O inverno de 2025 está entrando para a história da Serra Gaúcha. Em Canela, as temperaturas extremamente baixas não apenas transformam a paisagem, mas impactam diretamente a vida comunitária, exigindo ações do poder público, da rede de saúde e mobilizando a solidariedade local, enquanto impulsionam o turismo regional. De acordo com a meteorologista Estael Sias, da MetSul Meteorologia, o inverno de 2025 já figura entre os mais rigorosos dos últimos anos no Sul do Brasil. Mesmo iniciando sob neutralidade climática no Oceano Pacífico, a estação rapidamente mostrou sua intensidade com massas de ar polar excepcionalmente fortes. Até aqui, o auge deste frio feroz ocorreu em junho, quando os termômetros registraram impressionantes -9°C no interior gaúcho. Na Região das Hortênsias, incluindo Canela, as temperaturas negativas tornaram-se frequentes, com geadas intensas e sensação térmica ainda mais baixa devido ao vento Minuano. Estael destaca que, apesar de breves intervalos de temperaturas mais amenas, predominam dias gelados, grande amplitude térmica e mudanças bruscas de temperatura. A previsão indica que as ondas de frio continuarão, especialmente em julho, com períodos de forte instabilidade e até possibilidade de neve, fenômeno característico dos invernos mais severos na região. Rede de proteção social Diante das temperaturas extremas, a Prefeitura reforçou suas ações de assistência social. A equipe técnica da Assistência Social realiza diariamente o acompanhamento de famílias em situação de vulnerabilidade, distribuindo cobertores, roupas de inverno e orientações para garantir a proteção de crianças, idosos e pessoas em situação de rua. Além das ações regulares, nos atendimentos de Cras, está em andamento uma ação emergencial de enfrentamento ao frio, que inclui visitas domiciliares quando identificadas situações de risco, articulação com a comunidade para arrecadação de agasalhos e cobertores e encaminhamentos para a rede de saúde em casos de necessidade. Também estão sendo disponibilizados atendimentos para avaliação de necessidades relacionadas a alimentos, buscando reduzir o impacto das baixas temperaturas no dia a dia das famílias, inclusive com parceria com órgão como a Delegacia de Polícia, que repassa alimentos para ações emergenciais e a Omã que está ajudando no recolhimento de cobertores. A Campanha do Cobertor e mantas foi prorrogada até 15 de julho. “É muito importante que a comunidade apoie esta ação, ninguém faz nada sozinho”, destaca a secretária Carmen Seibt. “Nosso compromisso é estar ao lado da comunidade neste momento em que o frio exige mais cuidado e solidariedade. Estamos com nossas equipes mobilizadas para atender quem mais precisa e amenizar os efeitos do frio, garantindo dignidade e acolhimento às famílias”, acrescenta a secretária. A Secretaria reforça que, em caso de identificação de pessoas em situação de rua ou famílias necessitando de apoio emergencial, a comunidade pode entrar em contato por meio dos Cras para que o atendimento seja realizado com a maior agilidade possível. Paralelamente, desde 12 de junho, o Centro Municipal de Proteção dos Animais (Cempra) realiza a Campanha do Agasalho Pet, arrecadando mantas, cobertores e roupas para cães e gatos abrigados. As doações podem ser feitas até 30 de setembro em diversos pontos da cidade, incluindo a Prefeitura Municipal, clínicas veterinárias, pet shops, mercados e escolas municipais. Aumento expressivo na demanda O impacto do frio extremo na saúde pública é significativo. No Hospital de Caridade de Canela (HCC), o secretário adjunto de Saúde, Emanoel Messias Morais do Nascimento, relata um aumento de 37% nos atendimentos de Emergência entre maio e julho, comparado ao mesmo período do ano anterior. Do total de pacientes, 42% apresentaram síndromes gripais, consequência direta das baixas temperaturas e da maior circulação de vírus respiratórios como influenza, resfriado comum, VSR e SARS-CoV-2. A aglomeração de pessoas em ambientes fechados para se proteger do frio também contribui para a disseminação desses patógenos. Pacientes de todas as faixas etárias, mas, especialmente, crianças e idosos, tendem a buscar atendimento devido a sintomas como tosse, coriza, dor de garganta, febre e dificuldade respiratória.Na Farmácia Municipal, o farmacêutico Braian Claus Boff registra crescimento de aproximadamente 15% na procura por medicamentos para tratamento de doenças respiratórias, incluindo antibióticos, analgésicos, antitérmicos, anti-inflamatórios e antialérgicos. Como resposta estratégica, a Prefeitura implementou o Programa Inverno Gaúcho, estendendo o horário de funcionamento da Unidade Básica de Saúde (UBS) Central. O atendimento ampliado ocorre às segundas, terças e quartas-feiras, das 17h às 20h, entre 16 de junho e 13 de agosto, oferecendo acolhimento rápido para casos respiratórios e evitando a sobrecarga do hospital. PONTOS DE COLETA DA CAMPANHA DO COBERTOR Locais para entrega das doações para pet INVERNO RIGOROSO AQUECE O TURISMO Se por um lado o inverno rigoroso traz desafios humanitários e de saúde, por outro, impulsiona significativamente a economia local. O presidente do SindTur/Serra Gaúcha, Cláudio Souza, ressalta que o inverno rigoroso é o motor do turismo na Serra Gaúcha. É nesse clima que hotéis, restaurantes e atrativos vivem seus melhores momentos, impulsionando a geração de renda, empregos e visibilidade para a região. “O inverno e essa época de frio é muito importante para fomentar o turismo da região, sempre que se fala em frio a memória puxa a Serra Gaúcha, então é um momento esperado por todos nós, por todo o trade turístico para que possamos realmente ter aquele fluxo elevado a cada anúncio de temperaturas baixas”, comenta Souza. Os números confirmam essa realidade. Durante as ondas de frio intenso, a ocupação hoteleira ultrapassa 85% nos finais de semana de julho, com vários estabelecimentos atingindo lotação máxima. Restaurantes registram aumento de até 70% no movimento em comparação à baixa temporada, enquanto pontos turísticos operam com agendamento completo e filas de espera. Em um mês típico de inverno rigoroso, a atividade turística pode injetar mais de R$ 60 milhões na economia de Canela, aquecendo toda a cadeia produtiva local e compensando, em parte, os desafios impostos pelas baixas temperaturas.
Muita Festa para Aquecer Corpo e Alma
Aplausos para Grazi Franzen e Fernanda Chies que em lugar de competir se uniram em campanha promovendo em conjunto seus dois restaurantes, tendo como foco principal proporcionar mais atividades de lazer para moradores e turistas de Canela. SÁBADO DIA 5 É NO EMPÓRIO CANELA Fernanda Chies comemora os 18 anos do seu Empório Canela com “Arraiá”, comidinhas especiais e feira de adoção pet A programação inclui comidinhas tradicionais de festa junina – bolo de milho, paçoca, rapadura -, além de quentão e quitutes preparados por convidados especiais como os quindins e cupcakes da Ginger House, os macarrons e eclairs da Amanda Selbach Patisserie e churros e pipoca direto dos carrinhos. Durante o evento, que será em clima de festa de rua, realizado no deck do Empório e na calçada, acontece ainda a feira de adoção de filhotes, uma parceria com a Associação Amor Sem Raça. Com vários cachorrinhos à espera de um lar, o espaço terá também a “Barraca do Lambeijo” para interação entre humanos e pets. Já a música fica por conta da banda “Pé na Serra” e Gui Franzói, que se apresentam a partir das 15h e prometem colocar todo mundo para dançar em ritmos nordestinos como o forró e clássicos da MPB, Pop, Folk, Rock e Blues. O Arraiá do Empório não tem cobrança de ingresso. “O Empório, eu costumo dizer, é um lugar onde mora o coração, é onde as pessoas se sentem em casa. E completar 18 anos tendo conseguido cativar muita gente que se sente acolhido nesse espaço, é um orgulho muito grande”, comenta Fernanda Chies, sócia do empreendimento. Arraiá do Empório – A grande festa dos 18 anosQuando: 5 de julho, sábadoHorário: das 11h30 às 17hEndereço: Rua Felisberto Soares, 258 – CanelaFone: (54) 3699.1121Instagram: @emporiocanela DOMINGO DIA 6 É FESTA DE RUA NO CONTAINNER A Vida é feita para comemorar! E porque a vida é feita para comemorar que o Containner Bistrot está festejando seus 10 Anos durante um ano inteiro com vários eventos inesquecíveis e a Festa na Rua é um dos mais esperados! Expositores- Panni, Ginger House, Nata Gelato, Alma Queijaria, Mãos do Mundo, Casa Ermelinda, Casa Amora Silvestre, Piskita Arteira Atelier e Lena Torrefação. E mais a Feijoadinha da Graciela Martins e a musica das Gurias do Samba. Tudo isso na rua em frente ao Containner. Imperdível!!! Festa na Rua Quando: 6 de julho, domingoHorário: das 11h30 às 17h30Endereço: Rua Borges de Medeiros, 580Fone: (54) 3282-7772
Social da Samanta- 683
Marga Carvalho durante a montagem de mais um de seus bolos deliciosos, em recente evento no Laken em Gramado Foto: Samanta Vasques No lançamento da obra Os Mbya Guarani, Sabrina Sá, a secretária Kenia Jaegger e os autores Arno Kern e cacique Kuaray Nhe’ery Foto: Divulgação Gabriela Michaelsen, diretora do HRC Gramado, junto da Kitchen Manager Francilene Caires, que desenvolveu o Burguerone para a segunda edição do World Burger Tour, o concurso para escolher o melhor hambúrguer do mundo entre todos os Hard Rock Cafés Foto: Divulgação Na primavera de 2025 inaugura em Gramado o CASTELO DE GELO – o maior icebar temático do mundo – inspirado em A Bela e a Fera. No evento de lançamento, Paula Manea, Dudu Kny, Will Weber, Ben Ludmer e Eduardo Haowell Foto: Jessica Ramisch Ritiele Benetti, Mariana Leal, Aline Dalcortivo, Bruna Oliveira, Taís Hoffmann e Analú Rodrigues, parte dessa turma linda a espera de mais um bebê! Foto: Paula Vinhas
Social da Bina – 683
A chef Fran Caires com sua mais nova criação, o Burguerone. Essa delícia está concorrendo com outros Hard Rock Café para entrar no cardápio das casas do mundo todo. Ao escolher o Burguerone, você ajuda a levar o hambúrguer gramadense para a final mundial. Da pra aproveitar até o final do mês Foto: Bina Santos OKTOBERFEST A 36ª Oktoberfest de Igrejinha já tem programação completa! De 17 a 26 de outubro, Lauana Prado, Reação em Cadeia, Zé Neto & Cristiano, Israel & Rodolffo, Nenhum de Nós e Menos é Mais prometem animar o público. Toda a programação está disponível no site do evento. Edu Hoewell com seus desenhos do personagens do Castelo de Gelo, atração que chega Foto: Bina Santos William Weber com Ben Ludmer, a mente criativa que está por trás das magias que vão encantar no Castelo de Gelo Foto: Bina Santos O engenheiro Bernardo Tomazelli comemora os 10 anos da Tomazelli Engenharia Foto: Divulgação O artista Antonio Giacomin, que tem suas obras nas áreas comuns do Bosco Esposizione, lançado em Caxias do Sul Foto: Leandro Araújo
DA SÉRIE “COISAS QUE FAZEM O CORAÇÃO BATER MAIS FORTE”
Ficar por quase um ano longe da filha, esta ainda um pouco distante da fase adulta, mexe com os sentimentos da família e, convenhamos, mais ainda com os da mãe. Ela que gerou, ela que amamentou, ela que num simples olhar decifra os pensamentos da filha. É o tal amor incondicional, que muitas vezes se manifesta na preocupação e na angústia antes de um alívio. Um exemplo de tudo isso aconteceu em dois dias de junho (27 e 28) e vale contar a história. As canelenses Antonella Petry Rossi (18) e Anita Battastini Ribeiro (16) encerraram um intercâmbio na França e iniciaram a volta. As lembranças finais da experiência não seriam, no entanto, tão encantadoras em face do que aconteceu, no alto e no chão. Em voo, sobre o Atlântico, os passageiros do avião das duas são informados que a aeronave terá que aterrissar no primeiro aeroporto disponível (no caso, em Cabo Verde), por causas que não explicaram, deixando nervosos até quem não deveria ficar, a tripulação. O avião se inclina um pouco e faz uma nítida manobra de retorno. Corações, lá dentro, começando a acelerar. Pela janela, passageiros veem o combustível sendo dispensado, procedimento necessário para pousos de emergência. Enquanto isso, a troca de mensagens com as famílias em Canela é tensa, imaginem duas mães, lendo no WhatsApp que suas meninas em quase-pânico, se sentindo impotentes. Era só rezar. 2025 vai ser lembrado por Daniela Battastini e Graciele Petry como aquele que teve, para elas, um segundo Dia das Mães. Foi quando abraçaram, na chegada, as filhas Anita (à esquerda) e Antonella (à direita, na foto também o pai, Éverson). Após um período interminável, o avião enfim pousou e, depois de horas naquele arquipélago, decolou rumo ao Brasil, com Anita e Antonella de dedos cruzados para que o problema tivesse sido sanado.O roteiro inicial de chegada no Brasil e a escala doméstica, com isso, foram (perdão pelo trocadilho) para o espaço. Antonella e Anita “fizeram alfândega” em Fortaleza, onde novas preocupações aguardavam as intercambistas. Foi oferecido voo somente para uma das duas, em avião de outra companhia, porque o nome da outra simplesmente não apareceu na lista para o embarque. Não aceito, pois, amigas muito unidas que foram durante o ano no exterior, não seria agora, já a salvo no Brasil, que iriam se separar. Restou esperar até o meio dia do sábado para embarcarem para Salvador e, de lá, em voo direto para Porto Alegre. A partida na capital da Bahia não aconteceria sem as duas sofrer mais um pouco. A decolagem demoraria mais um grande bocado, agora por alegados problemas nas bagagens. Cansadas, praticamente sem dormir, as duas viajantes chegam ao Rio Grande do Sul mais de 24 horas depois do previsto. Felicidade total depois dos abraços e por saber que iriam, via terrestre, para Canela. “O intercâmbio foi uma experiência maravilhosa! Quando morei em Nancy,na França, pude conhecer pesssoas novas do mundo todo e aprender essa língua linda que é o francês. Sou muito grata ao Rotary pela oportunidade de viver essa aventura.” Anita B. Ribeiro “A experiência do intercâmbio é inexplicável. Eu me encontrei em um país diferente, com pessoas diferentes, situações, lugares, problemas, culturas e línguas todas diversas. Convivi com duas famílias francesas (em Chaumont) que me ensinaram muito e me fizeram crescer, ter nova visão de mundo.” Antonella Petry Rossi ESCUTARTE JULINO O Escutarte promove, no sábado (5) a partir das 14h, sua Festa Julina no pátio do Restaurante Capullo (Rua João Alfredo, 80, ao lado do Teatrão). A festa terá muita música, comidas típicas, fogueira, caldo e quentão, venda de artesanato, brechó, aula de quadrilha, contação de história e teatro, entre outras atividades.O Escutarte é um projeto criado por Sabrina Sironi, bióloga, arteterapeuta e psicanalista, que promove encontros em torno da arte e da psicanálise. Os encontros atualmente acontecem no Capullo. Com essa festa, o Escutarte marca a volta de suas atividades. Seguirá como uma espaço dedicado à escuta, ao debate e a construções criativas, com convidadoss que vão compartilhar suas experiências, inspirando e provocando reflexões. Por isso, os coordenadores convidam a todos que tiverem interesse em montar um módulo dentro do Escutarte que o façam procurando pelos coordenadores que estarão na festa. O contato pode ser feito também via instagram @escutarte.psi
Caro leitor,
Na coluna anterior mencionei harmonização. Disse para mim mesma: preciso falar disto. Então comecei a escrever, quando me dei conta de que falar de repertório é quase um pré-requisito para este tema, mudei o “rumo da proza” e cá estou, pensando em repertório sensorial. Tá, para falar disso, me permitam contar uma linda história que presenciei. Certa vez, passeando pelo Mercado Municipal de São Paulo, como costumo fazer todas as vezes que passo por Sampa, assisti a uma cena que me chamou muita atenção. Um jovem pai, com seu filho que deveria ter entre 4, no máximo 5 anos, passeavam pelo mercado e iam de banca em banca, parando por longo tempo em cada uma delas. O pai conversava com o filho sobre frutas, verduras, legumes, especiarias, enfim. Ele estimulava o filho a ver as cores dos alimentos, sentir a textura, cheiro e gosto. O garoto correspondia, bem entusiasmado, citando ao pai as suas observações: amargo, doce, azedo, forte, suave. Não preciso dizer o quão encantada fiquei com a cena e pensei: que sorte tem esse garoto, tão cedo criando um repertório gustativo invejável. Passamos por muitas pessoas em nossas vidas que vivem a “Síndrome do quê”, que nós gastrônomos chamamos de paladar infantil. Será infantil mesmo? Muito comum é ouvirmos: não gosto disso, não como aquilo, e sempre cabe aquela perguntinha: mas você já experimentou? Isso é repertório gustativo: quanto mais experienciamos diferentes aromas e sabores, mais somos capazes de compreender a complexidade de cada alimento. Na verdade, nossa fisiologia gustativa reconhece os 5 sabores, alguns salgados, doces, azedos, amargos e o quinto sabor, recentemente chamado umami. Mas o grande responsável pelo nosso verdadeiro paladar está longe das papilas gustativas: é nossa memória, nosso coração. Quem nunca expressou ou ao menos pensou – uauuu, que sabor de infância, de casa de vó, da comidinha da minha mãe? São tantos estímulos que nosso cérebro é capaz de criar por meio das emoções, que fica impossível duas pessoas, comendo uma mesma comida, preparada por uma só pessoa, ao mesmo tempo sentirem as mesmas sensações ou até mesmo amar ou odiar aquele prato. Eu, planejando o meu “Camino de Santiago”, encontrei um estrelado próximo a uma das cidades que iria pernoitar. Sem pensar duas vezes, fiz reserva, levei uma única roupa – mais ou menos – em meu alforge e lá fui eu. Para minha surpresa, não tão boa a princípio, o chef desenhou um lindo menu todo pautado em miúdos – isso mesmo, miúdos de todos os bichos que vocês possam imaginar. À primeira vista, meu cérebro acusou “J’ai mon Dieu” (Ai meu Deus), mas minha razão de chef falou: “vai lá e se entrega”. Preciso dizer que finalizei o menu com lágrimas nos olhos? O menu tinha alma, coração, e foi lindo! Se permitam: comam, comam e comam. Se entreguem aos sabores que as mesas têm a oferecer; esses momentos vão construir novas memórias e levá-los a navegar lugares nunca dantes alcançados. Só assim, somente assim, irão construir um novo repertório gustativo – não mais o da rejeição, mas sim o de uma viagem inesquecível. E, Bonne appétit! Chef Glau
INVISÍVEIS MOVIMENTAM A ECONOMIA
Já há algum tempo, se convencionou divulgar que o turismo assegura nossa arrecadação. Está evidente que, atualmente, a construção civil impacta enormemente na geração de renda e oportunidades de trabalho. Além destas, outras fontes silenciosas movimentam o comércio e serviços canelenses. Vejamos: De janeiro a maio de 2025, o programa Bolsa Família repassou R$ 9.680.000,00 (nove milhões, seiscentos e oitenta mil reais) para as 2.780 famílias de beneficiários em Canela. Esse valor ajuda a gerar emprego e fomenta a economia local. Quase no mesmo período, de janeiro a abril deste ano, o BPC – Benefício de Prestação Continuada –, que atende 305 idosos sem aposentadoria e 475 pessoas com deficiência, contribuiu com o valor de R$ 4.730.000,00 (quatro milhões, setecentos e trinta mil reais). Moeda circulando. O seguro-desemprego injetou R$ 6.450.000,00 e, apenas nos dois primeiros meses deste ano, os aposentados, pensionistas e enfermos recebendo auxílio-doença asseguraram R$ 33.680.000,00 para Canela. Estes quatro programas, mantidos com recursos federais, somam R$ 54.540.000,00 (cinquenta e quatro milhões, quinhentos e quarenta mil reais). Fonte: www.comunica.br Sim, estou afirmando que aposentados, desempregados, deficientes, enfermos, idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade, que em geral são muito desprezadas por alguns, ignoradas por outros tantos e, na maioria do tempo, invisíveis para quase todos, aportam, aproximadamente, 10 milhões e cem mil reais por mês para nosso município. É muito dinheiro. Some-se a estes os 10.340 trabalhadores com carteira assinada, saberemos que muita gente contribui para o fortalecimento desta cidade, merecendo atenção e adequados serviços públicos. Sendo assim, se outro argumento humanitário não nos restar, precisamos tomar consciência e, urgentemente, oferecer a atenção merecida a essa população que contribui para que Canela seja o município das grandes oportunidades e onde tudo pode acontecer de bom, se soubermos incluir, inserir, acolher e reconhecer que não apenas um pequeno grupo gera riqueza por aqui.
As casas…
(Uma visagem do campo…) Muito comum – em tempos idos… antigamente – nas conversas no dia a dia, referir-se à sede da fazenda como “as casas”. E este termo “casas”, compreendia um grande complexo habitacional: a casa de moradia do proprietário, os galpões, as estrebarias, os chiqueiros, a casa de algum capataz, a casa da lenha, do queijo, da água, etc… Hoje, infelizmente, quase em desuso! Jairo Lambari Fernandes, em sua música “Cena de campo”, em seus versos diz “meu rumo é direito às casas………..”, e, mais adiante, “e já avisto a cancela do rancho que abriga meu coração”……….. Já o escritor Juan D. Isernhagen em seu livro “Pueblito – Contos do sul do mundo”, descreve a lida diária no campo e traz, com grande destaque, um retrato dessas importantes rústicas construções: Essas velhas casas das estâncias “Não se consegue colocar numa moldura as agruras e alegrias dessas casas. Não se descreve no mais belo dos poemas, altivez e penas, vivenciadas em tantas quimeras… As casas grandes com varandas rodeadas miram estradas: aquele que chega e quem se vai… Foram abrigo e viram tantos herdeiros, tantos campeiros seguindo os trilhos do pai… As velhas casas têm mistérios: sentimentos. O seu sustento a atravessar anos a fio, gerações que chegam e que passam lentamente, que a vivem e sentem… Mas que passam feito rios… Que a vivem e sentem… Mas que passam feito rios. Tantas cirandas formaram-se nos terreiros, frente aos potreiros e figueiras das estâncias. Sombras das casas espichadas pelas tardes, pra sorver mates, mirando as artes das crianças. No interior das casas grandes e dos homens, têm mesas grandes, fartas de esperanças. E janelas abertas mirando horizontes partindo um, para chegar outra herança…”. Assim, “as casas”, em seu simbolismo, são depositárias da mais pura história de um lugar e seu povo, além de fiéis guardiãs da memória de várias gerações. Mesmo mudas, retratam atos e fatos… E são hoje, testemunhas de diferentes fases da história do Rio Grande do Sul… a nossa terra!