscar, de voltar para a bolsa — ou de comprar imóveis. A resposta é: depende. Hoje, a renda fixa entrega uma rentabilidade líquida que, na prática, supera a valorização esperada de muitos imóveis. E com os juros altos, o mercado imobiliário segue morno, quase frio — afinal, boa parte dos compradores ainda está adiando o financiamento. Mas aí vem a reviravolta: quem realmente ganha dinheiro investindo costuma comprar no momento ruim. Quando a Selic cair e o mercado esquentar, os melhores negócios já terão sumido. Como dizia Warren Buffett: “Compre ao som dos canhões e venda ao som dos violinos”. Não mudei de opinião. Ainda acho que tirar o dinheiro de uma aplicação segura pagando 1,25% ao mês para comprar um imóvel só faz sentido se for uma pechincha. Mas existe uma prática muito comum aqui na Serra que considero muito interessante: a compra do imóvel na planta. Nesse modelo, paga-se de 10% a 30% de entrada e o saldo é financiado direto com a construtora (corrigido pelo INCC) até a entrega das chaves. Cabe lembrar dos riscos envolvidos, saber a saúde financeira da construtora e fazer negócios com imobiliárias sérias minimizam muito o risco deste tipo de investimento. Para quem tem o valor total do imóvel investido, pode ser uma boa forma de usar o rendimento da aplicação para “pagar” o novo investimento, já que o INCC acumula 7,19% nos últimos 12 meses — contra ao menos 15% de rendimento anual do CDI atualmente. E para quem não tem essa reserva, as prestações acabam funcionando como uma espécie de poupança forçada para a aquisição de um bem concreto. Agora, a pergunta que não quer calar: será que os imóveis continuarão sendo um bom investimento por aqui? Não sou especialista em mercado imobiliário. Mas, caminhando por Canela e Gramado, é impossível não notar o número de prédios em construção — e se perguntar se há mesmo tanta gente assim para ocupar tudo isso. Meus amigos e clientes construtores garantem que sim, e citam estudos de déficit habitacional que apontam a viabilidade dos empreendimentos. Confio neles, mas também me pergunto se teremos estrutura — de mobilidade, saneamento e serviços — para acompanhar esse crescimento. Espero que sim. Assim como os juros, o setor imobiliário na região impacta diretamente a vida de todos — moradores e investidores.
Ego em Cena
Há lugares que parecem feitos para brilhar. A Serra Gaúcha é um deles. Entre vinhos premiados, festivais culturais, feiras e congressos, gastronomia, eventos imobiliários e empreendimentos cada vez mais luxuosos, respira-se arte, negócios e espetáculo. Mas por entre tanta luz artificial, há quem confunda palco com pedestal, e arte com autopromoção. Gente que vive para ser vista, não para servir e muito menos para construir com ética. No meio artístico, há cada vez mais “figurinhas carimbadas” que frequentam tudo, falam de tudo e fazem de tudo, menos com ética e profundidade. Cantam, pintam, produzem, opinam, influenciam e, entre uma selfie e outra, apontam o dedo a quem não está no “nível vibracional” certo. Ninguém sabe ao certo de onde vieram, o que estudaram ou se de fato entendem do que falam. Mas estão em todos os lugares. A presença vale mais do que o conteúdo. No meio corporativo, a situação não é muito diferente. Basta uma vaga de coordenação, um convite para uma reunião com investidores, ou um crachá com cargo novo para que o ego se vista de superioridade. Já vi gente, até ontem estagiária, tratar colegas com desdém depois de uma “promoção” obtida por amizade com a chefia ou por pura encenação. Ninguém diz “bom dia”, mas dizem “eu mando”. Confundem influência com prepotência. E esquecem que a base de qualquer liderança, seja num palco ou num escritório, é o respeito. No ramo do entretenimento, onde o brilho das promessas às vezes ofusca a realidade dos contratos, o ego também se manifesta. Diretores que se autointitulam “consultores de estilo de vida”, vendendo não só “experiências”, mas um sonho de status. Criam personagens online, posam ao lado de Mercedes e limousines, prometem vida de cinema aos seus colaboradores em empreendimentos com dívidas cumulativas, péssimas condições de trabalho, falta de profissionalismo e ética onde o “isso vende”, sem qualidade é o que interessa momentaneamente. A suposta venda é sobre aparência, não confiança. E quem questiona é chamado de “negativo”, “amador” (pasmem!), “retrógrado” ou “invejoso”. No fim, o que falta não é talento, oportunidade ou palco. Falta essência. Falta a boa e velha educação básica, que nunca sai de moda: cumprimentar, escutar, reconhecer erros, trabalhar em equipe. Falta postura profissional, essa que não precisa de espetáculo, só de consistência. Porque quem tem conteúdo não precisa gritar. E quem sabe o que faz, não precisa humilhar para ser visto.O ego pode até subir ao palco. Mas quem não sabe sair de cena com humildade, um dia aprende que o público também se cansa de más atuações.
Amigo, boleia a perna…
(Numa prosa de amigos…) O dia 20 de julho (e também o 18.04!?) no Brasil, é comemorado o dia do amigo, dado a sua importância na vida das pessoas. Segundo os dicionários, de um modo geral um amigo “está ligado a outro(s) por laços de amizade”. Mas, a sabedoria popular – leia-se folclore – se encarrega de dar outras definições. Com comparações, verdades e humor. E, temos: O amigo da onça Aquele que, se parecendo amigo, mas é falsa e traiçoeira. Mas, sua intenção é tirar proveito. O amigo colorido Pessoa com quem se tem relacionamento afetivo (e sexual) sem compromisso assumido. Amigo de Peniche (Portugal) Mesmo sentido que “amigo da onça”. O amigo do alheio Expressão que designa o gatuno, ladrão, vadio. Termo muito usado pelos jornais de décadas atrás. O amigo urso Pessoa que, passando-se por amigo, é falso, infiel, hipócrita. O amigo falso Pessoa que “convence”, mas costuma trair na primeira oportunidade de receber alguma vantagem. E, ainda, um “rol” de outros amigos… O amigo “certinho”, o “competitivo”, o “nerd”, o “sincero”, o “enrolão”, o “leal”, o “corajoso”, o “conselheiro”, o “falador”, o “de todas as horas”, o “do bar”, o “secreto” (ou oculto), o “de fé”, o “da razão”, …….. Já diz uma canção da MPB: “Canção da América”, de Milton Nascimento: “Amigo é coisa prá se guardar / do lado esquerdo do peito…” E, o nosso cancioneiro, não poderia deixar o assunto no esquecimento, como na canção “Cevando o amargo”: “Amigo, boleia a perna / puxe um banco e vá sentando; descanse a palha na orelha / e o crioulo vai picando. (…………………….) Foi bom você ter chegado, / eu tinha que lhe falar…”. O autor da letra acima – o gaúcho Lupicínio Rodrigues – mesmo sem ser um expoente no meio tradicionalista está entre os maiores compositores do Rio Grande do Sul… a nossa terra!