Canela assegurou mais de R$ 4 milhões em recursos federais captados por meio de emendas parlamentares, além de R$ 300 mil oriundos de um convênio com o Governo do Estado. Os valores serão investidos em áreas consideradas prioritárias pela administração municipal. As verbas federais foram obtidas a partir de articulações políticas capitaneadas pelo prefeito Gilberto Cezar (PSDB) junto a diversos deputados, senadores e ministérios. A maioria dos recursos foi conquistada em recente viagem a Brasília de Cezar. O dinheiro deverá ser aplicado principalmente na saúde, além de contemplarem demandas da assistência social, infraestrutura, turismo e governo. Já o convênio estadual terá como foco a recuperação e melhoria de estradas vicinais no interior do município. No detalhamento das emendas federais, participaram vários deputados e senadores, com valores específicos direcionados a diferentes setores. A Prefeitura informou que, do total dos recursos federais obtidos, grande parte será direcionada à área de saúde pública. A expectativa é viabilizar tanto o custeio de serviços hospitalares quanto o fortalecimento da rede básica de saúde, especialmente por meio da estruturação de novos postos nos bairros Canelinha e Leodoro de Azevedo e pela aquisição de equipamentos para o Hospital de Caridade de Canela. Entretanto, outras áreas também serão beneficiadas, incluindo investimentos em infraestrutura, com destaque para a tramitação de projeto junto ao Governo Federal para a reconstrução da Rota Panorâmica, afetada pelas chuvas de maio de 2024. Entre os projetos em andamento na capital federal, constam ainda iniciativas para o setor de turismo — via programas federais que visam a qualificação de atrativos e estímulo ao desenvolvimento econômico local — além de novas ações para assistência social e área de governo. Ao avaliar a obtenção desses recursos, o prefeito Gilberto Cezar enfatizou a importância da mobilização política para garantir investimentos em áreas fundamentais para o município. “A articulação política em Brasília é fundamental para garantir investimentos que impactam a vida das pessoas. Esses mais de R$ 4 milhões representam cuidado com a saúde da população e também a possibilidade de recuperarmos diversas áreas do município que enfrentam dificuldades”, destacou Cezar. PREFEITO Gilberto Cezar atuou diretamente na captação dos recursos federais e estaduais PROJETOS E ROTA PANORÂMICA Durante agenda cumprida em Brasília, o prefeito esteve acompanhado pelo secretário de Saúde, Jean Spall. Eles apresentaram projetos para uma nova Unidade Básica de Saúde no bairro Canelinha, compra de equipamentos para o Hospital de Caridade de Canela, aquisição de uma unidade móvel odontológica e outros itens para a Secretaria de Saúde. Também foi protocolado o cadastro do projeto de reconstrução da Rota Panorâmica, estimado em aproximadamente R$ 9 milhões, junto ao Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional. A administração municipal ressaltou ainda que a Secretaria de Governo será responsável por detalhar posteriormente a destinação específica das emendas federais que serão recebidas, de forma a garantir transparência no uso dos recursos e o acompanhamento por parte da comunidade. O prefeito Gilberto Cezar reforçou, por fim, a necessidade de manter um esforço conjunto entre o município e as demais esferas de Executivo canelense para assegurar serviços públicos de qualidade, especialmente na área da saúde, e para avançar em projetos estratégicos voltados ao desenvolvimento local. MELHORIAS NAS ESTRADAS DO INTERIOR Em relação ao convênio estadual, o município conquistou junto ao Governo do Rio Grande do Sul o valor de R$ 300 mil, que será aplicado integralmente na recuperação e melhoria das estradas vicinais do interior. Conforme a administração municipal, a previsão é de início das obras nas próximas semanas, priorizando as demandas apresentadas pelas próprias comunidades rurais, com o objetivo de garantir melhores condições de deslocamento e mais segurança para os moradores e produtores. Sobre o convênio estadual, Gilberto Cezar afirma. “Esse recurso será muito bem aplicado no interior de Canela, melhorando as condições das estradas e garantindo mais segurança e qualidade de vida para nossos agricultores e suas famílias. É mais um avanço que conseguimos por meio da parceria com o Governo do Estado”. OS PARLAMENTARES QUE DESTINARAM AS EMENDAS DEPUTADOS FEDERAIS Afonso Motta (PDT) – R$ 175 mil Alceu Moreira (MDB) – R$ 314.200,00 Any Ortiz (CIDADANIA) – R$ 400 mil destinados ao HCC Bibo Nunes (PL) – R$ 304.800,00 Daniel Trzeciak (PSDB) – R$ 450 mil para a Saúde Daniel Trzeciak (PSDB) – R$ 250 mil para a área social Denise Pessôa (PT) – R$ 400 mil para o turismo Denise Pessôa (PT) – R$ 100 mil para a saúde Leonel Radde (PT) – R$ 100 mil Lucas Redecker (PSDB) – R$ 600 mil para a saúde Lucas Redecker (PSDB) – R$ 200 mil governo Mauricio Marcon (PODEMOS) – R$ 238 mil Pompeo de Mattos (PDT) – R$ 250 mil Ronaldo Nogueira (Republicanos) – R$ 200 mil SENADOR Paulo Paim (PT) – R$ 384 mil para o turismo Paulo Paim (PT) – R$ 166 mil para a saúde
Viva as Festas Juninas!
Uma tradição que não podemos deixar que se perca é a das festas juninas! Além das bandeirinhas, dos trajes típicos e da quadrilha, o que realmente conquista o coração – e o estômago – são as comidas típicas. Se perto da sua casa não houver festas programadas, que tal transformar o almoço familiar de domingo num grande buffet junino? Aqui estão algumas das delícias mais tradicionais para você lembrar e preparar: Feitas com milho Com amendoim Doces e quitutes Salgados e pratos quentes Esses pratos não só aquecem o corpo nas noites frias de junho, mas também o coração com suas memórias afetivas. Aproveite! Delícia de festa junina: aprenda a fazer uma canjica irresistível Ingredientes: 500 g de canjica branca; 1 litro de leite; 1 xicara de açúcar; 1 pau de canela; 3 cravos-da-índia; 1 pitada de sal; 1 lata de leite condensado; Canela em pó para polvilhar. Modo de Fazer: 1. Lave bem a canjica em água corrente e deixe de molho em água por cerca de 8 horas ou durante a noite. 2. Escorra a água e transfira a canjica para uma panela de pressão. 3. Adicione o leite, o açúcar, o pau de canela, os cravos-da-índia e a pitada de sal 4. Tampe a panela de pressão e cozinhe em fogo médio-alto por volta de 40 minutos, assim até que a canjica esteja macia e cremosa. 5. Após o tempo de cozimento, desligue o fogo e deixe a pressão sair naturalmente antes de abrir a panela. 6. Retire em seguida o pau de canela e os cravos-da-índia da canjica. 7. Adicione o leite condensado e misture bem para incorporar. 8. Transfira a canjica para um recipiente ou porções individuais. 9. Deixe esfriar em temperatura ambiente e leve à geladeira por pelo menos 2 horas antes de servir. 10. Na hora de servir, polvilhe canela em pó por cima (opcional).
Social da Samanta – 681
Melissa Hugentobler, Vera Carneiro e Bianca Carneiro, estão em Santa Cruz do Sul onde acontece o 8º Festival Santa Cruz de Cinema, evento em que a Pauta é responsável pela assessoria de imprensa Foto: Divulgação José Velhinho Pinto foi prestigiar Márcio Cavalli no lançamento de seu novo livro Patrimônio Cultural de Canela Foto: Divulgação Shana Lima e Cadu Mayresse são os papais do ano! O Chá de bebê do Kimi, que aconteceu no último sábado, no Laken, em Gramado, mostrou grande parte de todo amor que espera esse guri fora da barriga da mamãe! Foto: Gustavo Merolli Essas mulheres incríveis fazem parte da confraria Estrella Donna que celebrou o encontro de número 100 nesta semana em noite memorável na Casa Nuvole, em Gramado com a gastronomia do Capullo! Foto: Divulgação Mariana Silva sempre bela, prestigiando Rui e Mateus nos 18 anos da dupla! Foto: Dinarci Borges
Social da Bina – 681
Rui e Nelson Cunha, pai e filho emocionados com o sucesso dos 18 anos da dupla Rui e Mateus. Foto: Dinarci Borges Gilmar Santos e Aline Barros e Bruna Lobo e John de Andrade no Dia dos namorados no Tour de France Foto: Divulgação A arquiteta Silvana Spode Garcez assina novo projeto arquitetônico de edifício residencial de alto padrão em Caxias do Sul. Foto: Leandro Araújo Ro Allves festejou seu aniversário há poucos dias. A jornalista é a responsável por um dos mais maiores eventos da região – a Feijoada da Solidariedade Foto: Valdeir Lima Mariana Reis esteve no Hotel Giardino do Pietra onde conheceu a Janela do Vinho Foto: Valdeir Lima Para comemorar o aniversário da Chef Glau foi organizada uma super festa junina. Na Foto: com a aniversariante, Sandre Pecis e Marina Gil Foto: divulgação
NA PONTA DOS DEDOS, A FANTASIA.
NA PONTA DA LÍNGUA, A LATINIDADE. No cenário da arte bonequeira de Canela e Gramado, o Bonecos da Montanha é o grupo mais longevo se levarmos em consideração o envolvimento de mais de trinta anos de um de seus fundadores, Nelson Haas. O grupo atual foi criado em 2011, mas Nelson já tinha o seu Só Rindo em 1992. Vindo de Caxias do Sul, esse artista de longos barba e talento ajudou a escrever a história de sucesso do Festival de Bonecos de Canela não só pela qualidade do seu trabalho mas pela disposição em ajudar com ideias, experiência e simpatia. Se falar em bonecos, todo mundo aqui conhece o Nelson e um de seus personagens mais antigos, o mestre de cerimônias Carlão. Nelson Haas e Beth Bado com Carlão As páginas desse enredo mudam com a chegada da companheira de Nelson, na vida e na arte. Beth Bado, depois de dar uma guinada que incluiu abandonar carreira no marketing de grande empresa para mergulhar no mundo admirável da criação e manipulação de títeres, significou a verdadeira maioridade da companhia do casal. O Atelier dos Bonequeiros, espaço criativo criado em 2004 para laboratórios, oficinas e confecção, abriu mais uma porta e surgiu, em 2011, o Bonecos da Montanha. O nome é inspirado na geografia do lugar, a Serra, e mais especificamente os altos do Carasal, em Gramado, onde está a propriedade deles. Mas o nome lembra também que o sucesso é uma escalada, cada espetáculo ou ação educativa de Beth e Nelson com suas técnicas variadas, como luva, vara, marionetes e bonecos-gigantes, é mais um passo. Tendo se apresentado em diversos países, o Bonecos da Montanha regressou recentemente da província de Misiones, na Argentina, onde representou o Brasil no 24º Festival Latinoamericano Tatá Piriri. O grupo participou com o espetáculo Histórias do Carlão e um especial, a obra adulta AmericanaMente. Com poucas, mas elogiadas montagens desde que foi criada em 2019, AmericanaMente é uma costura de textos de Giovanni Pappinni, José de Oliveira Luiz, Pepito Ron e Beth Bado, onde ela, protagonista, demonstra versatilidade e carga dramática que comove plateias. Em uma reflexão feminina sobre o modo de ser latinoamericano, a atriz apresenta uma personagem que vive nas ruas de “qualquer cidade americana”, lembranças e constatações. Efigênia Rolim: brilho no papel de bala e na arte De ficha técnica impecável, Nelson Hass assumiu a direção, som e luz de AmericanaMente após Julio Saraiva (in memoriam) e o figurino é capítulo a parte, baseado na icônica Efigênia Rolim, artista que transforma a sucata em arte e histórias. A personagem de Beth Bado brilha à luz do papel de bala, a mesma que Efigênia certa vez achou que era de uma joia achada no chão. Ela juntou e pensou “você, é um mísero como eu. Usado, amassado e jogado fora”. Grandes histórias de vida surgem assim e cabe aos artistas contá-las. Obra aberta, sempre burilada, AmericanaMente poderá acontecer por aqui ainda neste ano. DE KOMBI NO MUNDO – XXV Casacor é nome famoso. Estacionado no Parque do Lago esta semana, vi um veículo e imaginei Kombicor. Boa síntese, diria, para essa Kombi home que tem levado, Brasil afora, o casal Flávio e Flaviane Martins, de Curitiba (PR). Na verdade, eles chamam a Kombi 2011 de Colorida. Modo de vida assumido após a perda do filho – muito criança, acometido por doença rara – Flávio deixou de ser assistente administrativo, Flaviane não precisou deixar de ser designer, artesã e costureira, pois trabalha “na casa” pintada pela artista plástica Luci Gnoatto. O lado bonito da experiência dos curitibanos, no entanto, não está só na perua da VW ou nas paisagens que eles já viram nos 16 estados brasileiros que percorreram. Está na atitude deles, ao interagirem, quando possível, nas comunidades onde passam e ficam por alguns dias. Flaviane fala sobre suas obras infantis, faz contações de histórias, oferece belos produtos artesanais. Também jornalista, Flávio gosta de palestrar sobre o livro Colorido pelo Sol, focado no filho Pietro, o divisor de águas na vida deles. A propósito: eles estarão neste sábado (21), pela manhã, na Feirinha Ecológica e Cultural ao lado do Centro de Feiras. Daqui vão ao Uruguai. Acompanhe-os no Instagram:@expediçaoerasolquefatava
No dos outros é refresco… será?
“Nem todo aumento de imposto é ruim.” Pois é, meus caros. Ela atacou novamente. Aquela famosa jornalista, membro da Academia Brasileira de Letras e comentarista de economia em horário nobre, soltou essa pérola em rede nacional — e sem nem ruborizar. O governo decidiu tributar LCI e LCA como medida alternativa ao aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), anunciado há duas semanas, mas rechaçado pelo Congresso Nacional. E ela ainda completou: “Será que uma aplicação financeira pode não pagar imposto?”, disse. “Um instrumento financeiro que não paga nenhum imposto não faz sentido.” Será que não faz mesmo? Como comentei na coluna passada, vem ganhando corpo no Brasil uma narrativa ideológica de “justiça social”, usada como pano de fundo para justificar aumentos de impostos. A mídia tradicional embarcou com gosto nessa história de guerra entre “ricos” e “pobres”. Afinal, dizem eles, os aumentos são só para os “ricos”, esses malvados que têm dinheiro “sobrando” para investir. Mas quem vive de planilha e boletos sabe: o efeito cascata não é teoria — é rotina — e atinge todas as camadas da sociedade. Diante de algumas matérias que li sobre a nova rodada de aumentos de impostos — principalmente sobre aplicações financeiras — e dos comentários de cidadãos comuns, senti a necessidade de mostrar um pouco melhor o impacto prático dessas decisões. Vamos a um exemplo bem concreto: o imposto agora proposto sobre as LCAs — Letras de Crédito do Agronegócio. Até então isentas de IR, essas aplicações ganharam espaço entre pequenos e médios investidores justamente por oferecerem uma alternativa melhor que a velha poupança (também isenta). Nos últimos anos, bancos de varejo e cooperativas começaram a oferecer LCAs como forma de democratizar o acesso ao agronegócio, permitindo que famílias comuns investissem parte de suas economias — que, por exemplo, utilizariam para garantir o futuro educacional dos filhos. É simples: o cidadão aplica em LCA → o banco empresta para o produtor rural → o país planta arroz, feijão, soja… enfim, financia a produção agrícola e pecuária. Em resumo: financia a produção da comida na mesa. A isenção de IR sempre foi o grande atrativo desses títulos. Quando você coloca “só” 5% de imposto nesse investimento, ele perde o brilho. O pequeno e médio investidor desaparece. Com menos gente investindo, os bancos precisam oferecer juros mais altos para captar o mesmo dinheiro (famoso equilíbrio entre oferta e demanda). Consequentemente, os juros se tornam mais altos para os produtores — o que significa safra mais cara — e o resultado é óbvio: o preço vai parar no supermercado. E adivinha quem paga a conta? A família Silva, que nunca ouviu falar de LCA, mas precisa do arroz, do feijão e da carne todo mês. Você, investidor, que não contou com herança ou sorte, fez tudo certo. Estudou, trabalhou duro, economizou. Recusou atalhos, fugiu das promessas milagrosas de enriquecimento rápido… agora vem o governo e muda as regras no meio do jogo. É realmente desanimador. Porque, no final, os grandes investidores têm acesso a soluções sofisticadas, fundos estruturados, incentivados e planejamento internacional. Já o investidor médio — aquele que começou a entender como fazer o dinheiro render —, sem uma assessoria especializada, vai sofrer. E o resto da população? Essa vai apenas arcar com as consequências. A consequência é que o imposto, anunciado como um meio de equalização das discrepâncias sociais, termina virando inflação para todos. Neste caso, sou obrigado a concordar com a folclórica frase daquela que dá arrepios em qualquer profissional do mercado financeiro: “Não acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder. Vai todo mundo perder.”
Bacalhau à Lagareiro
Caros leitores, na última coluna, eu mencionei o famoso Bacalhau à Lagareiro, então achei justo contar sua história. Lagareiro tem origem na palavra “lagar”, que se refere a um tipo de extração artesanal para a fabricação de azeites, principalmente um tipo de moinho ou prensa utilizado na extração de oleaginosas, como as azeitonas. E, quando falamos em azeitonas, não podemos deixar de pensar em Portugal, apesar de lugares como Grécia e Espanha também terem tradição histórica na produção de azeites. Mas, como brasileiros, junto com a nossa colonização portuguesa, recebemos os tão famosos azeites portugueses, conhecidos por sua dulcilidade e acidez intensa. O Bacalhau à Lagareiro original se baseia em uma quase imersão em azeite. Diga-se de passagem, muitos preparos para este prato, ainda hoje, contam com a fritura em imersão, em azeite puro e temperatura controlada, para que se tornem tenros e saborosos, mas com uma pequena crosta crocante proveniente da fritura. Comecemos pela compra do peixe. Eu prefiro a credibilidade dos importados, os chamados bacalhau do Porto: são postas altas, bem delimitadas e branquinhas, branquinhas. Claro que não preciso dizer que o tal bacalhau fresco é pegadinha, né? Geralmente esse pedaço de peixe vem limpinho, mas, mesmo assim, devemos ser vigilantes quanto às espinhas, longas e duras. Gosto de cozinhá-lo primeiramente no vapor, já adicionando algumas ervas frescas, como salsinha, cebolinha e alecrim. Uso todas as ervas inteiras, para que possa removê-las facilmente. Na receita original, não se usam ervas para o cozimento do bacalhau: é somente ele, nele mesmo. Depois de tenramente cozido, eu os levo rapidamente à imersão em azeite com acidez acentuada, apenas para fazer aquela crostinha. Paralelamente, cozinho as mini batatas, com casca e tudo; então, dou uns murros nelas para que se quebrem suavemente. Numa panela, com muito azeite, vou suar fatias finas de cebola até que iniciem a caramelização. Agora é montar em um refratário para levar ao forno: as postas, as batatas ao murro, muitas azeitonas pretas e ovos previamente cozidos, e, por cima de tudo, muita cebola. O forno é, principalmente, para unir todos os sabores. Não podemos servir um prato tão rico e saboroso sem uma harmonização adequada: vinho, claro! A harmonização mais clássica é por paridade, buscando acidez e notas cítricas para equilibrar as notas salgadas do peixe; dessa forma, um bom Alvarinho vai complementar muito bem esse prato. Também as castas Antão Vaz e Arinto e, se você pensa em se dar um presente nesta noite, sugiro o Pera Manca da Cartuxa — será uma noite inesquecível. Bon appétit! Chef Glau
O Silêncio dos Bons
Enquanto as bombas explodem do outro lado do mundo, aqui o café segue sendo passado todas as manhãs. Crianças vão para a escola, influenciadores ensinam receitas de bolo de cenoura no Instagram e o algoritmo nos empurra promoções daquilo que supostamente tem a ver com nossas “preferências”. O noticiário até interrompe a programação com imagens de prédios desabando, mas logo depois volta a falar do reality show da vez, da nova série de streaming, da previsão do tempo para o fim de semana. A frase de Martin Luther King ecoa como um sussurro incômodo: “O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons.” E o silêncio, hoje, tem muitas formas. Vem disfarçado de indiferença, de cansaço, de “não é problema meu”. Vem no rolar automático do feed, vendo tragédias e memes com o mesmo nível de distração, no olhar que desvia, na desculpa de que já há sofrimento demais para dar conta. Enquanto isso, a hipocrisia vai se empilhando como entulho emocional. Nos primeiros dias, todo mundo posta bandeiras, faz textão, troca a foto de perfil. Mas basta o próximo escândalo de celebridade, a nova tendência de dança, ou alguma polêmica doméstica para o interesse morrer de tédio. O ser humano tem essa habilidade cruel de se desapegar rápido, de enjoar até da própria comoção. Enquanto aqui a gente cansa de sentir, lá do outro lado crianças enterram seus brinquedos junto com os irmãos, mulheres gritam por socorro que nunca chega, e famílias inteiras viram estatísticas em gráficos que ninguém mais lê. De um lado, o mundo em chamas. Do outro, a vida seguindo como se nada estivesse pegando fogo. A distância entre os dois parece confortável, até segura. Mas talvez, um dia, a fumaça chegue até aqui. E quando chegar, talvez já tenhamos perdido a capacidade de escutar, de reagir, de sentir. Porque o perigo maior nunca foi o barulho das bombas. Foi, e sempre será, o silêncio dos bons.
A vida e a obra do Cônego João Marchesi
(* 20.10.1903 / +15.06.1977) (Homenageando …) A cada ano em Canela, por ocasião da Romaria e Festa Regional em Homenagem à Nossa Senhora de Caravaggio, vemos uma nova oportunidade de render homenagens ao Padre Marchesi. E, a bem da verdade, é bom que se diga que apesar de relutar um pouco no início, o Cônego Marchesi (como era chamado) se tornou o grande incentivador desse Evento religioso em nossa cidade. O texto abaixo, extraído do nosso livro “Caravaggio em Canela – 50 anos de História” fala um pouco da sua vida e obra. (………………..) Sua dedicação à comunidade canelense, renderam-lhe inúmeros atos de reconhecimento: * Título de Cidadão Canelense (Lei Municipal nº 355-A/73 de 04.10.73). Recebeu o título em 30 de novembro de 1973; * Avenida Cônego João Marchesi (Lei Municipal nº 498/79 de 15.07.79). * Escola Municipal de Ensino Fundamental Cônego João Marchesi (Decreto Municipal nº 085/79 de 20.10.79). E, a cada mês de junho, lembramos também, o dia de sua morte (Do mesmo livro): “Era 15 de junho de 1977. Canela literalmente parou. Por toda a cidade, agora silenciosa e triste pairava um misto de incompreensão e dor. Mas nem tudo era silêncio. Os sinos da Matriz tocam de hora em hora. A Rádio Clube passa o dia transmitindo somente músicas clássicas. A Prefeitura Municipal (Günther S. Schlieper) decreta luto oficial por três dias pelo ‘passamento de um grande amigo de Canela’. Dia 16, 10 horas, missa de corpo presente na Igreja Matriz, celebrada pelo Cardeal D. Vicente Scherer, com a presença de D. Benedito Zorzi e mais 83 sacerdotes. Nunca, viu-se tamanho movimento em nossa Igreja que agora tornava-se minúscula, para tantos fiéis, amigos, parentes, e autoridades. O povo, rezando e chorando, presta a última homenagem ao seu pároco…”. Parte desta pesquisa “A vida e a obra do Cônego João Marchesi” também está publicada no livro Raízes de São Marcos e Criúva. Seus restos mortais repousam hoje no átrio da Catedral de Pedra. E, no dia 15 de junho passado, completaram 48 anos do seu falecimento, um dos maiores canelenses “de coração”. E pároco por 32 anos na Paróquia Nossa Senhora de Lourdes aqui em Canela… a nossa terra!