2025 está sendo um ano muito “longo”. Longo no calendário e exaustivo no noticiário. Um ano com momentos positivos, é verdade, mas pesado para quem acompanha minimamente o noticiário político e econômico. Foram tantas idas e vindas que a sensação é de que o ano teve mais capítulos do que dias.
Se a economia fosse uma série, 2025 seria aquela temporada em que o roteiro não chega a surpreender, mas mantém o espectador permanentemente tenso. Nada explode, ninguém voa, mas todos ficam esperando a próxima crise no episódio seguinte.
O ano começou com pânico cambial. O dólar flertava com R$ 6,20 e não faltaram “especialistas” garantindo que os R$ 7,00 estavam logo ali. Meses depois, a moeda americana chegou a trabalhar abaixo de R$ 5,30, provando mais uma vez que previsões categóricas costumam envelhecer mal. O mesmo vale para os mercados: saímos do desânimo com o Ibovespa perto dos 118 mil pontos para um recorde histórico em torno dos 165 mil — confesso que essa também me surpreendeu. Já o bitcoin cumpriu o papel de sempre: muita promessa, muita euforia e, na sequência, uma correção dolorosa, acumulando queda de quase 30% em relação às máximas do ano.
No Brasil, o grande personagem de 2025 foi a taxa Selic. Começamos o ano já com juros elevados e, ao longo dos meses, ficou claro que o aperto monetário veio para ficar. A Selic passou boa parte do ano em níveis que não se viam havia muito tempo, reforçando o discurso de combate à inflação, mas também encarecendo o crédito, esfriando investimentos mais arriscados e testando a resiliência de quem depende de financiamento. Para o investidor conservador, foi um prato cheio. Para o empreendedor, nem tanto. O Brasil voltou a ser, mais uma vez, o paraíso dos rentistas — confirmando aquela velha frase: por aqui, tudo muda em um ano, mas nada muda em dez.
E falando em coisas que não mudam, os escândalos de corrupção também voltaram ao roteiro. Tivemos tudo para assistir ao que poderia se tornar o maior esquema de corrupção da história novamente, as fraudes no INSS. Mas, curiosamente, o silêncio da mídia tradicional ajudou a minimizar o assunto, como se assim o problema deixasse de existir.
No cenário internacional, 2025 foi tudo menos tranquilo. Tensões geopolíticas, disputas comerciais e o tarifaço dos Estados Unidos espalharam volatilidade pelos mercados globais. As bolsas oscilaram, o crescimento mundial seguiu em ritmo lento e ficou claro que a economia global anda mais cautelosa do que confiante.
A grande lição de 2025 é desconfortável, mas necessária: política importa — e muito. Juros, câmbio, crescimento e investimentos seguem profundamente reféns de decisões políticas, desequilíbrio fiscal e prioridades frequentemente distantes da realidade de quem produz e trabalha.
2026 oferece uma chance de mudança. Ano de Copa do Mundo e de eleições presidenciais sempre traz, ao menos, a possibilidade de escolhas diferentes. O Brasil segue sendo um país de enorme potencial, apesar de insistir nos mesmos erros. Cobrar, acompanhar e escolher melhor fará parte do jogo. Ano que vem, é hora de torcer por mudanças e torcer pelo Brasil — embora, confesso, o Brasil às vezes canse até os mais otimistas como eu. Tenho saudades da época em que eu sabia a escalação da Seleção Brasileira, e não a do STF.










